quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Alabama Monroe, um filme apaixonante, por DIOGO BERNI

Temos como fios condutores do filme um casal de cantores de bluegrass, uma vertente do Country Music , formado por Didier (Johan Heldenberg) e Elise (Veerle Baetens)
11/01/2014 às 12:13
Alabama Monroe, dirigido e roteirizado por Felix Van Groeningen, Bélgica, 2012. Um filme decente, apaixonante, tocante e verdadeiro; Com tais predicativos poderíamos resumir o provável ganhador de filme estrangeiro no industrial prêmio do Oscar desse ano. O filme Belga ( sim: a Bélgica faz excelentes filmes, não só esse ) nos coloca dentro das estórias dos seus personagens logo de inicio e somos guiados por eles até o final com certa angústia dentro do peito no que consiste na tentativa de uma explicação pertinente e sensata sobre a origem da existência humana. 

Temos como fios condutores do filme um casal de cantores de bluegrass, uma vertente do Country Music , formado por Didier (Johan Heldenberg) e Elise (Veerle Baetens). Eles se conhecem por obra do destino ( será que de fato existe destino? Essa é uma das muitas indagações existências do tocante filme ) e se apaixonam perdida a ardentemente gerando um frenesi de cenas quentes e sensuais.

 A completitude, a entrega de um para com outro é tão perfeita ( será que existe perfeição ou a vida seria uma série de acontecimentos bons e ruins que apenas acontecem? ), que em certo momento do filme Elise afirma a Didier: “Estava muito bom pra se verdade tudo que vivemos”. 

Mas voltemos ao filme para que cheguemos e compreendemos esse dialogo. Pois bem: Como eram músicos, compartilhavam dos mesmos gostos e estilos de vida, acabaram vivendo uma ardente e apaixonante estória de amor, o que por fim se deu em se casarem, naturalmente. Com o casamento veio a pessoa que mudaria suas vidas, pra melhor ou pra pior, depende do ponto de vista de assiste o filme. Entretanto a filha ainda criança pega a doença mais conhecida como o mal do século ou o incurável até os dias de hoje, câncer maligno. 

A intensidade em que os atores se entregam a essa questão da doença de filha é que torna o filme de fato em uma bela obra cinematográfica, a melhor do ano, ao menos há esse em que voz escreve. Devido à doença da filhinha de cinco anos de idade a carga excessiva de dramaticidade do filme é necessária para podermos entrar no filme, sentir que aquela garotinha é meia que um parente nosso. 

Méritos esse ao diretor do filme que tem a capacidade de nos tocar tanto e em questões veladas como religião, por exemplo. Enquanto o pai: um ateu convicto que era originário de um macaco ( a cena mais bonita do filme fora seu discurso após uma apresentação musical com sua já não esposa após a morte da filha), defendendo a teoria de Darwin ( que de fato é a mais sensata para explicar a nossa existência) e afirmando que Jesus Cristo foi e sempre será o homem mais escroto que o mundo já criou. 

A mãe por sua vez ou por sua fraqueza humana se apoia para conseguir segurar a onda de sua existência numa fé cega em que a melhor coisa é não enxergar aquilo que não pode carregar ou compreender, ou seja, uma fé divina para tentar viver mais aliviada na sua passagem por aqui. Claro fica a posição do diretor e de sua obra, que é: Melhor e mais inteligente é tentar entender como fomos feitos ou da onde viemos (embora isso cause um sofrimento que nem todos ou quase todos não estejam preparados para aguentar) do que ficar cego pelos restos dos nossos dias crendo em uma fé mentirosa e ainda que se diga divina.

 Se este filme não ganhar a estatueta de melhor estrangeiro do Oscar desse ano tenham certeza que será por lógicas questões religiosas. O filme ainda contesta o imperialismo norte-americano quando o assunto são as pesquisas com células-tronco, pesquisas essas que poderiam tirar o câncer da filha dos protagonistas, mas como outros países como a Bélgica dependeriam dos avanços científicos dos ianques e estes naquela época do onze de setembro das torres gêmeas eram contra aos avanços das pesquisas tirando a última esperança de vida da menina e de milhares de pessoas que de certa maneira dependem até hoje dos avanços científicos dos EUA, ou seja, trata-se de um filmaço meus caros que estreia no Brasil somente no dia 17 desse mês, porém já pode ser adquirido nos melhores camelôs do ramo.
 
                                                                     ****
 
No más, é um belo documentário dos canais ESPN ; O filme essencialmente narra uma das duas lutas mais espetaculares do boxe em todos os tempos que acontecera em 1980; A primeira em Junho e a última em Dezembro do mesmo ano. Os boxers lendários eram o norte-americano Sugar Rey Leonard e o panamenho Roberto Dúran, mais conhecido como “mãos de pedra”. 

