quarta-feira, 03 de junho de 2020

O MEDO do ex-presidente Lula da Silva

Fernando Conceição
22/06/2015 às 19:18
POR DEVER de ofício, há tempos tomei conhecimento do quanto a$ empreiteira$ de obras públicas influenciam e controlam o poder no país, negociando propinas, sobrepreço, comprando políticos ávidos em roubar a população.

Duas biografias de jornalistas, a de Samuel Wainer (Minha Razão de Viver) e a de Assis Chateaubriand (Chatô, o Rei do Brasil), dão uma ideia do poderio das grandes empreiteiras na história da república brasileira.

Em Salvador mesmo pude, atuando na Redação do jornal A Tarde, constatar esse fato. O então prefeito e atual empresário Mário Kertèsz montou um esquema com empreiteiras – Sérvia, Engepar, Góes Cohabita… [clique aqui para saber mais]

Isso teria resultado em milionário desvio de dinheiro público. O prejuízo para o município foi estimado em US$ 200 milhões, de acordo com denúncia judicial, à época, da Procuradoria Geral do Município (1990). O dinheiro nunca foi reavido.

O processo, a essa altura, arquivado. Kertèsz e os seus vão muito bem, obrigado! Mantém ou manteve em sua folha de pagamentos jornalistas bem-falantes, gentes até que dividiu funções de docência em faculdades com o microfone do ignaro cidadão.

Eis que, impensável até o momento em que o poder judiciário, no excelente trabalho técnico do ministro Joaquim Barbosa – relator da Ação Penal 470 – abandonou sua desonrosa trajetória de leniência com os poderosos, o Brasil assiste os presidentes das duas maiores, mais importantes e influentes empreiteiras brasileiras serem mandados preventivamente para a cadeia da Polícia Federal. Por corrupção na Petrobras.

O que poderá vir a seguir, companheiro e colega de universidade José Sérgio Gabrielli?
O ícone do partido político que uma vez foi a esperança do rompimento com as velhas práticas de corrupção e apropriação do bem público para o interesse de enriquecimento particular ilícito, ao saber das prisões ousou, amedrontado, uma previsão.

Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente do país por dois mandatos e criador de sua sucessora, diz que deverá ser o próximo alvo do juiz federal Sergio Moro. Este magistrado que, como Barbosa, tem dado provas de destemor e vontade de fazer justiça a partir da observância estrita da lei.

Por não ter direito a foro por prerrogativa de função (erroneamente chamado de foro privilegiado), vez que sua principal atividade lucrativa desde que saiu da Presidência da República é viajar pelo continente africano e América Latina fazendo lobby a favor, principalmente, da empreiteira Norberto Odebrecht, que lhe custeia o bem-estar, Lula teme também ser mandado para a cadeia.

Em breve. E com ele, quem mais?

Como ordenou o juiz Sergio Moro agora com Marcelo Odebrecht. Amigo e maior financiador individual de seu périplo pela África e por países das Américas Central, do Sul e do Caribe. O maior empreiteiro do Brasil está preso e pode fazer um acordo de delação premiada. Valha-nos Deus!

Nesta hipótese não apenas ele, mas caciques de outras siglas – como o PSDB, que governou o país por oito anos antes de passar o bastão para o PT – têm motivos de sobra para temer o pior.
O medo de Lula, porém, é o mais asfixiante. Realmente tem motivos para perder o sono, num momento em que o presidente do instituto que leva o seu nome será convocado pela CPI da Petrobras na Câmara dos Deputados para esclarecer os milhões recebidos da Odebrecht.

Em Portugal, onde me encontro, de que as instituições de poder brasileiras herdaram os vícios, um ex-todo-poderoso chefe do executivo português há sete meses está atrás das grades. Por corrupção e tráfico de influência com negócios empresariais.

O juiz Sergio Moro tem o seu avatar aqui, num sistema judiciário que – surpreendente para os padrões portugueses, como foi a atuação de Joaquim Barbosa e tem sido a de Moro – agora também demonstra alguma virtude.

VIOLÊNCIA CONTRA A JUVENTUDE NEGRA.
Não toquem em meu amigo Hamilton Borges, ativista brasileiro que hoje sofre ameaças e boicotes da estrutura repressiva na Bahia por denunciar o genocídio negro. Se ele sofrer algum atentado, o responsável será o governador Rui Costa do mesmo partido de Lula

Uma nota sobre o modus operandi similar das polícias no Brasil e em Portugal: o excesso de uso da força, da arbitrariedade que utilizam contra a juventude. No caso da Bahia governada pelo PT desde 2007, o quadro é de genocídio.

Nesta quinta-feira, 25 de Junho de 2015, a partir das 14h pelo horário de Brasília e 18h pelo horário de Lisboa, ativistas dos dois lados do Atlântico debatem o assunto em evento acadêmico fruto de parceria interinstitucional (UFBA e UNL).

Em videoconferência que pode ser acompanhada por todos os interessados, por transmissão online pela internet. Acesse o facebook da atividade para saber como espalhar em rede e como participar. Mais informações pelo email danjesud@gmail.com