sexta-feira, 30 de outubro de 2020

USINAS DE AÇÚCAR E ÁLCOOL NO EXTREMO SUL

Felipe Oliveira Souza
21/03/2011 às 09:00
   Foi notícia nos principais veículos de comunicação da Bahia, os investimentos na produção de álcool e açúcar na região extremo sul da Bahia.

   A partir destas decisões o estado se tornará o maior produtor de álcool, e o Brasil sustentará de longe sua liderança na produção mundial das usinas sucroalcooleiras. Acompanhado pelo movimento de consciência ambiental, o país se tornará também, o pioneiro na produção de biocombustíveis de alta eficiência produtiva. Mas todo exagero, como a intensa atividade agrícola de monocultura, traz malefícios. Alguém tem pensado nisto?


   A iniciativa do Brasil em se tornar líder mundial na produção de biocombustíveis foi desencadeada na reunião de acordo bilateral com o ex-presidente Lula e o então presidente norte-americano, George W. Bush, em março de 2007.

   Eles se uniram visando o desenvolvimento de pesquisas em recursos energéticos provenientes de matéria orgânica (biomassa vegetal). Como resultado, ficou estabelecido que os estados unidos ampliará sua produção de biocombustíveis, especialmente provenientes de material celulósico que é sua especialidade, como o sabugo de milho, madeiras, resíduos do trigo e outros vegetais; o Brasil investirá em sua produção de etanol (mais eficiente que a dos E.U.A.) a partir do caldo da cana-de-açucar.


  Motivados pelas facilidades encontradas na região, grupos de megainvestidores como a inglesa Infinity Bio-Energy e a novíssima Raízen (fusão da Cosan e a Shell), escolheram a região do extremo sul baiano para as atividades extensivas da cana-de-açúcar no Brasil. Devido principalmente aos índices pluviométricos regulares de aprox. 1600 mm/ano e solos bastante férteis, com ótima capacidade de retenção de água, até 70% de seu peso.


  No entanto o plantio da cana-de-açúcar exige vastas áreas, que resulta no problema da monocultura extensiva. Iniciando pela obtenção de territórios, é quando as usinas desestimulam as comunidades solo, devido o esgotamento dos nutrientes que não são repostos naturalmente. Aliado a isto, ainda há a agressão ecológica, causada pela diminuição da biodiversidade, tanto da biota do solo quanto das poucas matas adjacentes.


  Mas deve ser levado em consideração também, os estímulos que a implantação das usinas trarão pra região, como a criação de aproximadamente 3,6 mil empregos nos primeiros quatro anos de funcionamento, isso se referindo apenas às duas usinas com implementação confirmadas em 2011, a Ibirálcool em Ibirapuã e a Unial em Lajedão.

  Há também já em funcionamento desde 2005, a usina Santa Maria em Medeiros Neto, que produz cerca de 80 milhões de litros de etanol por ano, que além de ser autossuficiente, gera energia o suficiente para sustentar toda a cidade de Medeiros Neto, colaborando com créditos de carbono.  

  Com a realização das perspectivas de produção das usinas, aproximadamente 224 milhões de litros por ano, o estado da Bahia caminhará para a autossuficiente em etanol anidro (aditivo da gasolina) e hidratado (comercializado e usado em carros flex).

   Em 2008, afirmou Eujácio Simões, da Seagri, que com a consolidação do projeto da ferrovia oeste-leste, ligando o interior-leste baiano a Ilhéus; e a implantação de mais 12 usinas até 2013, em cidades como Teixeira de Freitas, Medeiros Neto e Itamaraju; a Bahia será enfim exportadora de álcool e seus coprodutos: energia e créditos de carbono.


  A abundante produção sucroalcooleira na Bahia concerteza trará benefícios para a população, em especial para o extremo sul, região de terras férteis que necessita do impulso industrial causado pelas atividades das usinas. Resta-nos então, observar e cobrar das autoridades competentes, que as leis ambientais e de auxílio aos pequenos produtores rurais sejam cumpridas. Assim, minimizando os danos, poderemos usufruir dos lucros.



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Felipe Oliveira Souza é teixeirense. Graduando em Química Bacharelado, pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), vê formas de aplicar suas pesquisas científicas às realidades do extremo sul baiano