sexta-feira, 30 de outubro de 2020

A REVOLTA DO BUZU 2011 NA VISÃO DO SECRETÁRIO GERAL DA JUVENTUDE DO PT

Gabriel Oliveira
05/01/2011 às 16:09

Foto: SBI
O movimento de 2011 e a continuidade na abertura das aulas
 
Dois mil e onze promete. Estamos apenas nos primeiros dias do ano, nossa cidade mal passou pela ressaca do reveillon, e já nos encontramos em completo estado de revolta.
 
Os estudantes de Salvador mostraram para o prefeito João Henrique que a luta por direitos se faz o ano inteiro, e dessa vez provamos que de férias ou não, quando as decisões são tomadas sem debate com a população, nós paramos a cidade para que nos ouçam.
 
O recente aumento da passagem para nós não é novidade. Há seis anos consecutivos que o prefeito de Salvador opera às escondidas com o SETPS para aumentar o lucro dos empresários do transporte, que deveria ser público.
 
A novidade dessa vez é a resposta de estamos dando ao autoritarismo da Prefeitura de Salvador: 500 manifestantes pararam a Rótula do Abacaxi e o Iguatemi no primeiro dia útil do ano. E no dia seguinte, mal João acordou, e mais 300 estudantes paralisaram a Estação da Lapa durante mais de 3 horas.
 
O jogo sujo da desinformação tenta nos colocar contra a população soteropolitana, alegando que nossa mobilização é balbúrdia de desocupados e que o ato de paralisar o trânsito só atrapalha o dia-a-dia  dos trabalhadores e trabalhadoras de nossa cidade. Respondemos à altura: a nossa maior ocupação é o exercício de nossos direitos sociais.
 
Em nossas mobilizações, terminamos dando um bonito exemplo de cidadania. Todas as pessoas são, de forma pacífica, convidadas a entrar nos ônibus pela porta da frente, sem pagar um centavo. E o melhor é que essa atitude, além de demonstrar para o povo de Salvador que nossas reivindicações são pelo bem da cidade, tem o absoluto apoio não só dos trabalhadores que tem a oportunidade de pegar o transporte sem pagar, mas de praticamente todos os motoristas dos ônibus em que realizamos o Passe Livre universal.
 
Prova disso são as diversas manifestações de apoio da população que, mesmo presa no engarrafamento, buzina e ergue o braço em favor de nossa luta. Numa enquete realizada nesses dois dias pelo site de A Tarde Online (http://www.atarde.com.br/), com mais de 3 mil votos, mais de 70% dos participantes afirmaram apoiar a Revolta do Buzú 2011.
 
O prefeito João Henrique e o SETPS não contavam com essa. Mas terão de engolir o levante estudantil que está apenas no começo. Nossas maiores mobilizações ainda estão por vir. As aulas nas escolas e universidades começam a voltar em fevereiro, e daqui pra lá ainda temos muita por fazer.
 
Em recente matéria publicada no dia 04 de janeiro no blog Bahia Notícias (http://www.bahianoticias.com.br/), afirmava-se em poucas e desinformadas linhas de uma notícia, que a Revolta do Buzú 2011 em nada tem a ver com a outra revolta que estremeceu Salvador em 2003. A notícia entitulada de "Greve orquestrada para bagunçar" diz que nossa atual mobilização tem "pouco a ver com estudantes" e é sustentada por uma pauta "absolutamente fora de sentido".
 
Gostaria de ratificar o respeito à imprensa e ao Bahia Notícias. Mas não posso deixar de atribuir ao completo desconhecimento de nosso movimento uma notícia tão absurdamente equivocada, mal informada e desconectada de nossa realidade.
 
Em primeiro lugar, nosso movimento é composto por uma pluralidade política expressiva. Movimentos como a União Nacional do Estudantes (UNE), a Associação de Grêmios e Estudantes de Salvador (AGES), o recém criado Movimento Exú Tranca Ruas, o DCE da UFBA, as juventudes de variados partidos, a exemplo do PT, do PCdoB, do PSOL e PSTU, além de estudantes que nunca fizeram parte de nenhuma dessas entidades ou organizações.
 
Todo esse conjunto de atores políticos formam uma unidade que, de fato, incomoda muito porque ao se somar consegue mobilizar centenas de estudantes em pleno recesso de fim de ano para lutar por seus direitos mais básicos, como o do livre ir e vir. Não tenham dúvida que estamos "de olho" na Prefeitura. Não só estamos "de olho", como não vamos esperar as próximas eleições em 2012 para gritar por toda Salvador "Abaixo João Henrique," traidor do povo e dos estudantes.
 
Em segundo lugar, a notícia, que não é assinada, não explica o porquê, mas classifica como "sem sentido" as nossas pautas. Se o jornalismo do referido blog realmente conhece a nossa pauta, devem procurar então ter um conhecimento mais qualificado sobre o transporte público em algumas das principais capitais do país.
 
Capitais que, com tarifas muito mais baixas do que a nossa, oferecem um serviço de transporte de uma qualidade muito superior a Salvador. Como Recife, Aracaju e Porto Alegre, em que o sistema de transportes, alguns inclusive o metropolitano, é plenamente integrado. Ou até o Rio de Janeiro, onde a experiência do Passe Livre já é uma realidade há alguns anos.  
 
"Fora de sentido" para nós é o pagamento antecipado do Salvador Card; é a falta de integração do transporte rodoviário; é a má gerência e falta de ética na implantação do vergonhoso metrô de Salvador; é o consecutivo aumento da passagem sem absolutamente nenhuma melhora qualitativa no serviço de transporte. "Fora de sentido", para nós, é o Prefeito achar que Salvador é o quintal da casa dele, e tomar decisões fundamentais para nossa cidade sem nenhum tipo de diálogo com sua população.
 
Por isso que nossa pauta política tem sentido, sim. E o sentido dela é a rua, e nossa direção é a Prefeitura. Enquanto o Prefeito não nos encontrar para receber em mãos toda a nosa pauta, estaremos em estado de mobilização constante.
 
Como diz a bela palavra de ordem, "nas férias, e nas ruas, quem disse que sumiu...". E estão avisados: se a tarifa não baixar, a cidade inteira vai parar. 
   
Gabriel Oliveira Secretário Estadual da Juventude do PT - BA
www.twitter.com/gabrielnaquinta