quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

O homem que mudou o jogo, para seu feriadão.

Inch’Allah, dirigido e escrito por Anais Barbeau-Lavalette, com Evelyne Brochu protagonizando o fraco drama gaulês de 2012.
15/11/2013 às 22:25
O homem que mudou o jogo, baseado numa história real, dirigido por Bennett Miller e com boa atuação do seu protagonista: Brad Pitt, EUA, 2012. Com um gerente dito como louco um pequeno time de beisebol faz história e não somente ganha o campeonato, como também entra no Guinessbook com o recorde de 20 vitórias consecutivas. Como o time não tinha chance de concorrer com os outros times grandes da liga o seu gerente ( Brad Pitt ) recorre a uma estratégia ousada e insana para muitos.

  Ele que dava broncas e ordens até no presidente do time decide apostar em contratações, digamos deixadas de lado pelos grandes times, como por exemplo, um arremessador que entortava o braço no ato do arremesso e só pelo feio gesto em que ele fazia para as câmeras ao arremessar era tido como um mau jogador, ou seja, por puro preconceito, digamos estilístico. 

   A tese em que o protagonista se apóia fora de um livro antigo feito por um engenheiro mecânico nas suas horas vagas, onde tal livro analisava o esporte única e exclusivamente através de estatísticas matemáticas ou estatísticas humanas de seus jogadores, tais como: há quantos quilômetros um determinado jogador arremessa a bola ou em quanto tempo outro chegaria à quarta base, ou seja, suas analises do livro que fez era constituída por pura razão, sem erros para as emoções ou “circunstâncias divinas” ( conhecidas como cagadas de jogo também ).

    E tudo isso sem se preocupar se fulano faz arremessos hilários ou beltrano está dentro ou fora do peso “padrão”. Com a tese do louco livro baseado em estatísticas de jogo de um desconhecido mecânico livro sendo colocada em prática a peito e “responsa” do seu gerente-diretor e quase presidente o pequeno time de beisebol do Brad Pitt vai contratando os renegados pelos grandes times e faz um time decente e competitivo, porém ainda assim não muito bom para o técnico da equipe, e por isso ao longo do filme cortes e mais cortes de jogadores recém-contratados eram feitos e admissões de outros bons ou apenas razoáveis, por questões financeiras, eram concretizadas. 

   O filme mostra com competência o lado dos negócios rápidos das contratações no meio do esporte onde um dia você pode ser um super-astro valorizado e no dia seguinte ser literalmente um “João-ninguém”. 

   Situação não muito diferente do nosso mundo capitalista atual, porém por se tratar de um meio muito mais competitivo que é o esporte da alta performance essa competividade se torna mais latente e consequentente mais selvagem, onde só os mais fortes ou poucos por arriscarem suas vidas, sobrevivem. Um filme que defende e explora a tese do planejamento alinhado ou linkado a ousadia de não ter medo de assumir riscos, e por esses dois motivos citados já vale ser conferido, e ademais: Garanto-te que depois de ver esse filme você certamente sairá mais autoconfiante e porque não escrever: corajoso para a vida de uma forma geral e não somente para fazer ou entrar em negócios que envolvam riscos.
 
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   Aposta máxima, de Brad Furman, EUA,2013; É confuso e cheio de erros grotescos na formação dos personagens centrais da trama que quis ser mais audaciosa que o seu roteiro, resultado: um filme de quinta categoria. Todavia vamos a este ou tentaremos resenhar este que já é estranho pela escolha do seu protagonista: o cantor pop Justin Timberlake, onde fica nítida que a praia dele é mesmo a música e não o cinema. O músico pop faz o papel de um estudante de física que descobre um algoritmo por acaso em um site de jogos de azar on-line. 

   Ao invés do astuto estudante entregar sua descoberta ilícita ao FBI ele resolve entrar no jogo dos jogos de azar, pois naquela altura não tinha sequer dinheiro para pagar seus estudos na universidade. De início o estudante viaja a Costa Rica e bate na porta do chefe do site do jogo de azar única e exclusivamente para pedir uma “indenização” por ter descoberto um algoritmo fora da lei e com isso custear sua faculdade nos EUA, porém “ um chapéu mais alto” interpretado pelo sempre péssimo Ben Affleck , o faz uma proposta irrecusável para entrar no esquema de gerenciamento dos megas cassinos na Costa Rica. 

  Além da sedutora proposta de negócios existia a mulher do boss: detalhe este que faz o estudante metido a esperto aceitar o trabalho e junto com ele se meter em uma série de esparros; Ciladas estas que colocam em risco sua vida pelos outros gângsteres de São José, capital do país caribenho. Negócio vai e briga vem, eis que o discípulo passa a perna no mestre, mas isso já é outra história, caso contrário contaria ainda mais o fim do fraco filme.
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   Inch’Allah, dirigido e escrito por Anais Barbeau-Lavalette, com Evelyne Brochu protagonizando o fraco drama gaulês de 2012. A pretensão da estória a ser contada em si é louvável, pois aborda ou ao menos tenta abordar o que a mídia não cobre: ( por questões econômicas e até óbvias ) O lado mais “fraco” do conflito entre Palestina e Israel, onde o lado palestino é o mais fraco por não ter o apoio dos EUA, contrariamente a Israel.

    O drama se baseia na ida de uma médica francesa a uma vila palestina prestar serviços médicos para seus carentes moradores. Por a vila ser uma zona de guerra entre os dois países nada irmãos, sempre acontecia conflitos e mortes, obviamente do lado mais fraco, ou seja, dos habitantes da Palestina. Essa “injustiça” mexe com os brios da médica com seus ideais franceses, de modo que ela acaba por se relacionar “mais” do que deveria com seus pacientes vizinhos.

   Afinal de contas: será que alguém de carne e osso deixaria passar despercebido tal despautério conflitante entre esses dois povos e religiões, sem se sentir ao menos culpada por nem sequer tentar amenizar a dor dessas pessoas? 
Com o tema do embate secular entre as religiões dessas nações ( tema esse bacana para fazer filmes legais, os quais já tive a felicidade de ver alguns), porém esse em questão resenhado é frágil em seu roteiro, as idéias são desconectadas e os personagens não vão bem, principalmente sua protagonista onde esta poderia ser mais ativa e visceral em sua atuação, todavia se limita a fazer o papel de uma médica fraca sentimentalmente e sequer sabe para que time torce de fato, ou seja, Israel , Palestina ou até nenhum, pois quando os palestinos precisam dela verdadeiramente ( no caso da cena do parto de uma palestina amiga sua em um carro em plena fronteira) , ela não consegue salvar o bebe , fato este que acaba com qualquer amizade que ainda existia entre as duas amigas.

    O filme nos dá um toque bacana, que é: Por mais que um lado seja o mais fraco ou mais forte, é necessário nós escolhermos o que queremos defender, pois ficar em cima do muro só serve para políticos, e estes conhecemos bem como agem.