quinta-feira, 26 de novembro de 2020

VISITAR BERLIM DEVERIA SER OBRIGATÓRIO A TODO JORNALISTA

Tasso Franco
01/02/2010 às 08:02

Foto: bjá
Trecho do Muro de Berlim, na parte Oriental, ainda existente na cidade
 

BERLIM - Circulo pela Europa desde início dos anos 1980, mas nunca tinha vindo a esta cidade que mudou a configuração política mundial dividindo o planeta em dois blocos distintos - o capitalismo e o comunismo. No último final de semana cumpri esse desejo antigo e só não fiquei mais satisfeito porque a estada foi curta e o frio intenso deste inverno, sempre abaixo de zero grau e com bastante neve e lama, sempre atrapalha os movimentos, embora tudo estivesse funcionando e bem.


É tanta história, tanta curiosidade, que seriam necessários meses para sentir o pulsar da capital alemã com mais compreensão, visitar e conhecer os principais museus, monumentos, bairros, etnias e entender como um país que se envolveu diretamente em duas grandes guerras mundiais, a última com um saldo de destruição avassalador, consegue 65 anos depois se transfomar, novamente, no motor da Europa.  O país da tecnolgia de ponta, da disciplina, da organização social, da educação técnco-científica, agora integrada numa única Nação desde a queda do Muro de Berlim, em 1989.


É arrepiante visitar algumas ruinas e trechos do muro que ainda estão à mostra na cidade, de uma sensação inigualável para quem conhece a história e viveu intensamente a Guerra Fria e todos os acontecimentos que se sucederam ao longo dos anos, praticamente o fim do comunismo e o surgimento da social democracia capitalista, a glasnot de Gorbachev, o papel da Igreja Católica nesse processo e sua força num país protestante, enfim, pisar na história, cheirar, apalpar e sentir muita emoção.

Nada me pareceu mais emocionante do que atravessar andando os arcos da Porta de Brandenburgo e depois visitar o campo de concentração "mater" da SS hitelista, sede da gestapo e laboratório do III Reich, em Sachesenhausen.


Para quem estava acostumado a ver esses cenários na televisão, nos impressos de jornais da época da Guerra Fria e nos filmes e documentários de cinema, passar uma tarde inteira nesses dois locais, entrar em Sachesenhausen, fotografar, pegar em objetos, nas peças de refeitório e camas onde sofrerarm os judeus, sem dúvida, vale qualquer esforço. Diria, para usar uma expressão tão em moda entre planejadores, um investimento. Demorei até demais de cumprir esse desejo, uma praxis que deveria ser elementar para qualquer jornalista.


A Alemanha não esconde a II Guerra Mundial embaixo do tapete. Muita coisa está exposta e serve de objeto de estudos infindáveis. São tantas as publicações e análises sobre a guerra, o holocausto, a personalidade de Adolf Hitler e seus generais, que há material a ser pesquisado e publicado por mais dezenas de anos. Mas, o povo alemão, sobretudo as novas gerações, vive uma outra realidade e atua na contemporaneidade, sem ficar remoendo o que se passou como um trauma interminável.


Pelo contrário, Berlim é uma cidade alegre, aberta, com alguns preconceitos reinando entre antigos prussianos de origem, porém, cosmopolita, festiva, com um intenso comércio, excelente local para compras, melhor do que Paris e Londres, sobretudo em eletrônicos de toda natureza máquinas e equipamentos.
 
E com uma vida noturna chocante, no bom sentido, a maior comunidade GLS do planeta, turcos à mancheia, muitos africanos, uma liberalidade impressionante sem qualquer tipo de censura ou contrangimento, obviamente, observando-se as leis locais. Não dá pra sair às ruas nú e de peruca. Não é bem isso. Mas, duas jovens indo às compras como casal perfeito é natural.


Outro detalhe interessante para qualquer visitante: os preços acessíveis de muitos produtos e alimentação. Come-se e muito bem com 12 euros, algo em torno de 35 reais, isso num restaurante de boa qualidade, serviço de primeiríssima. Evidente que, quem gosta de cerveja, uma refeição fica um pouco mais em conta porque as larges são sensacionais, desde a Weihenstephan a Heineken, esta última de origem holandesa, mas, muito vendida na cidade e em toda Europa.


Também não se deve ficar fazendo contas em real, convertendo-se tudo o que se compra, porque, como diria Evaristo de Macedo, uma coisa é uma coisa; e outra coisa é outra coisa.
 
Quem vem a Europa já chega com seu dinheiro contado e amealhado ao longo de meses e não deve ficar pensando nessas sutilezas. Contas a gente faz na Bahia onde já estou de retorno.