quarta-feira, 21 de outubro de 2020

AGUIAR, O ANJO DA GUARDA DOS JORNALISTAS DA ALBA PARTIU p TASSO FRANCO

Tasso Franco
17/09/2020 às 09:33
 José Aguiar do Nascimento, simplesmente 'Aguiar', 'Portela', 'Vaqueiro', 'Deputado', como quiseres chamamá-lo. Eu gostava de chamá-lo de deputado. Ele sorria. Riso irônico, discreto. 

  Pisava macio. Nunca o vi, nos corredores da Assembleia, onde era assessor parlamentar da Bancada da Minoria, afobado, correndo, apressado. Nada. Era zen. De uma postura serena. Transmitia paz. Era a paz. Não se sabe de nada que o tenha feito ou parecido a guerra.

   Conheci-a de longos anos. Dos carnavais no centro de Salvador, Segunda Gorda do Garcia, dos porres homéricos, adorava uma pinga. Eu também. Eu e vários outros jornalistas que cantávamos no salão ao ar livre do Clube de Engenharia, Vitor Hugo, Sobral, Reminho, Anízio Félix e outros. E na praça do poeta, do povo, do avião.

  Também gostava de chamá-lo de vaqueiro. Ele adorava usar um chapéu de vaqueiro e pastorava sonhos num sitio que possuia. Marido de Mara Campos, outra figura extraordinária do jornaismo, pai e mãe de João, assessora de imprensa da Prefeitura de Lauro de Freitas, sempre solítica, dedicada.

  Nesses últimos 14 anos de Bahia Já cobrindo a Assembleia, tive uma outra temporada na casa no final da década de 1980 quando era editor de Politica de A Tarde, com Valmir Palma, Raimundo Machado e Davi Oliveira, lá estava Aguiar no plenário assessorando a bancada e a nosotros, os jornalistas.

  Puts! Até cafezinho trazia para a gente, empanadas do lanche dos parlamentares, docinhos. Se faltava uma caneta, chama o Aguiar que resolve. Uma xerox de um projeto de lei, convoca o Aguiar que vem rápido. Era uma coisa impressionante. Ficava em pé, às vezes, entre a a mesa da presidência e o salão, como se fosse um maestro. 

  Quando me enrolava no decifrar de alguma matéria, da pauta da casa, de temas ainda em análise, recorria a Aguiar, antes mesmo de falar com os lideres dos partidos. Conhecia os bastidores das sessões como poucos. Vivia na Assembleia. Amava a Assembleia. Era sua segunda casa. Creio que a primeira, pois, passava mais tempo na ALBA do que em sua residência.

  Se a sessão se prolongasse até a madrugada, lá estava Aguiar. Em quaisquer momentos. Presenciou muitos acontecimentos no plenário da casa, desde enterros simbólicos a brigas entre parlamentares. Discretíssimo. Não abria a boca pra falar mal de um insento. Adorava o Carnaval, a música. Uma figura fantástica.

   Acometido de câncer desde o ano passado estava sempre a perguntar por ele a Olivia, a Ailton, dois outros servidores que vivem para a Assembleia. - Está melhor... - Esteve aqui. Ligava para ele para saber como estava e dizia: levando. Ontem, partiu. Seguiu para outra esfera espiritual deixando os amigos saudosos.

  Quando recebi alguns prêmios na ALBA do programa da ASCOM fazia questão de chamá-lo, num deles, para me entregar o troféu. Fará muita falta esse anjo da guarda. (TF)