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Diogo Berni

CINEMA: Amor Profundo, um filme que obriga a pensar

Toda mulher é histérica. Parece clichê e de fato é, todavia é o que aborda a fita Augustine, dirigida e roteirizada pela Alice Winocour, com um leve papel discreto da bela atriz Chiara Mastroianni, França, 2012.
13/07/2013 às 11:50
Amor profundo (The Deep Blue Sea) , EUA- UK, 2013, dirigido e editado por Terence Davies a partir da peça  homônima do dramaturgo inglês Terence Rattigan. 

   Quando o assunto é  amor fica realmente complexo de abordar, pois cada um tem nível de “suportamento” ou maturidade para compreendê-lo ou não.

   Isso exponência na medida em que o amor fica mais profundo do que nossas percepções, porém ainda assim podemos concluir que amor profundo é pra quem pode e não pra quem quer, e isso o sujeito (a ) tendo toda a responsabilidade das consequências que advirão adiante. 

   Na tradução para o português: The Deep Blue Sea; Amor Profundo: fica meio dúbio, pois azul para os ingleses é algo como melancólico, inconsistente. De qualquer maneira o filme nos conta como escolhas podem influenciar vidas. Vidas, talvez essas já estavam por destino “destinadas “aquelas estórias. 

   MaIs do que contar um resumo do filme quero dizer o que ele transmite, ou seja, o que o amor liga e deixa de ligar , porém introduzirei um relato breve do filme pra não ficarem a “verem navios”.  

   A protagonista parece viver um casamento só com afetividade e monótono todo tempo com um juiz prestigiado, por volta de 1950 em Londres. Eis que surge um aviador oriundo das batalhas da segunda guerra e talvez por isso sem o poder de sentimento de saber amar alguém. 

   Ainda assim como uma kamikaze a mulher abandona o marido e casa com o cara que não dá nada em troca. É importante resaltar que o inicio do filme começa com uma tentativa de suicídio da protagonista com 12 comprimidos de não sei o quê. Com o passar da fita e o não sentimento correspondido por seu amante as tentativas de suicídio aumentariam. 

   Meia dúzia de críticos conhecedores do diretor afirma categoricamente que a atriz é o alter-ego do diretor, que era gay e tinha um pai pastor castrador, e eu não escreverei diferente, haja vista e honestamente que não conhecia tal estória e passado do diretor. Amor profundo é um filme que incomoda, pois vai mais além do que a maioria dos terráqueos sabe a respeito de amor ou ainda do amor próprio. 

   Belíssima produção, incluindo sua fotografia da Londres antiga e sua trilha sonora. Assim como seu título, um filme profundo que nos tira do lugar comum e nos faz pensar.
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   Toda mulher é histérica. Parece clichê e  de fato é, todavia é o que aborda a fita Augustine, dirigida e roteirizada pela Alice Winocour, com um leve papel discreto da bela atriz Chiara Mastroianni, França, 2012.

   Em tempos em que tal enfermidade era vista como uma possessão demoníaca, exatamente no século XVII na Europa que era o único continente civilizado, mulheres que sofriam de histeria, que podia ser confundida com epilepsia por ter tanto tremores nos ataques, eram vistas não só como filhas do demônio, mas como mentirosas, bruxas, fracas e totalmente não confiáveis.

    Um médico (Vincent Lindon) começa a estudar uma serviçal (a protagonista Soko em ótima atuação) que tem uns ataques punks e por isso é levada ao hospital do médico para acompanhá-la de mais perto a fim de curá-la e possivelmente tentar exorcizar a enfermidade e então ou por consequência do tratamento mostrar a classe acadêmica médica que a histeria era uma doença como outra qualquer e não um trato oculto demoníaco como imaginavam por não diagnosticarem sua cura. 

   Em histórias de ficção sempre existirá um "porém" senão não seria uma ficção e esta eu não sabendo se de fato existiu uma estória igual ou não, existia também um “porém” que fora a paciente se apaixonar pelo médico, misturando doença com prazer, histeria com orgasmo, amor e paixão com raiva e ódio.

    Via-se pela primeira vez um caso de histeria uterina, ou seja, em toda crise a Augustine estava tendo ao mesmo tempo um orgasmo múltiplo intenso e duradouro. Esse fato crucial da fita só a deixou mais interessante, pois não sabíamos de fato se ela sofria histeria por um orgasmo reprimido ou a vulga lembrança de ela sendo forçada a cortar cabeças de galinhas vivas em sua infância ou até se esse orgasmo histérico seria porquausa do seu doutor. 
Um filme psicanalítico porreta que nos responde e pergunta ao mesmo tempo e saímos com uma boa sensação de entendimento do mundo feminino depois da sessão. Uma sensação somente, isso não quer dizer que conseguimos entender elas, pois como  todos já sabem: Toda mulher é histérica por natureza e não dá mesmo para nós: homens, compreende-las em sua plenitude.
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 Minha mãe é uma peça, da Globo filmes, Brasil, 2013, dirigido por André Pellenz, protagonizado e roteirizado pelo talentoso ator global Paulo Gustavo. 

   O filme era já há algum tempo uma peça teatral de sucesso na qual o ator se inspira na própria mãe para fazer o papel de uma mulher divorciada com três filhos sendo que o mais velho já tinha se casado, porém os dois filhos caçulas ainda moravam com ela: que eram um garoto veado e uma garota que era um barril de gorda e teimosa.

   A comédia tem o padrão globo de qualidade, que pelo visto deve ser o mesmo do famoso padrão FIFA.