sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Eu vos explico os Cleaners (limpadores)

Frei Clemente Rojão
25/01/2015 às 21:52
Muitos me pergunto o que é “Cleaner”. Abaixo descrevo o Cleaner ideal. Não existe um cleaner ideal, mas diversos estágios desta – parafraseando nosso papa Francisco sentando o relho na Cúria Romana – “doença espiritual”.

Cleaners – “limpadores” – são os católicos com uma concepção errada de Igreja, que julgam que se deve defender tudo o que o papa diz, mesmo quando agride o sendo da fé dos fiéis e o próprio magistério da Igreja, mesmo que fale de improviso e num ambiente hostial da imprensa mundana. Cleaners se dedicam a piruetas mentais para defender tudo o que é dito e feito, mesmo que isto exija duplipensar a maneira orwelliana de 1984. Os Cleaners seguem a máxima de Groucho Marx “Você vai ter coragem de deixar de acreditar em mim para acreditar no que dizem seus olhos???”

Cleaners não entendem a Infalibilidade Papal nem suas restrições. Eles não compreendem a diferença entre atos administrativos e doutrina. Para eles, mover um bispo de diocese é tão infalível quanto proclamar a natureza de Cristo. Cleaners as vezes confundem o síndico de um prédio com seu engenheiro.

Os Cleaners são mestres em atacar o mensageiro. A culpa é sua se reclama, não de quem fala torto lá do alto da cátedra. A culpa é sempre da Veja, da Folha, do Frates in Unum, do Socci e os suspeitos de sempre, nunca do pontífice que solta a pérola. Cleaners também são mestres em italiano para tentar arrumar traduções semânticas para dizer que não é bem assim como foi noticiado. Farão longos tratados de doutrina para explicar. Acho isso nobre. Mas, convenhamos, precisa mesmo explicar um pontífice? E porque só este precisa?

Cleaners apresentam como evidência para defender o pontífice de alguma declaração completamente diferente que ele disse lá atrás e perdem de vista o principal: Como pode um pontífice romano ser tão contraditório, então? O que está havendo?

Para os Cleaners, São Paulo e Santa Catarina de Siena, que contestaram as atitudes dos pontífices de sua época, estavam errados. Lógico que eles não admitem isso por causa do “São” na frente, mas na prática é isso mesmo.
Cleaners não conhecem a História da Igreja nem suas regras disciplinares. Cleaners acham que sempre um santo é eleito papa, quando na verdade – infelizmente – não é, nem nunca Jesus prometeu isto. Se os Cleaners vivessem no pontificado de Estevão IV, diriam que exumar e julgar o cadáver de seu antecessor estava muito correto mesmo. Se os Cleaners vivessem no pontificado de Alexandre VI diriam que todo católico tem obrigação de beber o vinho servido pelo papa.
Os Cleaners são um fenômeno do pontificado de Francisco. Antes dele não havia necessidade de consertarem o que o papa disse. Havia alguma incompreensões as vezes, havia perseguição na imprensa, mas não havia escândalo sistemático e periódico em cada declaração do pontífice.

Cleaners têm senso de matilha, e atacam como hienas (apenas não riem). De alguma maneira foram treinados para atacar em grupo e em massa os inimigos do grande líder, que ousam fazer observações sobre o Grande Guia. Cleaners possuem esta visão soviética e muçulmana do pontífice. Cleaners não gostam de pensamento independente.

Secretamente os Cleaners devem invejar a disciplina férrea que impera entre os xiitas iranianos com seu aiatolá ou no estado islâmico com seu mulá Al Bagdhadi.

Enfim, Cleaners não querem um pontífice romano, com todos seus defeitos e erros, como todo filho de Adão. Querem um macho alpha incontestável para liderar sua matilha.