sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

JOBS, uma aula de empreendedorismo

Mais duas obras indicações para seu final de semana
21/09/2013 às 11:55
  JOBS, dirigido por Joshua Michael Stern, com  Ashton Kutcher  como Steve Jobs, EUA, 2013. Somente os homens que ousam ser diferentes e somente estes tem o poder de mudar o mundo. 

  Vejam um quadro de Picasso, as teorias de Einstein ou as músicas de Beethoven. Todos esses homens citados foram vanguardistas em suas áreas e seus tempos.

  Steven Jobs pode perfeitamente ser encaixado nesse seleto grupo de gênio por revolucionar o que hoje entendemos como o mundo da tecnologia da informação ou mais precisamente a criação dos nossos computadores de todos os tipos e tamanhos que usamos nos dias de hoje.

   A fita é uma bem contada cinebiografia desse cara que pensou além do seu tempo, alias essa uma característica de todos os gênios citados no inicio do texto. O filme tem a imparcialidade de contar a verdade sobre quem de fato foi o criador do primeiro embrião de micro-computador na década de 1970 em Los Angeles, e este não era Jobs, mas sim seu melhor amigo: um sujeito nerd e gordo que tinha a inteligência para criar, mas não para levar adiante suas criações, ou seja, vendá-las.

    E é nesse momento que aparece a genialidade de Jobs, um indivíduo completo, pois além de fazer e criar informática como poucos, sabia vendê-la: tinha um exímio raciocínio com números, juros, taxas, ou seja, sabia o que tinha em mãos ( que era a primeira máquina parecida com um computador atual que usamos, mas que se assemelhava com uma máquina de escrever embutida em uma televisão mais do que qualquer outra coisa. 

   No inicio por Jobs “roubar” a idéia do seu amigo de infância fiquei até com raiva dele, achando-o oportunista, mas com o decorrer da fita de 122 minutos é nítido que se Jobs não tivesse “furtado” a idéia do amigo se colocando como patrão desse próprio e querido amigo, jamais teríamos a revolução que temos na área dos computadores e sequer existiria a marca símbolo de status social que é ainda a Apple e tampouco o Macintosh. 

   Jobs deixa claro que para a empresa prosperar seria necessário que separassem amigos e experiências passadas aos negócios, pois para ser peixe-grande era necessário pensar grande. E foi isso que ele fez; Se tornou um sujeito mais metódico que já era e conseqüentemente depois dessa mudança ( inclusive demitindo amigos importantes, como o seu guru espiritual indiano que tanto lhe dera suporte em sua época de experimentações com o LSD em sua juventude pouco tranqüila por ter sido criado por pais adotivos e não ter muito sucesso com o sexo oposto em conseqüência disso) diante disso então nascia um novo talento dos megas negócios no Vale do Silício no Colorado. 

   Quando a Apple começou a dar seus primeiros passos para o sucesso empresarial era necessário Jobs mostrar aos seus amigos “das antigas” que as coisas não eram mais as mesmas: Jobs não era mais o mesmo, agora ele era um homem obcecado por dinheiro e desafios profissionais e quem não entendia o progresso de sua ambição caia fora do esquema pela “ficha não ter caído” de que agora a lei era outra. A estória de paz interior se acabara e agora a paz era a exterior, ou seja, não só ganhando muito dinheiro, mas como também a ambição de ser maior que sua principal empresa concorrente, que era e ainda é a poderosa IBM, porém ele não estava nem aí para isso, queria passar da IBM como um trator, pois para Jobs o único limite que podia pará-lo agora seria o céu, e olha lá. 

   De fato temos uma belíssima cinebiografia, mas antes de tudo temos a conferir uma estória de vida de um homem que não tinha nada e através de seu suor e inteligência teve tudo que o mundo material poderia dar, onde se prova mais uma vez que pessoas que tem sonhos e um pouco de talento alinhada a uma visão mercadológica ousada podem se dar bem na vida. 

