ter�a-feira, 07 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Truque de Mestre com ilusão atrás das câmeras

O homem do futuro, escrito e dirigido por Cláudio Torres, Brasil, 2011; Impressionou-me positivamente.
20/07/2013 às 10:06
  Truque de mestre (Now You See Me ), do Louis Leterrier, EUA, 2013. Com uma tradução um pouco diferente para o português o filme se perde também em seu roteiro pouco claro. No enredo temos a junção em determinada ação da trama de quatro ilusionistas: Uma mulher corajosa adrenalizada em peripécias como ficar presa em um aquário cheio de piranhas; Um hábil jovem adulto em furtar carteiras alheias, um excelente ilusionista com cartas que ganhava dinheiro e corações em espetáculos abertos nas ruas.

     E, por fim, um hipnotizador com dons pra lá de extraordinários. Com o quarteto formado através de um convite oculto e um roteiro que não ajuda em explicar, está criada uma pequena quadrilha qualificada que transforma shows de mágica em grandes roubos de bancos. 

    A história tem seu roteiro, ou seja, suas causas para as roubanças nos bancos mundiais, que era “vingar” a morte de um ilusionista, porém não tem uma consistência necessária para emaranhar todas as tramas e indagações que o filme propõe. 

   Ainda assim em tempos bastante complicados no sentido de terem filmes dignos a serem resenhados nessa mísera semana em sétima arte, o filme em questão nos abre um clarão de possibilidades para que transformemos nossas vidas reais em instrumentos para burlar fatos ou situações cotidianas “politicamente corretas” que tanto atrapalham e/ou atrasam nosso corre-corre do dia-dia. 

   O principal exemplo a ser ilustrado é a nossa burocracia ( ou seria burrocracia ?) , que sempre nos engessa por coisas tão simples como a ida a um cartório ou um reconhecimento de firma. Nessas horas temos vontade de ser menos otários e darmos um truque de mestre nos “senhores da lei”, e essa fita se torna necessária justamente nessas horas na qual não temos o poder da lei , porém sempre teremos o poder da imaginação: esse que é inesgotável e grátis.
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    O Quarteto, dirigido por Dustin Hoffman  ( um dos atores mais atuantes dos anos 80 e 90 do século passado e que agora se envereda na direção do seu primeiro filme ), com o suporte de um elenco maduro e fantástico com nomes de peso como: Maggie Smith, Tom Courtenay, Billy Connolly e Pauline Collins , Reino Unido, 2013.

   O filme é um drama romântico que conta a história de dois senhores e duas senhoras com um vinculo afetivo forte e seus destinos estão entrecortados pelas memórias de vidas, bem vividas por sinal. 

   Todavia o momento agora é tenso, pois todos são de certa forma esquecidos por seus parentes de modo que voltam a reencontrar-se em um asilo. Todavia eles não foram enviados para um asilo qualquer, mas um asilo de artistas. Por lá já se tinha músicos, tenores de ópera, pintores, escultores, escritores, ou seja, um pouco de tudo do ramo artístico. 

   O asilo não lembra nem de longe a um asilo normal e seus funcionários tratam seus hóspedes como se fossem turistas em um hotel de férias. O detalhe interessante é que esse “hotel” com todo luxo e requinte que têm, é público localizado numa cidadezinha próxima a Londres, ou seja, coisa de primeiro mundo meus senhores. 

   O fato de o asilo ser público e daquele quilate me despertou curiosidade, de modo que fui pesquisar no Google a fim de saber se de fato existira um estabelecimento a "esses moldes". Surpreendentemente o tal asilo é de fato real e público como no filme, ou seja, existe um estabelecimento desses na Inglaterra mesmo, assim como em outros vários países da Europa, como: Suécia, Noruega e Finlândia. Porém voltando ao filme a estória é vivida dentro dessa casa de idosos e lá se vão acontecendo às lembranças e o desenrolar delas.

    Um filminho bem mela-cueca, se é que a cueca ainda mela na terceira já partindo para a quarta idade, mas que ainda mostra o poder da sensibilidade em contar estórias de pessoas no fim dos seus dias de uma forma não apelativa a dor ou doenças.
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   O homem do futuro, escrito e dirigido por Cláudio Torres, Brasil, 2011; Impressionou-me positivamente. Um filme leve que brinca com física quântica assim como se brinca de amarelinha faz o protagonista de sua estória viajar vintes anos para trás e para frente a fim de modificar o seu presente que era uma merda. Para um final de domingo o filme encaixa-se como uma luva, pois ainda estamos mareados pela praia e pelo sol castigante e começamos a sentir que o sono vem chegando ao começar da noite. 

  A constatação final é de que algumas coisas são como merda, ou seja, quanto mais se mexe mais fede, assim como foi nesse filme quando um professor de física solitário tenta voltar vinte anos atrás para recuperar seu amor através de uma cápsula do tempo que ele inventara. 
De fato ele consegue mexer no seu passado se tornando o nada mais e nada menos intitulado homem mais rico do Brasil, quiçá do mundo, porém se torna o homem mais ordinário e mau caráter do Brasil, quiçá do mundo. 

   Então ele volta pela segunda vez vinte anos atrás , em 1991, e tenta refazer o que já tinha mudado, porém na sua segunda viajem ao passado ele encontra quantifiquicamente o seu primeiro eu que foi ao passado a fim de mudar o seu presente, e os dois logicamente ou quantifiquicamente não se embicam no sentido de mudar ou não o a vida daquele jovem de vinte anos mais jovem, ou seja, mudar ou continuar o destino deles mesmos vinte anos antes: esta era a questão. 

   Com três Vagner Moura ao mesmo tempo em cena ( e aja paciência para tantos ) a trama é definida e redefinida a cada momento, sendo que perguntando ocultamente por vezes: o que é mais importante: o dinheiro ou o amor? Que seja piegas a pergunta, e é mesmo, mas fato é que não pode ter tudo na vida: Ou torce pra um time ou para outro, ou se tem qualidade de vida ou a qualidade de vida fica em segundo plano, enfim a vida imita a arte e vice-versa.