quinta-feira, 26 de novembro de 2020

EU SOU UM CARNAVAL EM CADA ESQUINA

Tasso Franco
06/02/2010 às 10:18

Foto: BJá
Um dos meus disfarces para sair pelas ruas neste Carnaval
 

O Carnaval de Salvador se transformou numa grande indústria de entretenimento para turistas, em sua maioria, e não adianta ficar olhando pelo retrovisor do passado porque aquele folião do confete e serpentina morreu faz é tempo.


A festa se camarotizou, se elitizou, perdeu a espontaneidade e a irreverência populares, virou tudo japonês pulando feito nico e beijando bocas, cheirando lança e outros bichos, e quem não gostar desse modelo que pegue seu boné e se mande da cidade.


Segundo a pesquisa da Secult apenas 19% dos baianos de Salvador curtem o Carnaval, brincam a festa. Quem mora longe dos circuitos e não tem capilé para se ausentar da cidade fica nos bairros curtindo pela TV e existem aqueles que vão para as praias do Litoral Norte, Ilha de Itaparica e cidades do interior.


Há quem ache, como muitos fazem, que o melhor é curtir o Carnaval pela TV onde se vê de tudo sem pagar nada e ainda pode-se fazer uma festinha privê, numa boa, com uisquinho, samba, suor, cerveja e cama.


O Carnaval também se transformou numa disputa entre as mega-estrelas, hoje, festa dominada pelas mulheres, deixando os marmanjos no segundo time, Bell escrachado por Nizan Guanaes, e o camarada do Asa de Água fazendo das tripas coração para inovar alguma coisa com seu Durangulino.


As musas, ao contrário, contratam estilistas quase famosos, muitos mentem como quê afirmando que trazem lantejoulas de NY e Paris quando adquirem na Avenida Sete e no Le Biscuit, e se esforçam ao máximo para aparecerem na telinha nacional ou nas inserções nacionais.


O Carnaval se transformou numa festa midiática e quem aparece mais minutos na telinha leva mais capilé pra casa. Tem muito chute e estatísticas fajutas. A propósito, estive recetemente na Europa e procurei a Record Internacional para ver Varela e nada, nem um chuvisco.  Mas, durante o Carnaval são anúncios de inserções de toda natureza, algumas completamente fantasmas, de transmissões para o Brasil e para o mundo. 


 Neste Carnaval vou me fantasiar de conde Drácula que é uma fantasia que me acompanha desde os anos 1980. Mandei renovar os dentes do moço que estão gastos e retoquei a casaca. Nem sei como o público vai me receber este ano.


Já contratei um segurança particular, o Rasta do Pelô, que me seguirá com seu tamborim. Nada de armas. Também vou doar dois quilos de arroz Tio Mingote para ajudar no Carnaval sem Fome. Não vai adiantar muito, mas, é melhor que nada. Pior é se levasse dois quilos de sal.


Temo que neste Carnaval ocorreram chuvas fortes daí que também já preparei meu guarda-chuvas. Com esse azar que Zé Serra está dando em São Paulo, mais de 40 dias de chuvas, de repente despenca por acá. Diz-se que estará na folia baiana, pelo menos um dia, com direito a turbante do Gandhy. O "home" é careca e vale.


Já a camarada Dilma virá no domingo. Vai ao camarote fequentado pelo govenador e estará no circuito Barra Ondina devendo prestigiar também uma entidade do Ouro Negro. O governo está investindo pesado nos blocos afros e os negões estão adorando.
Mas, como sempre, tens uns chatos de galocha reclamando que o tutu é pouco.


Pior é meu segurança, o Rasta, que só vai levar R$50,00 para garantir minhas calças. Em três dias de folia, que é quanto aguento, vou desembolsar R$150,00. Mais a cerveja, o transporte e o acarajé pra patroa vou desembolsar R$500,00. Somando-se aos meus dois quilos de arroz serão R$510,00. Se tiver algum troco passo em Agnaldo Calça Curta e compro um charutinho pra distrair as idéias, na sua tenda do Pelô.