segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

A REPÚBLICA DA BARONESA E O MARECHAL DEODORO

ZédeJesusBarrêto
16/11/2019 às 09:49
 
  Contam os mais próximos dos fatos e personagens da época que tudo se deu assim:
 
  Éramos um Império, uma monarquia ‘democrática’, constitucional. Tínhamos parlamento, chefe de governo e de Estado, o Imperador Dom Pedro II, um homem muito culto, amante das leis e do Brasil. Em paralelo e oposição havia o movimento republicano, antenado ao que acontecia no EUA e na Europa, abolicionista e sabidamente atrelado aos descontentamentos do Exército,  que cobrava benefícios prometidos depois de vencida a Guerra do Paraguai e vivia às rusgas com o Governo.  O grande líder republicano era Benjamim Constant. 
 
   Pois bem. 
 
   Sob forte pressão dos republicanos, o marechal Deodoro da Fonseca, heroico soldado rude e mui amigo do Imperador, um ‘fiel’, convicto monarquista e representante-mor das forças armadas, destituiu o gabinete do Visconde de Ouro Preto, quando os oposicionistas ansiavam pela derrubada do Chefe de Estado, do Império. Teria sido uma jogada de Deodoro tentando agradar um lado e não trair a lealdade perante o amigo imperador.
 
  Mas ...
 
  Inteligente, obstinado e muito sagaz, conhecedor dos segredos de alcova de uns e outros, Benjamim Constant disse aos seus: - Deixe, estar! Deixa comigo, resolvo isso. 
 
  Deodoro, depois do ato de destituição da pasta de governo foi pra casa se recolher, andava doente, tinha crises de falta de ar em função de um enfisema pulmonar. Estava acamado. 

 O velho marechal monarquista nutria um ódio figadal por um certo político gaúcho chamado Gaspar Silveira Martins, que tinha boas relações com Dom Pedro II. A rixa vinha de longe, dos tempos em que Deodoro servira como ‘Comandante de Armas da Província do Rio Grande do Sul”, de 1883 a 1886.  Lá, o militar teria se apaixonado, se encantado com uma bela viúva, a Baronesa do Triunfo, de nome Maria Adelaide de Andrade. Ela, porém, teria empinado o nariz para o militar e caído nos braços do político, o tal Gaspar Silveira Martins, só ela sabia o porquê. Deodoro, durão, ciumento, autoritário, criou um ódio mortal do rival, desafeto. 
 
  Pois bem, de novo. Aí vem o ‘checher la femme’. 
 
   Benjamim Constant, astuto, foi determinado à casa de Deodoro, enfermo. E, sem dó nem piedade, fez a seguinte narrativa pro velho Marechal: - Que Dom Pedro II já descia de trem de Petrópolis para o Rio, e teria nomeado às pressas para ocupar a Chefia de Governo, espécie de Primeiro Ministro, diga quem? 

   - O tal do Gaspar ! 

    Contam que ao ouvir o nome do ‘disgraçado’,  Deodoro teria saltado da cama, exigiu um cavalo do Dragões da República arreado na porta, subiu na sela, todo paramentado de Marechal, e rumou para o Campo de Santana, onde desembainhou a  espada e proclamou a República.
 
   Há 130 anos !   E é feriadão, até hoje. 
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