ter?a-feira, 24 de novembro de 2020

CEM ANOS LUTAS, HISTÓRIA E PARTICIPAÇÃO MULHERES

Marta Rodrigues
18/03/2010 às 08:20

Foto: CAMOCION
Processo de mudança com igualdade exige mulheres no poder decisório
 Dia Internacional da Mulher foi estabelecido em 8 de março pela
Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, ano que se tornou o Ano
Internacional da Mulher e também o início da Década da Mulher. As versões
desta história, por mais diversificadas que sejam, constroem as imagens das
mulheres como combativas operárias, revolucionárias e de esquerda.

É possível reunir tais narrativas em três blocos: 1) greves e martírio de
operárias nos Estados Unidos, em 1857 e em 1908; 2) greve, manifestação e
deflagração da Revolução Russa por parte das mulheres; 3) iniciativa de uma
revolucionária chamada Clara Zethin, que em 1910, durante a 2ª. Conferencia
Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhague (Dinamarca) propôs
instituir o Dia Internacional da Mulher.

No Brasil, a Frente Negra Brasileira (1931) criou o Partido Republicano
Feminino, demonstrando alto nível de organização nacional, que se iniciara
no século anterior e se manteria até a ditadura militar do Estado Novo, em
1937. O movimento tem leve refluxo, mas retoma seu florescimento junto com
os levantes internacionais de 75, o ano da mulher no mundo e também no
Brasil. De lá até então, o movimento comemora o 8 de março como um marco
histórico para as mulheres mundo afora.

Mas nem todas as mulheres protagonizaram esses momentos. As mais afetadas
pelo machismo e pelo sexismo, as negras, percebiam os efeitos do racismo
mesmo nos momentos de vitória. Como uma forte manifestação da dupla
discriminação, à qual as mulheres negras estão submetidas, elas são
excluídas dos melhores empregos simplesmente por serem mulheres e também
negras. Relegadas ao trabalho precário e aos salários mais baixos, as negras
ainda são as principais responsáveis pela família e por criar os seus
filhos.

A presença da discriminação racial é reforçada pelas discriminações fundadas
em gênero, aprofundando desigualdades e colocando mulheres negras na pior
situação quando comparadas aos demais grupos populacionais.

A experiência histórica indica que as conquistas só se dão em períodos de
avanços democráticos, sob pressão das mulheres, contando com o apoio dos
movimentos e da sociedade organizada. As dificuldades de participação das
mulheres nos espaços de poder estão determinadas entre homens e mulheres e
no aprofundamento histórico da divisão sexual do trabalho. Nas últimas
décadas, as mulheres iniciaram uma jornada de afirmação da própria
identidade e de visibilidade, com a ampliação da presença no espaço público,
rompendo os limites da esfera privada.

Esta é uma das mudanças sociais mais marcantes. No entanto, sua presença
extremamente reduzida em espaços políticos de maior poder e decisão na
sociedade denuncia a permanência do acesso masculino privilegiado.
Mobilizadas pela reforma política e por melhores condições de disputa
democrática, as mulheres percebem que chegar ao poder não é apenas mais uma
pauta, e sim a melhor perspectiva de alterar a correlação de forças
desvantajosas e iniciar o processo de mudança que nos levará á igualdade.


*Marta Rodrigues, vereadora do PT na Câmara Municipal de Salvador e
vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher