quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Adeus Minha Rainha é uma aula de história atual

Sempre será uma satisfação rever Surf Adventures,do Arthur Fontes, Brasil 2002 .É verdade: passaram-se 11 anos da fita e é uma fita de estupenda poesia
03/08/2013 às 14:31
Adeus, minha rainha, de Benoît Jacquot, com Léa Seydoux e Diane Kruger, França - Espanha, 2013. Sendo seco e objetivo trata-se de um drama que poderia ser mais compreendido como uma aula de história do que qualquer outra coisa que o filme propôs. 

  Trata-se dos últimos meses de vida da rainha Maria Antonieta e sua serviçal mais fiel. O filme também aborda o desmoronamento de um regime monárquico através dos gritos de revolta que vinham das ruas de Paris no final século XVIII, exatamente em 1789, onde esses gritos geraram a famosa e até hoje atual revolução francesa, a queda da Bastilha e o cerco ao Palácio de Versalhes com todos os nobres que ainda não tinha se mandado enforcados em plena praça pública.

    Na medida da possível comparação ( se é que dá para comparar) o filme nos faz pensar o que está acontecendo no Brasil hoje com as ondas de protestos , embora não tenhamos monarquia. Talvez por isso que uma reforma política se faz tão necessária no Brasil ainda esse ano antes e principalmente por causa das próximas eleições em 2014 para o cargo de presidente da república e governadores de estado. 

  Ademais a fita se faz bela por sua estupenda fotografia e figurinos de época. Todavia deixemos de “trolóló “ e vamos à resenha do filme francês que é a seguinte: Em Julho de 1789, alvorecer da Revolução Francesa, a vida no Palácio de Versalhes continua imprudente e descontraída, distante do tumulto que reina em Paris. 

  Quando a notícia da tomada da Bastilha chega à Corte, nobres e servos fogem desesperados, abandonando o Rei Luís XVI (Xavier Beauvois) e Maria Antonieta (Diane Kruger). Sidonie Laborde (Léa Seydoux), jovem leitora totalmente devotada à Rainha, não acredita no que ouve e permanece perto de sua adorada, confiante de que nada lhes acontecerá. 

   É bem verdade que por vezes e pelo grau de indiferença que os nobres tratavam os gritos populares, que por sua vez milhares morriam de fome e frio todos os dias, que o filme e as cenas de cotidiano no palácio se tornavam por muitas vezes monótonas pela insistência dos nobres “mascarados” e orgulhosos ficarem céticos com a situação generalizada da revolução que já estava forte e estabelecida, porém tais nobres teimavam em não acreditar que algum dia teria suas cabeças degoladas em praça pública como símbolo da vitória do povo e da revolução francesa, essa que fora pioneira e que tanto influenciou inúmeras outra.

   Acontecera uma amizade verdadeira, não sei se por excesso de bajulação ou por pura paixão pela leitora a sua rainha, amor esse nunca correspondido como era de se imaginar, ou seja, por pura “babiçe de ovo” da humilde empregada leitora à sua rainha, esta que não estava nem aí. 

   Por desfecho arriscaria em afirmar, e sem medo de errar, que o filme vale muito mais ser visto pela sua bela aula de história mais do qualquer outra coisa, como seu roteiro ou a atuação dos seus personagens, por exemplo. 

   De qualquer forma apesar de o filme ser um pouco parado com takes desnecessários a fita de arte européia tem sua beleza na sua simplicidade em nos fazermos pensar em até que ponto vale ser fiel quando um barco, nesse caso um regime monárquico, está prestes a afundar ou até que ponto é bacana deixar-se levar por suas paixões, se bem que paixão não dá muito para controlar: a emoção sempre prevalece diante da razão, que por mais que não queiramos quando estamos apaixonados uma tipo de cegueira nos acomete e o que é mais intrigante: gostamos dessa sensação de “não enxergar”, pois sentir é mais prazeroso e conseqüentemente melhor do que enxergar.
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   Teus olhos Meus, do Caio Sóh , Brasil ( Rio de Janeiro ), 2011 . De inicio pensamos: Putz mais uma produção carioca cheia de gírias a ser engolida”goela abaixo”. Todavia não se trata de nada disso. O seu roteiro meticuloso de tanto que é parece uma resolução matemática entre as estórias de vida dos seus dois personagens centrais. 

  Antes de começar com um prólogo de uma suposta crítica cinematográfica, tenho de confesar que não vomitei por muito pouco ao final dos créditos da obra, pois embrulha o estômago mesmo.

