quarta-feira, 20 de novembro de 2019

VINTE ANOS DE JOÃO QUE SERVE PARA TODOS OS JOÕES, PÓR WALDIR BARBOSA

Valdir Barbosa
04/10/2019 às 10:43
Desde quando tratamos de rasgar entranhas, para invadir o palco terreno somos submetidos ao império dos prazeres. Práticas das primeiras necessidades básicas são condicionadas por reações prazerosas, capazes, inclusive, de determinar no futuro, formas de fixação, responsáveis por influenciar nossos comportamentos, diante das mais diversas situações do cotidiano.

Desde os tempos pueris, em seguida percorrendo vales da primeira e segunda infância, na puberdade, adolescência e seu crepúsculo, até atingir a idade adulta caminhando para a maturidade que não é sinônimo de senilidade, a força das delícias oferta prazeres multifacetados do gozo, aos quais fatalmente ficam submissos todos os seres humanos, mesmo porque, na medida em que os viventes buscam a felicidade, o fato de estar entregue costumeiramente aos deleites indica aparência de ser e estar feliz.

Porém, ditas circunstancias nada mais são, senão armadilhas que a vida - eximia cobradora - nos impõe, na condição de meros personagens, na verdade, presentes aqui, no intuito de buscar crescer e avançar. Os objetivos da existência se colocam muito além dos simples jogos de encantos, mesmo porque a sensação de felicidade é fugaz e transitória valendo lembrar, o verso inesquecível de Vinicius: “...a felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar, voa tão leve, mas tem a vida breve, precisa que haja vento sem parar”... .

Neste momento quero lembrar o contraponto revelado no império dos deveres, assim, não duvidando que somos, verdadeiramente, os responsáveis por nossa felicidade entendo imprescindível não permanecer “estocando vento”. Ao talante do livre arbítrio devemos ser dínamos responsáveis por fazer gerar correntes, capazes de manter constantemente, a pluma pairando no ar e isto só será possível, na esteira da responsabilidade, dedicação, esforço, sacrifício, estudo e prática da fé.

A consciência de cumprir o dever, escada que nos leva de degrau em degrau a patamares elevados, aos quais precisamos nos alçar, para construir com dignidade a história de nossas vidas, resulta na convicção de que as delícias do gozo devem estar submissas ao exercício dos deveres. Nunca, em tempo algum poderá ser invertida esta ordem, sob pena de comprometimento dos propósitos preponderantes guardados na oportunidade de existir para evoluir.

As maravilhas do sexo, drogas e rock "n" roll apresentadas a todos os mortais, via de regra na adolescência, potencializando os prazeres vividos nas fases antecedentes de nossas vidas, por lógico estarão sempre batendo às portas dos nossos sentidos, posto são verdadeiramente tentadoras, por isto, é “preciso estar atento e forte”.

Hoje, filho amado, quando completas vinte anos, eu que viajo sempre na melodia especialíssima de Aznavour - "Hier encore j'avis vingt ans -, pois já os tive, no privilégio carimbado pelo tanto quanto aprendi por estar junto a ti nestas ultimas duas décadas, ao levar o peso dos quase sessenta e oito anos que agradeço a Deus por carregar, me permito, quando faltam apenas doze luas para completares tua maturidade plena sugerir privilegies sempre o dever, sem que isto represente abdicar do prazer, pois ele faz parte do conjunto desta obra magnânima construída pelo Criador Supremo.

Tens um exemplo no qual te deves espelhar, sua mãe. Ela nunca negligenciou das obrigações, aproveitou oportunidades, chegou ao patamar onde se acha renovando esforços dia após dia, superando sacrifícios, na busca por alçar voos cada vez mais altos, sobretudo visando teu bem.

Antes de falar, ouça, antes de ensinar, estude, antes de colher, plante, antes de fazer, projete, antes de consumir, produza, antes de cobrar, se cobre, antes de descansar, labute, antes de sorrir, medite, antes de curtir, trabalhe, antes de dormir e depois que acordar ore. A vida é um milagre, assim, agradeça todos os dias o privilégio de poder fruir das suas benesses.