quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

FAROETSE CABOCLO: passe longe do cinema. É ruim.

Por entrevistas pescadas antes de conferir o filme o seu protagonista afirmara que João do Santo Cristo seria o alter-ego de Renato Russo
08/06/2013 às 15:22
Reino Escondido ( Epic ), Chris Wedge,  EUA, 2013. A animação é uma pintura à cinema fechado. A produção lembra as obras do Rembrandt, Vicent Van Gogh , Caravaggio e mais alguns outros gênios da pintura devida as suas vastas cores claras na estupenda obra cinematográfica. Dois reinos existem na estória da fauna do nosso planeta: Os "verdes" e os "contra os verdes"

  Enquanto os "verdes" têm sua rainha e esta através de um broto mágico mantém as flores e florestas nascerem em nosso habitat, os "nãos verdes" querem o fim daquela verdalhada toda a fim de destruir de uma vez o nosso querido planeta. As duas tribos ou povos citados podem ser descrevidos como Gnomos (na Chapada Diamantina muitos acreditam que eles existem de verdade ). 

  A animação encabeça ainda um cientista humano que tem a sensibilidade em acreditar que Gnomos existam e por isso acaba se desviando da sociedade para viver na selva a fim de fazer a maior descoberta cientifica de todos os tempos, ou seja, provar a existência dos Gnomos mágicos. Os traços perfeitos da animação são de fato os que mais chamam atenção tamanha sua beleza. Uma animação para toda família e não importa se for dublada ou 3D: é garantia de uma boa diversão para todos.
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   Longe de mim querer ser desmancha prazer, mas o filme nacional que conta a história de uma das mais importantes músicas do rock nacional é ruim e isso não tem como negar. Faroeste Caboclo, do esforçado diretor René Sampaio, Brasil, 2013, consegue estuprar a canção do Renato Russo. 

, Talvez por ter sido o primeiro longa do diretor, mas como critico tenho o papel de escrever: o filme é ruim: nem sequer consegue ser fiel a letra metendo cenas inexistentes e cortando outras importantes, portanto estupro é a melhor palavra em simbolizar o tremendo equivoco cinematográfico. 

   Por entrevistas pescadas antes de conferir o filme o seu protagonista afirmara que João do Santo Cristo seria o alter-ego de Renato Russo. Isso de fato é verdade, porém a forma como o alter-ego se fez é que pegou mal, não pela atuação do baiano Fabrício Boliveira em seu primeiro papel de protagonista em sétima arte (ele até que se sai bem), mas pelo alter-ego ser tão pastoso no sentido de ser um humano tão frágil e mentiroso. 

  Quando ouvia a música o João do Santo Cristo para mim era um super-herói, não aquele personagem que presenciei no cinema em uma pré-estreia vazia. Gostei da ousadia do diretor em colocar duas épocas: uma na infância e outra no tempo atual do seu protagonista com outros personagens da trama: deu um ar frenético a fita e isso sim lembrou a música.

    Outra coisa que me deixou totalmente amargurado fora o fato do antagonista da trama ser um completo idiota, devidamente vivido por questões de roteiro pelo ator Felipe Abib. Quando ouvia a música imaginava tal antagonista (o Jeremias maconheiro sem vergonha.. ) como um cara esperto, arteiro e comedor de mocinhas , não o panaca do filme que só queria cheirar cocaína. 

   Enfim: foram tantas as decepções por assistir uma coisa que tanto significou minha adolescência que não tenho como escrever bem dela. Aos críticos de cinema: vamos tentar ser menos puxas-sacos e mais honestos com o nosso cinema, pois só assim conseguiremos nos aproximar da Argentina, nem que seja um pouquinho, em qualidade. 

   Li algumas criticas valorando esse filme. Pra que isso: onde vamos chegar com tanta bajulação, por acaso alguém paga vocês para falar bem de um filme “estuprador” como esse?  Acho que não e a única forma de crescer nosso cinema tupiniquim é contar a verdade. Fora tudo isso a Issis Valverde continua linda fazendo a Mária Lúcia.
 
    É no calor que as melhores idéias surgem: respeito pra caramba a estória do cinema nacional desde a época Glauberiana, mas o melhor filme produzido em nosso solo aconteceu no século XXI.

    É  Cidade de Deus, do Fernando Meireles, Brasil, 2001. Comecemos assim: deixemos todo nosso lado inocente ( pra quem é inocente ) ou hipócrita ( pra quem é hipócrita ) e admitimos que não exista nem homens bonzinhos ou mauzinhos: esses dois lados já vem embutidos como uma marca registrada quando nascemos, ou seja, um pedágio que temos de pagar para termos acesso ao nosso nascimento é a nossa natureza dúbia desprovida até de admitir isso: que não somos nem bons nem maus, somos o meio disso. 

   A partir daqui podemos estruturar uma espinha dorsal da obra mais respeitada mundo afora do Brasil, que é  Cidade de Deus. Fora ser uma puta obra cinematográfica em todas suas nuances ( fotografia, figurino, atores, roteiro, produção, direção de arte ) a obra tem o feeling de começar a estória nos anos 1970. Anos esses da revolução sexual e a paz &amor como lema para a filosofia Hippie impregnada em nossa juventude.

   Tenho inveja de quem curtiu esse período, apesar da ditadura militar, mas enfim voltando a fita podemos perceber a viscerabilidade em que os atores atuam, principalmente os mirins. 

   Muitos são os casos em que esses atores mirins viram marginais na vida real depois da obra tamanha as lembranças que ficam neles. O maior exemplo que podemos citar foi o Pixote, que é outro filme de arrepiar a boca do balão também. Mas com Cidade de Deus ninguém pode. A obra é uma exceção de qualidade em nossa filmografia, ao menos a mim.

   Não sei se é porque estou na pilha de tê-lo assistido agora e deixar-me a poesia escrever por mim essas linhas é que me permito a não apenas indicar o filme, mas sublinhar o que ele pode representar a quem assiste, ou seja, como ele pode mexer com você depois de assistido. A obra é uma baita chacoalhada em nossa atitude complacente, marosófica em que não tentamos mudar nada de errado ou de certo nesse país.
Fora um protesto aqui ou uma greve acolá, desde os tempos da geração cara pintada que derrubou Collor não presenciamos algo de impactante no Brasil. Para os mais jovens ou a geração Y está sempre tudo ótimo desde tenham uma TV a cabo e uma internet banda larga. As pessoas hoje não lutam por nada e nem por ninguém: somente pensam em seus próprios narizes. 

   Enfim assistam mais uma vez esse clássico da sétima arte e vejam se ele te dá uma pouco de ânimo para , quem sabe, isso ser o início de uma mudança para acabarmos com essa corrupção brasileira, e que será altamente exponenciada com a copa do mundo e as olimpíadas. 

   Mas que Cidade de Deus é o melhor filme brasileiro de todos os tempos, disso não tenho dúvida alguma, e apesar de a estória dele ter sido passada há mais de 40 anos atrás continua atualíssimo: só basta abrir o jornal de sua preferência amanhã de manhã e ver que as favelas ainda continuam em guerra entre os pontos de drogas, apesar dos vulgos PCC para gringos acreditarem, afirmarem que funcionam e estão seguros , mas se quiser subir em um morro para comprar um pó ou maconha não será difícil de achar.