quinta-feira, 26 de novembro de 2020

O ETERNO E GENIAL BATUQUE DE NEGUINHO DO SAMBA

César Rasec
01/11/2009 às 09:17
Foto: Tempo da Música
Neguinho do Samba mostrou que é possível ser destacado ator social sem sair da Bahia
 

Dos sons tirados nas bacias de dona Nilza, sua mãe, à fama internacional, o maestro ritmista Neguinho do Samba conseguiu por meio da música, especialmente do samba-reggae, mostrar que é possível ser destacado ator social sem dar as costas para o espaço urbano local.


E assim ele fez em vida, no Pelourinho, reduto do Olodum. Mas a sua história não fica restrita ao Olodum. Rapaz irrequieto, transitou pelas baterias dos blocos de índio Comanches e Apaches do Tororó. Eram tempos de dificuldades, de boemia, de sonho, de busca por uma identidade cada vez mais baiana. O sonho era viver de música.

Reencontra na própria identidade afro, nos blocos de resistência que conquistavam visibilidade no Carnaval de Salvador, a força sonora que ainda ecoava da África e nos cantos de lamento de sua mãe lavadeira.


E assim, do Ilê Aiyê, por onde atuou por 11 anos, Neguinho do Samba sentiu que estava pronto para encarar novos desafios. Foi em frente. Venceu o maior deles: o preconceito. Chegou no Olodum e passou a ser reconhecido por vestir a sonoridade da bateria do bloco com uma nova forma de batucar.

Combinando o samba com o reggae, Neguinho do Samba mostrou no Olodum que era possível reinventar os sons percussivos ininterruptamente, sempre experimentando novas batidas.


Na curta história de vida de Neguinho do Samba, vale registrar a força dada por Luiz Caldas, criador da Axé Music, ao Projeto Didá, só com mulheres percussionistas. Ao ver as dificuldades para fazer acontecer projeto, Luiz fez uma canção especialmente para a banda. A Canção Mexe Mexe, parceria com Durval Caldas, foi registrada em filme, mas nunca foi gravada em disco.


Morreu Antônio Luís Alves de Souza, mas Neguinho do Samba não morreu, pois o Pelourinho continua vivo e presente na vida da cidade. De onde estiver, continue batucando diferente, mostrando que a Bahia é singular, é única e terra de todos os santos-artistas!