Podem anotar que esse enredo é o que está acontecendo no Brasil com a direita rachada e Lula soberano na esquerda (Com informações do DN e Público)
Um candidato independente o socialista Antônio José Seguro venceu a primeira volta da eleição presidencial portuguesa diante do racha da direita que ficou em segundo lugar com André Ventura, do Chega. É um exemplo do que vai acontecer no Brasil ao que tudo indica com a direita dividida e Lula centralizando a esquerda.
O secretário-geral do PS desafiou o primeiro-ministro a ser mais claro sobre de que lado está nas presidenciais, assumindo estranheza e incompreensão por Luís Montenegro não apoiar António José Seguro na segunda volta contra André Ventura.
"Entre a democracia e aqueles que atentam contra a democracia não pode haver neutralidade política. No meu ponto de vista, ele [Luís Montenegro] deve ter uma posição mais clara sobre se está do lado dos valores constitucionais e do lado dos valores democráticos, ou se está do lado daqueles que atentam contra os valores democráticos e os valores constitucionais", afirmou José Luís Carneiro aos jornalistas, na Póvoa de Lanhoso, distrito de Braga.
Recebido por duas centenas de deputados, dirigentes e militantes do seu partido com gritos de "8 de fevereiro, Ventura em primeiro", o líder do Chega fez um discurso de vitória vindoura na noite em que passou à segunda volta das eleições presidenciais, atrás do candidato socialista António José Seguro.
Apesar de os resultados preliminares, ainda com 11 consulados por apurar, indicarem que Seguro ficou em primeiro, com 1.753.387 votos (31,14%), enquanto Ventura assegurou o segundo lugar, com 1.321.676 votos (23,47%), o político que passou de deputado único a líder da oposição em apenas seis anos deixou antever a estratégia para tentar reverter essa desvantagem, repetindo aquilo que o fundador do PS, Mário Soares, conseguiu há 40 anos, quando ultrapassou o centrista Freitas do Amaral, vencedor da primeira volta, acabando por tornar-se Presidente da República. "Em 1986, era o espaço da esquerda que estava fragmentado", recordou.
Num discurso presenciado pelas principais figuras do Chega, desde aderentes de primeira hora até a figuras que se juntaram ao partido nos último anos - estiveram presentes o ex-ministro social-democrata Rui Gomes da Silva e o atual vereador da Câmara do Porto Miguel Corte Real, dois membros do seu Governo-sombra -, Ventura defendeu que a direita não saiu derrotada das presidenciais, apesar de um antigo secretário-geral do PS ter sido o mais votado. "Só perderemos estas eleições por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal e de outros partidos que se dizem de direita e que terão agora de escolher entre um socialista e alguém que quer fazer reformas no país", disse, retomando as declarações que fizera no início da noite, ao entrar no hotel lisboeta que voltou a servir de quartel-general a uma das suas noites eleitorais.
"Eu não quero voltar ao socialismo em Portugal", disse o líder do Chega, repetindo que "o socialismo destrói", "o socialismo mata" e "o socialismo corrompe". Dirigindo-se ao povo "que não vota no PS e que não quer o PS", mas sobretudo a Luís Montenegro, que pouco antes excluíra o PSD da disputa de 8 de fevereiro, pois nenhum dos candidatos representa o seu espaço político, e também a Mariana Leitão e Nuno Melo, Ventura referiu-se à segunda volta como "uma luta pela alma do nosso país".
Sem prometer a vitória que os seus apoiantes fizeram rimar quando entrou na sala, André Ventura prometeu trabalhar pelo que descreveu como natural caso os eleitores que optaram neste domingo por Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes se juntarem aos seus. "Vou percorrer cada rua deste país. Vou dizer que não podemos voltar para trás. E um país inteiro se levantará", anteviu.