  Não digo ser um Steve Jobs, mas que com trabalho e persistência certamente irá ter o seu lugar ao sol, e Jobs foi o exemplo mais completo para isso, ou seja, vencer e mudar a maneira de pensar de muitas pessoas, onde quase sempre o copiar o projeto de uma outra empresa, nem sempre é a melhor saída. Muitas vezes o quebrar paradigmas: o não ter medo de fazer algo que ninguém fez ainda faz toda diferença; E foi exatamente que o Jobs se propôs a fazer do primeiro ao último dia de sua vida: ser autêntico e não ter medo do novo e por isso foi um gênio da nossa “medrosa” humanidade padronizada. Uma verdadeira aula de empreendedorismo esse filme.
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  Rush- No limite da emoção, com direção do cultuado por Hollywood Ron Howard , Estados Unidos, Reino Unido , Alemanha, 2013; Nos conta os bastidores do esporte mais glamoroso do planeta que é A formula 1. Em especial temos como enredo principal a rivalidade entre dois pilotos: o austríaco Nick Lauda e o britânico James Hunt. Enquanto o austríaco ( e mais conhecido por ter tido mais títulos, mas isso não implica necessariamente em afirmarmos que ele era melhor que o seu rival) Nick Lauda era mais careta e metódico e por isso odiado por todos do meio; O britânico James Hunt era o seu oposto: festeiro, mulherengo, irresponsável ( inclusive nas pistas ) e querido no meio glamoroso da Formula 1. 

   A rixa dos dois começa no começo dos anos 1970 quando estes ainda corriam na formula 2, uma espécie de porta de entrada para a formula 1. E quando os dois “compram” uma vaga para pilotar um Formula 1 a rixa juvenil vira algo mais latente, beirando ao ódio, porém esse ódio é que faz os dois crescerem ao ponto de competirem o titulo do mundial de 1976 depois de um grave acidente do austríaco, que o deixou de fora de algumas provas.

   A principal virtude da fita é a de desmistificar que sempre adversário é coisa ruim, que não acrescenta, que tem de ser tratar mal. Se não existisse a vontade de um querer superar o outro, ambos não teriam sido os campeões que foram, mostrando que para vencer na vida é preciso ter culhões sim, mas antes de tudo respeito a quem pode te acrescentar de fato e não aqueles que só querem te enganar: sujeitos esses fáceis de achar no meio corruptante e enganador no automobilismo de ponta. 
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   Querida Vou Comprar Cigarros e Já Volto, dirigido pela dupla Gastón Duprat/Mariano Cohn, Argentina, 2013. Baseado no conto do escritor Alberto Laiseca e pegando a idéia principal da trilogia norte-americana “De volta para o futuro”, que dá a chance de voltar ao seu passado, à fita portenha mostra com peculiar criatividade a transformação de um homem mortal para imortal quando este é atingindo com um raio duas vezes. Na primeira “raiada” ele evidentemente morre, porém na segunda ele ressuscita como tivesse revivido de um infarto fulminante, mas que agora além de voltar a viver o simples homem se torna imortal ao longo dos anos. 

  Com essa anormalidade esse homem começa a rodar o mundo a fim de fazer propostas a pessoas amarguradas por coisas que não fizeram ou fizeram errado em seus passados. O homem com poderes sobrenaturais tinha o dom de ouvir também as amarguras humanas alheias e assim escolhia suas cobaias para mandar de volta aos seus passados mau-resolvidos, ou seriam sortudos por terem uma nova chance? O fato é que o filme é divertidíssimo com o cobaia argentino, um sujeito de meia idade e frustrado por ser corretor de imóveis.
Em sua primeira ida pelo passado dez anos antes, ele tenta fundar ou criar ou Reality Shows, porém sem sucesso, ou tentar avisar ao Pentágono sobre o atentado de 2001 nos EUA, coisa que não dá muito certo também com ele acabando sendo torturado e depois se suicidando na prisão americana. Suicídio: este era um regra da qual ele tinha de obedecer para ganhar Hum milhão de dólares na volta de suas viagens. Em sua segunda volta ao passado o argentino mais carioca que conheci por querer tirar vantagem em tudo, decide fazer a canção Imagine antes que o John Lenon fizesse, idéia essa que mais uma vez no final é mal sucedida sendo processado pelo próprio cantor alegando plágio sobre sua vida e seu próprio estilo.

   No passado ele voltava quanto anos que ele quisesse, mas no tempo real isso só duraria 5 minutos, ou seja, o titulo do filme alegando o “escolhido” que iria comprar um cigarro e voltaria já a sua companheira que esperava sentada em uma cantina no interior da Argentina. Enfim, mais um filme de alta categoria produzido pela Argentina, e que de certo modo nos dá inveja de sermos brasileiros com tantos recursos para o nosso audiovisual decolar e não decola por faltar o principal para a feitura de um filme que são idéias simples e brilhantes como a da película Querida Voy a Comprar Cigarrilhos Y Vuelvo.