quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Os amantes passageiros e a abordagem gay

Muito interessante este filme dirigido pelo espanhol Almodóvar
06/07/2013 às 14:36
   Os Amantes Passageiros (Los amantes pasajeros), dirigido e roteirizado por Pedro Almodóvar, Espanha, 2013.Certamente é o filme mais gay do diretor, assim como ele mesmo afirma e deixa escancarado sua opção sexual nas entrelinhas ou “entrecenas” (se é que alguém ainda não sabia ).

  A comédia tem sátiras ocultas em várias questões desde a falida Espanha ( que agora quer mandar seus médicos desempregados ao Brasil ), até aos tratamentos que nos são dados em uma aeronave, passando por fim os segredos da vida sexual do rei espanhol. 

   Sexo: isso sim é tratado sem pudor nem preconceito no filme. Só para termos uma noção de tal “despudoramento” sexual a fita é protagonizada por três boiolas comissários de bordo com um humor ácido que só mesmo Pedro Almodóvar poderia criá-los. 

   Os três dão o tom do humor e a conotação sexual do filme, que é quase que absoluta, como uma "neura" do diretor. Em terra firme e com uma atuação de quase atores-figurantes Penélope Cruz e Antônio Bandeiras fazem uma ponta no inicio do filme como um casal que trabalha em um aeroporto espanhol que estão prestes a ter um filho. 

   Fato e personagens estes que nada dizem sobre a continuação do filme. Presumo que os dois premiados e famosos atores fizeram essa “ponta” mais como um ato de agradecimento ao diretor que os lançou do que qualquer outra coisa, pois o papel deles fora de um mico total não fazendo diferença nenhuma no filme, como já fora mencionado. 

   O filme começa de fato quando um Boeing saí da Espanha rumo ao México. O desenrolar da descontraída comédia acontece nas alturas com os três comissários de padrões sexuadamente alternativos juntamente com os dois comandantes: um bissexual casado com dois filhos de 11 e 13 anos (e por isso com idades complicadas segundo ele ) que ainda tinha um caso com um dos comissários, e o outro comandante que se julgava heterossexual até perceber que não era. 

   No Boeing existia a classe executiva e a econômica, porém Almodóvar se propõe a contar a estória da classe executiva deixando a classe econômica dopada no decorrer da viagem ou do filme misturando comprimidos para dores musculares em altas doses a seus drinks, de modo que só os acordados estariam na classe executiva e por isso e nada mais as tramas e diálogos são feitas ali, com aqueles personagens (estes quase todos sempre presentes nas obras do diretor espanhol ). 

   Alguns fatores que foram levantados no filme me chamaram atenção, tal como que para Almodóvar entre o diabo e os latinos ele sem titubear preferiria o primeiro. Sem titubear também este em que vos escreve afirma que apesar de não ser nem de longe a melhor obra de Almodóvar, talvez a pior, mas ainda assim é o melhor filme em cartaz em nossos cinemas, pois o diretor espanhol mesmo com sua pior obra feita anda ainda "anos-luz" à frente dos outros diretores. 
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   Já aconteceu algumas vezes e desta não foi diferente. Refiro-me a quando se assiste um bom filme e no dia seguinte assiste-se a um normal. O dito comum ou normal se torna de fato tão estúpido por falta de genialidade que ficamos mal-acostumados. Estou me referindo ao filme de Almodóvar que vi ontem e o que vi hoje que foi 2 dias em Nova York, de Julie Delpy, 2013, EUA

   A primeira coisa dessa comédia que não consegui nem por um momento rir, foi não mostrar bem a cidade que a fita se propôs a colocar inclusive no titulo que era Nova York. 

   Claro que não esperávamos nenhum guia turístico sobre a cidade assistindo ao filme, mas a diretora nem sequer teve o cuidado de mostrar o cotidiano dos seus moradores, se limitando apenas a fazer cenas em um apartamento fechado sem janelas. 

   O enredo era de um casal formado por um americano negro e uma francesa branca, ambos jornalistas, que recebem a visita dos familiares da esposa vindos de Paris. Dos familiares tínhamos a irmã gostosa e ninfomaníaca, o pai que trouxe consigo 10 kg de queijos e linguiças dentro da cueca, como nossos mensaleiros políticos, e o namorado de sua irmã que foi também um ex da esposa do negrão, fato este que deu uma pequena confusão. 

   O desenrolar do filme é a questão: como suportar dois dias com tão excêntricos hospedes. De fato o filme não empolga e não porque quis comparar ele com o filme do Almodóvar, nem precisaria, pois ele é ruim por si só. O filme era uma comédia mesmo? Putz: fala sério...
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   Guerra Mundial Z, do nada inspirado diretor Marc Forster, EUA, 2013. Por bem ou por mal esse filme dá uma levantada em seu ânimo. Por mal se dá porque o filme é bem fraquinho no seu roteiro, e por bem logicamente pelos efeitos especiais. Antes da sessão li no folder que se tratava de uma obra de ficção científica. 
 Ok, temos algo de ficção cientifica, porém mais do que qualquer outro genêro trata-se de um filme de horror com zumbis em praticamente todas as cenas. Brad Pitt é o protagonista como um ex-repórter da ONU que se mostra como o salvador da barbárie em que a Terra está metida, ou seja, saber o porquê que o planeta está sendo invadido por alienígenas zumbis que sugam humanos e os transformam em zumbis letais assim como eles, alias resposta que não fica clara por seu, mais uma vez, pífio roteiro holiwodiano .

    Brad Pitt ( que não dá "pití" por fazer um personagem tão ruim e sem brilho) tem a coragem, através das suas observações sobre os comportamentos dos ETs - zumbis, de auto-injetar um veneno para que se passe despercebido diante das criaturas extraterrenas e bestiais ( puta maquiagen desse monstros, digno de Oscar ) criando assim como cobaia de seu próprio experimento uma vacina que camufla os parasitas, de modo que os poucos que ainda tinham ficados vivos continuariam assim devida a santa vacina.

   O final do filme nos dá uma sensação de que teremos uma continuação e isso é muito ruim, pois um só já estaria de ótimo tamanho.