Mais que a luta de boxe e rixas pessoais estavam em jogo sistemas políticos-econômicos ( Capitalismo/Comunismo) e de certo modo um confronto de idiomas ( inglês e espanhol ), como um panamenho poderia dar uma lição a arrogante e poderosa América que achava (e até hoje acha) que pode tudo. O primeiro embate ocorrera em Montreal, Canadá com 15 rounds e uma vitória incontestável de Roberto Dúran. Luta esta que fez com que Mike Tyson quisesse seguir a carreira na arte nobre do boxe, tamanha magnitude desta luta: 15 rounds abertos com um esmurrando o outro sem qualquer preocupação em defesa; Uma esplendorosa briga de rua com um juiz como figurante no meio do ringue. Depois da maior luta de boxe de todos os tempos, Mike Tyson ainda adolescente ( mas já rebelbe ) vê aquilo na TV e sentencia que seu destino já estaria traçado para o mundo boxe. 

A vitória do Panamenho oriundo de um dos bairros mais pobres da capital do Panamá, Cidade do Panamá, Roberto “Manos de Piedra” Dúran fora maior que um fato esportivo somente. Dúran em 1980 representou em plena guerra fria contra a extinta União Soviética, o golpe nos EUA que de certa maneira todo o mundo ou boa parte dele estava esperando; que era dar uma surra no país mais arrogante do planeta. A pretensão de que os EUA era imbatível fora ralo abaixo com a derrota incontestável de seu menino propaganda de ouro Sugar Rey Leonard. 

Mas para os “States” a derrota nunca era bem vinda, principalmente nesse período da guerra fria com a URSS. Não que agora eles gostem de perder, mas naquela época perder qualquer coisa poderia ser uma brecha para eles perderem também na guerra, mesmo essa ainda sendo fria. 

Então o que se sucede? Uma revanche, of course! Tanto o país como Sugar Rey Leonard não conseguiam se convecer da esmagadora derrota. E com uma proposta de bolsa irrecusável, o panamenho Roberto Dúran aceita a revanche por dez milhões de dólares, grana esta que para os anos 80 era a melhor bolsa já paga, hoje essa quantia no boxe serve para amadores praticamente ( No Boxe que é a arte nobre, não no que estão chamando de esporte agora,o tal do UFC, que trata seus lutadores como escravos ganhando pouco e ariscando a vida dos seus lutadores para um bando de bêbados que pagam o Per-pey-View, ou seja, só quem ganha mesmo é o careca do Danna White e os irmãos Ítalos-americanos Fechita ).

 Mas voltemos ao segundo embate ou a revanche que a América tanto aguardava; Vejam bem: o período da primeira para a segunda luta fora de apenas 7 meses. Com a histórica vitória o panamenho foi comemorar em Nova Yorque com festas regadas a álcool, drogas e mulheres. Dúran durante esses sete meses chegou a pesar 100 quilos , sendo que ele era de uma categoria no boxe que só poderia chegar aos 66 quilos para defender seu título.

 Na real o Dúran estava se lixando para essa revanche e só aceitara pela bolsa, não estava nem aí se ia ganhar ou perder, pois a surra moral aos EUA já tinha sido muito bem dada e o mundo inteiro viu. Enquanto o menino de ouro americano treinava como um louco para a revanche, Dúran por sua vez tomava remédios e laxantes para bater o peso da categoria, pois acreditava o panamenho que suas mãos, que eram tão devastadoras, que se um único soco entrasse em Leonard, seria o suficiente para um nocaute avassalador. 
Após muita propaganda e ansiedade temos em Nova Orlens a revanche em dezembro de 1980. Com um início de estudo de ambos lutadores a luta fica párea. Eis que no sétimo round Suggar Rey Leonard começa a querer quebrar mentalmente Dúran com gracinhas e desrespeitos puramente norte –americanos, do tipo: “Baixei a guarda, vem me pegar, estou dançando pra você agora ”, ou seja, ao estilo Anderson Silva do UFC. Dúran que sempre tratou o boxe como a arte nobre do esporte não suporta tal desrespeito para com ele e principalmente para com o esporte boxe e resolve então dar as costas para o menino de ouro americano setenciando ao árbitro a lendária e mítica frase: “ 

No más”, desistindo da luta e deixando o mundo do boxe perplexo com a attitude de abandonar uma luta empatada no oitavo round, de quinze a serem disputados. Hoje o panamenho de origem humilde Roberto “Mano de Piedra” Dúran é considerado por suas lutas e por essa atitude do "No Más", um dos 10 maiores lutadores de boxe de todos os tempos e a principal e ainda sendo a maior influência do maior de todos os boxers: Mike Tyson ( Há quem discorde disso achando Ali e outros melhores; Respeito a opinião de todos, mas pra mim Mike Tyson foi o maior, até mesmo porque foi o que vi lutar ao vivo demolindo seus opositores). Para finalizar quero deixar clara minha opinião : Boxe é esporte, UFC não: é tudo que você queira menos esporte, por isso não dá pra comparar um com o outro.