segunda-feira, 18 de junho de 2018
Colunistas / Cantinhos da Bahia
Agapito Paes

Domingos do Quebra-Queixo fica ao lado do Themis

De gesseiro a vendedor de quebra-queixo, um doce da época colonial
22/12/2017 às 18:00
A vida em surpresas que a prória razão desconhece. Sêo José Domingos, sergipano de 68 anos de idade, residente em Salvador há alguns anos, sempre trabalhou como gesseiro em obras residenciais e comerciais. 

   Trabalho especializado, quase artesanal, duro, pesado. E o tempo passou, hoje, Sêo José, beirando os 70 janeiros, aposentado pelo INSS, há 6 anos tem seu cantinho na Rua José Gonçalves, centro histórico de Salvador, vendendo quebra-queixo e passou a ser conhecido como Domingos do Quebra-Queixo.

   "Produzir quebra-queixo é uma arte" diz Domingos revelando que só faz vender. "Quem produz é um sobrinho meu. Dá um trabalho danado. Leva farinha de trigo, coco, amendoim, mel, açúcar e um produto para dar o ponto, a parte mais dificil", revela.

   O quebra-queixo quando bom, como é o caso do vendido por Sêo Domingos, tem que honrar o nome. Se não quebar-o-queixo, pelo menos a pessoa tem que ter boa dentadura e queixo resistente. 

   Posso atestar porque comi, e o quebra-queixo de Sêo Domingos com amendoim é uma delicia. E olhe que não tenho queixo-resistente. Mas, tenho técnica para comer um pedacinho.

   O quebra-queixo é posto numa cuba metálica - de zinco, preferência - por inteiro e depois cortado em pequenos pedaços, iguais, cada pedacito custa R$2,00. Sêo Domingos usa duas facas resistentes para cortar e acomodar as tiras do quebra-queixo. 

   De resto não tem nenhum chamariz, um tinguilim ou um triângulo, para atrair os clientes. Seu cantinho fica ao lado do Edificio Themis em frente ao posto do INSS e ele já possui uma boa clientela. 

   Chega cedo, põe a caixa em cima de armação em madeira no formato de um X, abre a tampa da caixa e os clientes vão aparecendo.

   Só vai cortando as tiras e enrolando os pequenos pedaços num papel amanteigado, quase transparente, a medida em que vai vendendo.

   É isso, de gesseiro a vendedor de quebra-queixo. E a vida segue como Deus quiser, de domingo a domingo.