quarta-feira, 03 de junho de 2020

SALVADOR do improviso VIVE momento da Copa do Mundo

Tasso Franco
13/06/2014 às 10:27
   Salvador foi preparada para a Copa do Mundo? Apenas, em termos. Ou melhor, pouco avançou no essencial para sediar jogos de uma competição tão importante, entre eles, um Holanda x Espanha; Portugal x Alemanha; hospedando gente com culturas tão diferenciadas.

   A cidade depois do "tsunami" João Henrique, oito anos de dessarumação, tenta de soerguer das cinzas. Enfrenta problemas históricos que não se resolvem de uma hora para outra. 

   O mais crônico deles é o transporte coletivo, caótico, e sem sinais de que vá melhorar a curto prazo. Talvez a médio e longo prazos consiga alguma coisa. 

   Só lembrando, os 6.4 km de metrô entre a Lapa e o Acesso Norte demoraram 15 anos para serem feitos. Madrid faz 4km em média de novas linhas de metrô por ano. Nesse tempo que demora Salvador com seu "jussárico" Metrosal já foram instalados mais 60 km por lá. A linha 1, até Pirajá está indefinida. Fala-se, em 2015. A linha 2 até Lauro de Freitas, por enquanto, não saiu do papel. A extensão da linha 1 até Cajazeiras é uma ficção.

   O transporte coletivo por ônibus é o pior do país. No Rio, existe um sistema por ônibus de boa qualidade, interligado ao metrô e a Central do Brasil. Em Salvador, o sistema não interliga a nada e os ônibus de outros municípios circulam na área urbana da capital. A estação de Mussurunga, que era de transbordo virou um enfeite. A PMS tem dois grandes projetos: a Linha Viva e o BRT Lapa-Iguatemi, ainda em fase de audiências públicas.

   Salvador tem boas praias mas o turista que vem para a Copa não quer saber de praia, ainda mais nesta época chuvosa do ano. Existem duas praias mais aconselháveis: o Porto da Barra e o Farol. As demais são distantes e sem infra-estrutura. Muitas estão poluidas porque a Embasa abandonou o Bahia Azul. Quem conhece a Nova Ícara ou a Barceloneta, em Barcelona, sabe o que significa infra-estrutura de praias.

   Salvador tem um centro histórico mediano se comparados aos centros históricos da Europa e da Ásia. Ainda assim, os templos religiosos vivem fechados temendo furtos de imagens. O CH está repleto de ambulantes, vendedores de pandeiros, mulheres que fazem tranças em cabelos, capoeiristas, tudo no meio das ruas. A Praça da Sé está em obras de requalificação há meses. Os indicadores dos alicerces da antiga Sé Matricial e do Colégio dos Jesuitas ruiram.
 
   O que mais tem Salvador que poderia interessar ao turista? Cultura. Mas, a cultura anda em baixa. Só se fala em diversidade e afrobaianismo. E daí, o que é isso mesmo. Alguns turistas poderiam se interessar pelos candomblés e irejas, porém, não existe um roteiro estabelecido. Deverão ter visitas apenas pontuais.
 
   Turista de Copa adora diversão, shows, sexo profissional. Isso temos mas em menor escala do que na Europa e nos Estados Unidos. Salvador hoje não tem uma grande casa de shows coberta. O Wet'n Wild é um improviso. Campina Grande, na Paraiba, tem melhores casas de show que Salvador. A Fan Fest pode ser, mais até para a baianada, por falta de segurança. 

   Temos belezas naturais admiráveis. O turista, no entanto, deve ter toda cautela diante da falta de segurança. Quem pode passear no Monte Serrat em grupo pequeno? Ninguém. A seleção italiana quando esteve acá na Copa das Confederações o técnico só deixou Balotelli andar na praia. Mais ninguém. Assim mesmo porque Balotelli é negro. Em parte, atitute até preconceituosa. Mas tem sentido. Deixar um holandês passeando na praia de Amaralina ao lado do Meridien seria um perigo.

   Salvador está perigosa, violenta demais. 

   Resta aos turistras, os hotéis, as festas privês e os restaurantes. A cidade, na atualidade, não tem um bom show folclórico. Nem isso que já foi sucesso na antiga Moenda.

   É esta a cidade que vai sediar jogos da Copa. 

   Que a baianada é hospitaleira isso é verdade. Mas diminuiu essa sensação. A cidadania é baixa. Ainda mija-se nas ruas e instala-se barracas onde se bem entende. Tá melhorando, Mas isso demora anos.
  O nosso turismo é amador, salvo raras exceções. Outro dia levei um turista a Rua das Laranjeiras, Pelourinho, num restaurante a céu aberto. Um horror. Cada hora fomos importunos por um vendedor: de amendoim, de bolachinha, engraxate e assim por diante.

   Essa história de que temos muito que aprender já passou do tempo. A Bahiatursa, agora sob nova direção, levou um concurso de "quadrilhas" juninas para Periperi, reduto de um deputado. Que turista vai lá? Zero.

   Paciência, sim. haja paciência.  

   Nunca chegaremos lá porque quando chegarmos, as outras cidades já avançaram mais. Cancún, balneário no México tem um aeroporto internacional com voos diretos para várias localides do mundo, dois grandes free-shops e ima infra invejável. SSA tem um aeroporto internacional que o sanitário fede e sequer tem um free pra vencer cocadinha baiana. 

   É isso. A Copa é nossa com todas essas limitações. Que assim seja na base do improviso e do que Deus quiser.