ter�a-feira, 07 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

OS CROODS e a liberdade de pensar no tempo das cavernas

Os Croods aborda o tema da liberdade de pensamento e de ação desde o tempo das cavernas
30/03/2013 às 18:41
Os Croods - Uma Aventura das Cavernas , dirigido e roteirizado pela dupla Kirk De Micco e Chris Sanders, EUA, 2013; É uma belíssima animação, talvez a melhor que vi pelos seus detalhes e por suas cores antes mesmo da sua estória em si.

   A produção ultrapassou nas bilheterias dos EUA e Canadá o Oz, mágico e poderoso e chegará ao topo por aqui brevemente. A estória flerta com os nossos antepassados homens das cavernas com suas pinturas rupestres e conta exatamente a história de uma família das cavernas onde nesta já existia uma “ovelha negra”: a filha mais velha que não agüentava mais tanta escuridão e caverna para se proteger dos predadores potenciais.

    A ovelha negra preferia o perigo de ser devorada ao aconchego da família. Numa dessas fugas ela conhece um homem provido de cérebro e por ser novidade, alguém cerebral, se apaixona prontamente.

    O dilema da animação fica por conta da força do seu pai e o cérebro do seu amado. Qual seria o melhor método a usar naqueles tempos e locais inóspitos. Curioso que os dois juntos podem acontecer, e de fato a força física do pai da família “caverniana” e o cérebro da liberdade do aventureiro que insiste em procurar o amanhã e por isso seguindo sempre o sol, que era o oposto da família de sua amada, onde sempre procurara a escuridão de uma caverna a fim de proteção.

 O legal é a mensagem que a animação passa que é: A proteção que alguém precisa está na sua liberdade de procurar outros horizontes, senão é capaz de se auto-enforcar a sua suposta proteção ou escuridão  Um detalhe super importante: em 3 d a animação ganha nova vida com folhas e bichos adentrando em suas lentes já usadas por terceiros. Uma animação bem bacaninha e cheia de cores; Com certeza vale o ingresso.
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  Depois de Lúcia (Después de Lucía), dirigido e roteirizado pelo Michel Franco, México/ França, 201De2.  Como é raro e bom sair satisfeito de uma sala de cinema. 

   O filme participou da seleção oficial do festival de Cannes ano passado. Não que isso seja garantia de um bom filme, pois nessa vulga lista selecionável de Cannes já conferi bastante porcaria, porém isso não inclui Depois de Lúcia.

  O filme é um drama com tenacidade e com uma carga densa bem dirigida pelo seu diretor e posteriormente atuada pelos seus atores, alguns dos quais são adolescentes e alguns críticos mais ácidos que eu, julgam que estes não sejam atores e sim civis comuns: discordo, acho os adolescentes no filme bem capazes, apesar de que eles interpretam as suas próprias vidas de estudantes com festas nos finais de semana. 

   O drama é meticuloso e inesperado do fim ao início, e necessariamente nessa ordem onde vemos uma mudança de cidade de uma família constituída de um pai, um chef de cozinha gordo pavio-curto, e uma garota de quinze anos que tem a rotina mudada com novos amigos, escola, bairro, etc.

    O filme não nos entrega de saída um possível acidente automobilístico com a mãe dessa filha, mas do meio pra frente isso fica nítido, assim como claro também fica a mudança de cidade e o comportamento nada adequado de pai e filha. Desses tais comportamentos incidem duas coisas: o pai fica desempregado e depressivo e a filha começa a tomar no bullyng na escola com seus novos amigos.

    Como a criança e o adolescente não têm medidas para saber se está sendo demais ou de menos perverso, eles acabam sempre exagerando por não ter esse conceito moral de maldade. É isso que acontece com a Alessandra, uma menina gente boa que gostava de nadar e fumar maconha acaba se enturmando demais e vira alvo de piadas cruéis. Aí dizem:” se eles soubessem o que estavam fazendo não seriam tão sacanas assim, só porque são jovens.” Será mesmo, eu pergunto. Uma bela fita e a classifico como obra-prima para os padrões atuais.
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  Atrás da porta (Hinter Der Tür), dirigido pelo cineasta húngaro István Szabó, (Mephisto (1981) e Coronel Redl (1985), Hungria / Alemanha, 2012, com a atriz Helen Mirren protagonizando o drama.

   Se escreva ou se fale tudo a respeito desse filme menos que este seja simples, de  fácil digerimento, pois não o é. Para inicio de conversa quem não tem um entendimento da história de Budapeste, capital da Hungria, de 1960, é melhor antes passar no Wikipédia, ler sobre o país e sua época. 

  Já adianto; mesmo tendo noção de parte da estória, ainda assim o filme não é fácil de entendimento. As duas personagens que encabeçam a história são: uma escritora que precisa de uma empregada para escrever mais e a tal empregada, que é uma sujeita confusa a parte, e por isso dá o tom para filme em todos os sentidos, sejam esses morais, amorais, imorais e mortais. 
 Como uma profunda conhecedora da vida a empregada com seu jeito rabugento de quem conhece e sofre com as dores existenciais e suas perdas ensina ,através de sua personalidade de poucos amigos e de pavio curto, a sua patroa e seu doente marido, ambos escritores, o que é válido crer ou descrer. Você pode ir ao cinema amanhã e interpretar o oposto do que escrevo, pois as duas personagens que dão as cartas ao filme são surpreendentemente incompreensíveis.

    Não me arisco a taxar o filme como feminino, apesar de que em determinada cena a empregada protagonista fala de fato isso: “ homens, são todos uns burros!”.

   O que se pode se taxar do filme é que ele é extremamente tocante e forte em seu roteiro, instigando tudo e todos, isso se incluem sociedades e religiões. Penso da seguinte forma: a sofredora empregada doméstica idosa é o que é por ter nascido assim: forte por natureza e por isso agüenta tudo que agüentou e por sua vez a sua patroa, a escritora, a vê como um exemplo de pessoa em todos os aspectos humanos possíveis, porém não tem coragem de sair da sua zona de conforto e se colocar na pele de sua empregada.

    Fato este que nada fragiliza a tal patroa; se trata apenas da sua incapacidade de se colocar no lugar da sua “professora da vida – empregada”. Se diga tudo sobre essa produção, menos que ela seja simples.