ter�a-feira, 07 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Tatuagem surpreende. É o melhor nacional do ano

Além do arco-íris, de Agnès Jaoui, França, 2013. Inverta os contos da Cinderela e da Bela adormecida
30/11/2013 às 10:55
 Tatuagem, Hilton Lacerda, Brasil, 2013. Se a pretensão do filme foi colocar uma pulga atrás da orelha a quem vê e questionar nossos valores: a fita acerta em cheio e fica nesse sentido merecedora como a principal vencedora dos principais festivais brasileiros ganhando como melhor filme esse ano ( PE, SP, RJ,BA, Brasília e Gramado ). 

   Porém não por esse principal sentido do filme, que é o de chocar o pré-estabelecido e não segui-lo, o filme fica demasiado autoral de seu diretor e roteirista. Fica nítido que estamos conferindo uma visão radical de rompimentos, principalmente no que tange a questão da arte sem limites, ou seja, quem faz teatro não pode fazer música ou circo, etc. 

  O renomado roteirista dos filmes do Cláudio Assis, que agora estréia seu primeiro longa com grande sucesso da critica especializada e parece que nem tanto de público ( infelizmente nosso povo não tem educação para apreciar tal filme ), consegue colocar numa mesma estória tudo que existe de utópico e bonito ( arte, amizade, liberdade e felicidade infinita ). 

  Ainda não vi uma critica negativa do filme papador de prêmios nacionais deste ano, e parece que não merece mesmo critica negativa nenhuma, pois apesar do filme ser quase uma exorcizarão de Hilton Lacerda, ou seja, um cuspe que ele tinha e queria jogar pra fora. E tal cuspe, muitos compactuam, e Hilton meio que representa uma gama de pessoas descontentes com as convenções socioculturais atuais. 

   Sem dúvida é um filmaço com um tom contestatório profundo e que bate em praticamente em todos os valores morais que estamos acostumados a conviver. Como disse o próprio diretor: “Esse filme não veio pra levantar bandeiras do que é certo ou errado, o que é bom ou ruim, o que é correto ou incorreto.

   O principal papel do filme é debater a onde nós estamos indo e de que forma isso acontece”. Um filme que fica em você por um longo tempo ( e que bom que é assim ), e sem dúvida alguma é o melhor filme nacional do ano.
                                                        ****
   Jogos Vorazes – Em Chamas, dirigido por Francis Lawrence, com a atriz Jennifer Lawrence no centro da trama, EUA, 2013. Os mais conservadores dirão que o filme é longo demasiado; Outros escreverão que o filme é besta demais e só serve para adolescentes que insistem em serem burros. De fato as duas críticas têm suas verdades, mas não acho que este filme tenha sido feito exclusivamente para o público adolescente.

    Ademais não se trata de um filme para “burros” que só assistem UFC, muito pelo contrário. Em Jogos Vorazes 2 ou em Chamas, existem dilemas profundos em sua protagonista que podemos estendê-los para os nossos dias atuais, como por exemplo, as vulgas celebridades instantâneas, ou dando nome aos bois ou as vacas: os participantes de reality shows ou até os sucessos supérfluos do Youtube que “estouram” com seus hits toda semana.

    Mas voltando ao filme e com a fama que nossa protagonista adquire no primeiro filme da saga vencendo a batalha final e ainda quebrando as regras do jogo e salvando o seu affair; Recebes por conta disso o papel de Pop Star ( ou celebridade instantânea ) nessa seqüência da saga, onde pessoas de cada distrito da cada país, por livre e espontânea pressão (nesse filme ou caso: Os EUA ), são intimados a lutarem até morrerem em um tipo de jaula ou octógono estendido em um futuro não muito distante do nosso em um planeta Terra devastado por ações do próprio homem, acabando com todos os recursos naturais existentes, fazendo de nosso planeta um lugar feio e sombrio. 

   Pois bem: A nossa gata protagonista volta novamente em ação quando o presidente dos distritos resolve voltar com o reality show mortal, mas agora com um adendo: Somente participarão os ganhadores das edições anteriores, ou seja, só feras e assassinos natos. Às duas horas e meia do filme se desenrolam nos embates mortais com ambientes belíssimos e também por dilemas morais da protagonista como ter dois namorados ou ser contra a todo um aparato maniqueísta televiso que fazem as pessoas se entreterem com a morte de alguns sendo que na verdade quem estão mortos e paralisados é a nossa própria civilização de um mundo e futuro não muito distantes dos nossos.
Apesar de longo e ter sido feito mesmo para um público adolescente, gostei desse filme e acho que ele aborda temas interessantes. Agora é aguardar até novembro de 2014 para checarmos a terceira série da trilogia que promete mais que as duas anteriores.
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   Além do arco-íris, de Agnès Jaoui, França, 2013. Inverta os contos da Cinderela e da Bela adormecida, ou seja, transfira os sexos com o mocinho perdendo um sapato numa festa e a mocinha sendo acordada subitamente com uma tapa no meio da face. O filme tem sua fotografia com poucas luzes ou quase sombria e talvez por isso de certa maneira por essa escuridão nas cenas juntamente com a imposição de certo humor negro ao filme insinuando que contos de fadas ou pessoas que vão para o céu quando morrem são puramente bobagens ( elas morrem e pronto: acabou tudo mesmo ); Cena esta explicitada em um jantar de família da cinderela ao avesso que tinha a característica peculiar de sonhar com coisas que iram ocorrer em sua vida. 

  A diretora, roteirista e atriz Agnès Jaoui compromete sua obra por exagerar em sacarmos relacionados a sociedade e as relações familiares, portanto o filme não se torna tanto aprazível como poderia ser e tampouco conexo para ser entendível, ou seja, com começo, meio e fim definidos e delineados. As idéias da diretora ficam soltas sob uma série de eventos não necessariamente continuados tendo como base um casal jovem que se conhece em uma balada.

  O filme instiga por ter indagações Niilistas e Freudianas em seu roteiro, todavia não tem a contundência que se precisa para emaranhar a estória e a tornar interessante, apesar da diretora ter tentado surfar no gênero da comédia semi-romântica, mas sem muito sucesso, apesar da tentativa nobre de aprofundar-se aos temas abordados.