  A cidade era o Rio de Janeiro, cujo protagonista era uns desses, ou mais uns desses para ser especifico e genérico ao mesmo tempo, discípulos de Cazuza. Tal protagonista cujo era dono de uma cabeleira solta e despenteada ao vento, tatuagens espalhadas pelo corpo magro pela cultura do bom e velho, porém sempre atual por mais que o tempo passe, lema dos rebeldes: sexo, drogas e rock roll. 

   Além dele ter esse espírito de querer mudar o mundo, ele tinha um outro problema bastante real por sinal: morava com a tia e seu marido, pois sua mãe morrera quando ainda era bêbe de colo ( se é que querer mudar a hipocrisia do mundo é um problema, mas sim uma solução, talvez longínqua e utópica, mas ainda assim uma solução nobre). 

   Fato é que com sua rebeldia e puberdade "a mil" o garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones saíra as “vias de fato” com o marido de sua tia por ele transformar sua vida de jovem “putavidaboa” em um calvário e ainda por cima dar porrada em sua tia, que para o garoto era uma mãe e não uma tia, já que fora criada por ela. 

   Por esse clima hostil dentro de casa, o cara resolve botar sua viola nas costas e se picar daquela casa indo para a praia mais próxima a fim de tomar uma pra esfriar a cabeça e se possível fosse compor alguma melodia ou letra. 

   Paralela a essa estória existia outra que era a briga de um casal de gays, onde um estava tendo ciúmes de uma namorada antiga do outro. E esse outro, o que ele faz? Vai beber na praia para esfriar sua cabeça do seu marido ciumento. A partir daí na praia a noite, com o encontro dos dois bebendo o dia amanhece e ambos acordam na areia com os primeiros raios solares.

   Com um não querendo voltar pra casa e carente e o outro não tendo pra onde ir e não sabendo o que queria da porra da vida, não é muito difícil de supor que o veado deu em cima do sem-teto e esse por sua situação acabara o beijando e depois ficando puto com ele próprio por charminho e com o sujeito que acabara de conhecer.

    Fato é que quando a raiva passa o sem-teto acaba procurando o seu suposto “paquera”, pedindo ajuda pra tudo, ou seja: casa, comida e roupa lavada. E como nada disso vem de graça o sem-teto paga a mordomia com seu corpicho de vinte e poucos anos se entregando ao seu namorado. 

   A relação fica super estável e o casal vai de vento e popa sendo no aspecto financeiro e no amor também. Tudo vai muito bem, o cara que não sabia que era gay se descobre feliz agora e acima de tudo apaixonado e o seu parceiro, idem. Porém de uma coisa eles não esperavam: eram pai e filho ( pronto, contei o fim do filme, me desculpem por isso ).

    O ciúme do ex-marido do gay tinha sua razão; ele tinha engravidado sua ex-namorada antes dela morrer e por isso não teve tempo de saber que tinha um filho. E o filme acaba com todo mundo vomitando: a tia, que contou ao pai que estava casado e comendo o próprio filho; ele quando soube e eu vendo esse intrigante e nojento filme, que por cauusa desse desfecho deixa o estômago embrulhado por essa situação incômoda em plena visita “Papística” no Brasil. 
 Não tem como não ligar uma coisa com a outra, ou seja, com a presença do Papa argentino Francisco, semana passada por aqui e as estórias de pedofilia na igreja católica, linkando a esse forte filme que tem o sexo, a família e o pecado como temas centrais.
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   Sempre será uma satisfação rever esse documentário que abriu as portas para o gênero do surf no cenário nacional e impactou de forma acachapante os companheiros do Deus Netuno e amantes do surf. Trata-se de Surf Adventures,do Arthur Fontes, Brasil  2002 .É verdade: passaram-se 11 anos da fita e esta assistida há 11 anos fora de uma estupenda poesia rápida ou um quadro em que os surfistas “assinam” suas manobras. 

  Todavia ou toda manobra o documentário não é bom somente pelas ondas perfeitas em todos os continentes, ele é bom pela sua qualidade em sétima arte, isso abrange fotografia, roteiro, atuação (esta na medida do possível, pois não eram atores, mas sim surfistas). Rever esse pioneiro filme nacional blockbooster do gênero e que nunca mais se repetiu em sucesso nas bilheterias brasileiras, nem mesmo o Surf Adventures 2 e 3, é um privilegio, pois ainda mexe em nossas entranhas de surfista e pioneirismo com essa qualidade deve ser reassistido sempre.