quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

DENTRO DE CASA um filme francês de boa qualidade

A história e dois desejos em Dans La Maison
06/04/2013 às 20:09
Dentro de casa (Dans la maison), François Ozon, França, 2013. Com um ar “Nelsonrodriguiniano” a trama nos envolve do inicio ao fim e a em muitos momentos nos vemos na pele dos seus personagens. A história se gira em torno de dois desejos: O de um aluno que deseja adentrar-se na casa e nos hábitos de um colega de classe mais privilegiado financeiramente e de família completa ( entenda-se com isso: pai, mãe e filho); E o segundo: um professor de literatura dos alunos que vê um potencial escritor naquele que invade a privacidade familiar do outro a fim de escrever o que se passava por lá. 

  As redações começam a aparecer ou os laudos das percepções do aluno invasor e já comcomunado com seu professor frustrado de literatura por não ter tido talento de ser escritor e por isso se envolve no caso, pois vê que o aluno que escreve tem potencial para o oficio que ele não tivera capacidade para isso. 

  Dessa maneira a privacidade familiar de uma família de classe média vai sendo escrita pelo aluno e lida por seu professor e sua esposa. Capítulos e mais capítulos são detalhadamente escritos por um garoto de 16 anos que mora com um pai inválido ( em cadeira de rodas, ou seja, inválido total, de modo que o garoto tinha de ser uma babá para o pai ) e sem mãe. 

  Talvez pela falta de uma mãe ou pelos hormônios da idade o garoto começa a ter desejos pela mãe da família espionada, ou seja, pela mãe de seu colega de classe. Tudo isso é acompanhado e curtido através das cartas lidas pelo professor que até então não imaginaria o quanto pode ser oneroso quebrar regras éticas de trabalho. 

  Quebrou-as tanto que para continuar lendo as estórias roubou uma prova de álgebra para que o garoto continuasse a freqüentar a casa da família e escrevesse mais sobre os detalhes dela. De fato o garoto tinha o dom da escrita, mas não só esse. Talvez pelo fato de ter tido obrigações para com seu pai desde cedo e ter visto sua mãe ir embora de casa por não agüentar a rotina de um casamento o garoto se envereda pelos caminhos da sedução por mulheres mais velhas a fim de, talvez, preencher o vazio que sua mãe o colocara em sua vida. 

  A trama expõe para quem a vê, um amadurecimento por parte do garoto “ a casca”, ou seja, se aventurando, conhecendo o que é para conhecer e conhecendo o que não é para não conhecer, nem tocar. A sua personalidade vai se moldando toda vez que ele se adentrava na casa do seu colega e via um mundo que não era seu, um mundo que há um ano ele desejara conhecer, e de fato conheceu se divertindo. O final da trama é arrebatador, mostrando que nada é seguro, nada mesmo. Belo filme.
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   Vai que dá certo, Maurício Farias, 2013; É uma comédia nacional com os principais humoristas do país com um roteiro atrapalhado assim como seus personagens. Em determinados momentos vemos mais drama do que comédia. Tirando uma cena ali e outra acolá o filme não é tão engraçado como se esperava pelo time de humoristas que estavam no elenco. 

  Para se livrar de dividas um grupo de amigos resolve assaltar um carro-forte e a cada qual pegar uma grana. Porém as coisas não saem como esperavam, por próprios vacilos deles, e uma confusão desecandea outra e outra até o final da sessão. O lado bom do filme está principalmente na atuação conjuntural dos seus “atores medalhões” que fazem da fita uma comédia incomum e diria que para se pensar mais do que as comédias chanchadas nacionais que estamos acostumados a assistir, e por isso agradará a poucos e não será um mostro de bilheteria, porém tem seu valor de entretenimento aos que estão dispostos a raciocinar ao menos um pouco, não muito.
 
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   Duro de Matar: um bom dia para morrer, John Moore, EUA, 2013, com o veterano e incansável Bruce Willis. O que comentar sobre esse beisterol? Difícil missão até mesmo porque fui ver por um pedido da minha mãe, então tive de ir. Tivemos um luxinho a mais: ver o filme em 4 dimensões com direto a espichos de água em cenas aquáticas e tudo o mais como giros rápidos nas cadeiras inteligentes da sala.

   Porém nada disso salva essa merda desse filme, um puta besteirol do inicio ao fim, salvando uma única frase de uma única cena onde um mafioso russo diz ao chato e velho Bruce Willis que o que mais odiava nos norte-americanos era totalmente disso e se fosse dos Texas: então  o ódio era maior ainda. Fora a bem encaixada frase o filme não tem nada que o salve.

   O roteiro é uma lastimidade que dá enjôo em certo momentos só em lembrar da infeliz e desastrosa produção. As cenas de ações eram todas mesmo previsíveis e pra lá de repetidas  das obras do gênero de ação. Nunca fui um admirador nato de filmes de ação, e isso se deve ao fato principalmente quando parei de ser adolescente, porém ainda hoje muitos filmes do gênero se salvam e são bons, mas nem de longe esse com o Bruce já se arrastando em cena se encaixa nesse pequeno nichos das produções do gênero. 
Muitos discordarão com esta minha afirmação, falarão que o filme é adrenalizante, mas para esses que defendem esse tipo de argumento, não me resta outra coisa de que dizer que lhe faltam cérebros para esses infelizes. Desculpem-me pela sinceridade aos malhadores de plantão das academias de ginástica que certamente acharam ou acharão esse filme um ótimo entretenimento, mas gosto cada qual tem o seu, e até é legal que seja assim, por isso que estamos vivendo na nossa querida democracia, porém paciência e mau gosto têm limites.

 O filme é uma  porcaria, disso não tenho dúvidas alguma, e para quem tem no mínimo mais de três neurônios saudáveis na cabeça não terá como discordar dessa minha afirmação, ou seja, que o filme de ação não presta e o Bruce perdeu uma enorme chance de se aposentar antes de ganhar esse “presente-filme de grego”. Finalizarei essa crítica apontando que a sala em 4 dimensões  ( única por sinal em Salvador) vale o ingresso, agora tem escolha de filmes melhores para tal tecnologia.