SALVADOR 460 ANOS: CIDADE AMADA, DEGRADADA

ZédeJesusBarreto
29/03/2009 às 09:05

Foto: Foto: BJá
Em cada esquina, bolachina de goma e biscoitinhos variados
  Salvador aniversaria, domingo. Haja homenagens, eventos e anúncios publicitários...

A cidade se avilta a olhos vistos.

   O Centro Antigo, antes histórico, entristece. No Pelô, encardido, entre suas  ruelas de mesas e vendilhões transitam turistas assustados e levas de pedintes, ladrões e crianças drogadas.

   A avenida Sete  virou o paraíso dos muambeiros e camelôs.  Passeios tomados, imundícies, semimortos sob marquises, carros estacionados de um lado e outro em fila dupla, abandono.


    Nossas praças estão a mercê de mendigos e trambiqueiros. São Pedro, Piedade, Campo Grande, Praça da Revolução, Itapuã ... um horror!  A Cidade Baixa - Mares, Roma, Ribeira, Suburbana... - ainda espera as tantas promessas eleitoreiras. Ninguém nunca mais deu as caras. 


   A Orla continua nos envergonhando.  Como o tal Metrô. Prestará pra quê?   


   O dengue, a  meningite, o tráfico, o tráfego, a polícia, as gangues matam e infernizam.


   Mas temos o estica-verão. Coitados dos que moram  e têm negócios na Barra.

Caminho em Itapuã, sobre o  que resta de passeio entre a Sereia e o acarajé de Cira. Não se vê o mar. Tudo tomado por barracas, barzinhos, cadeiras, engradados, isopores, sujeiras, muros de tijolos imundos, um barulho infernal de cada boca de som que sai de cada cacete-armado. A mais absoluta degradação urbana e humana.


   A rua principal da Liberdade é uma feira livre contínua, desorganizada e sem controle, de ponta a ponta. Mais parece a sucursal do inferno. Sujeira e barulho. Horror!  


  O Poder Municipal anunciou providências para que se possa ver o mar, aqui e ali.


  Pois que comecem logo limpando e reurbanizando Itapuã. Em nome de Caymmi, de Vinícius, do mestre Calá, de Juca Chaves... de cada um dos dignos pescadores daquelas bandas...  e dos que ainda resistem morando por lá.


   A cidade, aniversariante, agradeceria. Comecemos ali a requalificação dos espaços públicos, a limpeza da Orla, o respeito  ao horizonte do mar azul.


   Ah, minha cidade amada, qual o teu cheiro? Dendê, mijo, maresia, diesel ou o cheiro de latrina que exala de cada riacho morto que corta a cidade em direção ao seu mar sagrado?   


   Qual o teu gosto? O do acarajé, da moqueca de arraia ou o gosto de sangue das matanças de fim de semana nos seus bairros pobres?  Qual o seu barulho, seu cartão Postal? O dos cartazes retocados, das imagens coloridas ou das favelas  de esgotos a céu aberto e lajes batidas sem fim e sem cor em cada bairro popular.


  Que estão a fazer desta cidade Mãe Preta de todos nós?  Comemorar o quê?


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Há dois anos e meio, por aí, o Ministério da Saúde elaborou um documento que previa essa epidemia d dengue na Bahia. Sabe a providência que tomaram?  Contrataram Carlinhos Brown para fazer uma peça batuqueira publicitária contra o mosquito, que continuou zumbindo, dançando pra musiquinha (boa) dele.


Até hoje os tetos dos pontos de ônibus da cidade acumulam água, sujeira, copinhos, plásticos... Na minha casinha de pobre, em Lauro de Freitas, tem mais de dois anos que não aparece um mata-mosquito.  Sumiram. Estavam ‘na política'. Agora, o Governo trouxe meia dúzia de médicos de Venezuela e Cuba para nos ensinar... é mole? 

Eles vão revirar pneus, limpar calhas, entrar em quintais, vistoriar telhados, pontos de buzu, cair na ribanceira das favelas?  Ou tudo não passa de mais um joguinho de marqueting?


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Concluindo, de olho no noticiário político da TV, constato: O senador Heráclito Fortes, bochechas, pança, gestos e verbo, é a cara da política brasileira!  Um resumo de Sarney, Renan, Collor, Valérios,  Dirceus...  Enfim, a síntese da  ‘res publica brasiliensis'.


Tamos perdidos!