sexta-feira, 30 de outubro de 2020

"DENDÊS NO SANGUE" FATURAM NO VERÃO E BOBOCAS APLAUDEM

Tasso Franco
22/02/2011 às 09:04
Foto: DIV
Dendê em vitrine de luxo, tal como aqueles que só amam Salvador no verão/Carnaval

   Está em curso temporada dos "Dendês no Sangue", pessoas que amam Salvador, são fanáticas por Salvador, acham a capital baiana a melhor cidade do mundo, mas só na temporada de verão/Carnaval.

  Passado esse momento, já na tarde de quarta-feira de cinzas pegam o avião e retornam ao Rio e SP onde, preferencialmente, vivem e voltam no início de janeiro de 2012 para uma nova rodada de amores eternos.

  Não se tem notícias de que esses "Dendês" se mobilizassem alguma vez na vida para se solidarizarem, pelo menos, no momento das chuvas de abril/maio quando a capital baiana sofre bastante, há mortes por deslizamentos de terras, e assim por diante.

  Nem um showzinho, uma palavra de conforto saem da boca desses "Dendês". Fazem de conta que está tudo bem com a Bahia e seguem adiante retornando quando o sol aparece, sempre acompanhados de projetos mirabolantes, os quais visam, quase sempre embolsam boa soma de dinheiro.


  Os globais então são especialistas nesse tipo de artifício e estão vendendo aos provincianos baianos feijoadas caça-niqueis durante essa temporada do ano.
 
  Vendem aos olhos dos camaradas, a sensualidade, a fama e os bobocas dos baianos vão comprando camisas e outros adereços e embarcando nessa canoa furada.


   E vejam que as grandes empresas patrocinadoras de eventos no Carnaval de Salvador, nos camarotes, nas feijoadas, em alguns trios, despejam muito dinheiro para esses "Dendês" porque o glamour faz parte dessa encenação e a midia televisiva baiana, que é controlada pelas matrizes do Rio e SP, é obrigada a mostrar tudo isso como uma espécie de contra-partida.

  Tem uma "Dendê" com seu camarote famoso com mais de 8 patrocinadores, todos fortíssimos e que pouco investem em Salvador fora da época do Carnaval.


  Alguns desses "Dendês" já foram contemplados com títulos de cidadãos de Salvador e outros meios bajulatórios da nossa briosa Câmara de Vereadores, as autoridades mais importantes do Estado circulam em seus camarotes, tiram fotos com eles, numa harmonia extraordinária.

  Autoridade adora "pau-de-luz" de televisão, ainda mais se tiver um "Dendê" ao lado, aí é que dá sorissos e se mostra ainda mais gentil.


  Os nativos, especialmente os blocos afros, que vivem na dependência de ajuda do governo do Estado, se queixam de que os "Dendês" são favorecidos pela midia e pelos patrocinadores e que eles não conseguem nem a metade dos benefícios auferidos pelos amantes de Salvador.

  Muito certo, porque na vida real, é o que dizem, as amantes às vezes têm mais privilégios do que as matrizes, usam mais batons, são mais charmosas temporariamente, são gostosonas, muito parecidas ou parecidos com os "Dendês".


   A Bahia sempre foi muito generosa com essas pessoas que chegam de fora, fruto do nosso provincianismo histórico, da velha colonização portuguesas de beijar pé-de-santo e conduzir bispos em solidéus.

   Na temporada verão/Carnaval, portanto, não é surpresa que os "Dendês" sejam louvados e endeusados. A maioria deles nunca leu nada sobre o candomblé, o misticismo baiano, mas, de imediato, quando entrevistados dizem que são de Oxóssi, de Ogum, e que adoram Menininha do Gantois e Mãe Stela do Axé Oponjá.

   De maneira que, se você se deparar com um "Dendê" por aí, bata na madeira, se benza e diga: "Pé de pato mangalô três vezes". Vade retro.