quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: OZ, MÁGICO e poderoso sedutor irrepreensível

Ricardo Elias mostra a visceralidade da vida de um motoboy em São Paulo
24/03/2013 às 18:54
Os 12 trabalhos, de Ricardo Elias, São Paulo- Brasil, 2007; Mostra 12 tarefas que um motoboy precisa fazer para garantir um emprego e nesse víeis mostra o quão difícil é a vida desse profissional em uma grande metrópole como São Paulo.

   O protagonista é um ex-interno da extinta FEBEM por ser pego não furtando ou estuprando, mas realizando um sonho: voar pendurado na roda de um avião. Esse sonho de voar o faz ( por falta de outras opções ) pilotar uma moto pelas vias, ruas e marginais da capital do concreto paulistana. 

   Concreto não são somente suas ruas, mas as pessoas também, e ele vai descobrindo isso em meio a uma entrega suspeita ali e outra mais burocrática acolá de que sobreviver é a única coisa que realmente importa na selva capitalista. 

   O filme mostra a visceralidade da vida de um motoboy, mostrando seus problemas, perdas “tretas alheias” e ainda assim prazer em fazer o que faz, apesar de estar colocando sua vida em risco todos os dias quando pega sua moto e vai trabalhar. 

   O diretor tem o cuidado em mostrar com seu protagonista não só como uma máquina de trabalho que pega sua moto e saí insano pelas ruas, mas mostra o lado b desse jovem traumatizado pela vida e FEBEM, com um dom de desenhar em suas horas vagas. Isso já mostra o seu grau de sensibilidade e como fora difícil enfrentar o trabalho de ser motoboy em uma cidade da grandeza como São Paulo.

    É como colocarmos um ser para torcer ao mesmo tempo na mesma partida e estádio para o Corinthians e o Palmeiras ambamentes, ou seja, colocar um cara com essa sensibilidade para tal lavoro é realmente no mínimo insano, mas viver é preciso e não importa de que forma. 

   Por isso e, portanto ele consegue deixar de lado seu lado artístico e dá conta do serviço crescendo na firma e sonhando com dias melhores, assim como nos seus desenhos de extraterrestres. Um filme modesto, porém digno mostrando e aplaudindo a vida desses profissionais da “vida louca com sangue nus óio” que faz nossos trabalhos e empresas fluírem, pois a cidade nunca para, e isso muito em função porquausa deles.
                                                  ***********

   A Busca, dirigido pelo Luciano Moura, Brasil, 2013 ; E roteirizado pela Elena Soarez com a excelente atuação do seu protagonista: Wagner Moura que alguns dizem que carrega o filme “nas costas”, fato que tem certo fundamento. 

  Andei lendo algumas críticas de cunho negativo sobre o filme. Desde já discordo e acho que A Busca veio para encurtar a distância que existe ou existia em relação aos filmes argentinos ou portenhos. 

   O seu roteiro não é um parque de diversões onde você se senta na poltrona e ele o dá de “mão - beijada” uma explicação para as perguntas que os personagens estão em busca como o espectador.

    A forma do filme se assemelha aos filmes das melhores produções sul-americanas ( eles não são melhores só em eleger Papa e ter o melhor jogador de futebol do mundo ) pela forma dessa realização audiovisual, ou seja, pela maneira pessoal de colocar na tela os temas do drama; Temas esses de cunhos mais pessoais, familiares e não cunhos sociais como são a esmagadora maioria das produções nacionais. 

  O primeiro filme ou primeiro passo a fim de nos colocarmos como “aprendizes” dos argentinos em matéria de sétima arte foi o que se esperava dele, ou seja, com algumas gafes e outras cenas monótonas , porém a essência do longa , que não é tão longo assim, é boa, e nos dá sinal de evolução, principalmente em matéria de roteiro.

   Até que enfim veio um filme para ” quebrar esse gelo” e distância que tínhamos com a Argentina, pois nunca é tarde para reconhecer quem é melhor e assim sairmos desse senso comum ridículo dos filmes produzidos em solo tupiniquim, salvando-se raríssimas exceções, como ano passado e esse atual , tais como: A febre do Rato, O som ao redor, Era uma vez eu, Verônica ( a maioria dos filmes pernambucanos, que sem dúvida alguma são os melhores filmes do país ), Sudoeste, Dois coelhos e outros poucos que não estão nessa limitada lista para os padrões de orçamento da Ancine. 

   Posso pegar outro exemplo para falar mais negativamente, por burrice diga-se por sinal, do cinema nacional; Por exemplo: O Uruguai; Onde em média se fazem 11 filmes por ano devido ao seu baixo orçamento audiovisual, porém desses 11 filmes anuais sempre vemos produções honestas, modestas, porém e todavia com excelentes roteiros e filmes como por exemplo: “ O Banheiro do Papa” que em seu ano de lançamento fora premiado em Cannes e outros festivais importantes.

    Enfim, está na hora da Ancine mudar. Não me refiro nem a nomes, pois isso envolve política e nosso foco ainda é o cinema, embora infelizmente uma coisa se atrele a outra. Mas me refiro a uma postura mais transgressora no sentindo de mudar os tais filmes patrocinados por ela, ou seja, começar a colocar o povo brasileiro a pensar, a parar de produzir filmes como “ E aí comeu? " e colocar no maior número possível de salas comerciais, os ditos Multiplexs dos Shoppings Centers, filmes como: Sudoeste ou Era uma vez eu, Verônica. E

   stá na hora, aliás, passou da hora do cinema parar de ser um entretenimento chulo, banal como a televisão é. Chegará um tempo, se a política do audiovisual brasileiro, leia-se ANCINE não mudar, que ir ao cinema será como ver um filme da sessão da tarde da tv; e o pior: que esse tal tempo já chegou acontece faz um tempão e para quem está no comando sempre será mais vantajoso manipular cidadãos que assistem coisas supérfluas em que não acrescentam em nada quando estes vão aos cinemas, e isto quando vão.
                                                       ************
   Oz, mágico e poderoso (Oz, the Great and Powerful , dirigido por Sam Raimi e protagonizado pelo rodado ator holiwodiano James Franco, EUA, 2013; O filme está no topo das bilheterias nacionais e norte-americanas e sinceramente não sei o porquê disso, desse sucesso todo. Quem quiser se aventurar no filme indico obviamente uma versão legendada e em 3 dimensões.

   Começando a resenha Oz era um charlatão metido a mágico dos Kansas de 1906. Apresentava seus golpes ou shows como qualquer outra profissão que lhe rendera algum troco para sobreviver como qualquer pessoa, porém esquece-se de combinar com o outro lado, ou seja, o seu público que invariavelmente descobria seus truques fajutos de magia. 

   Ademais o protagonista Oz era um sedutor irrepreensível que dava em cima das mais belas mulheres casadas do Kansas rústico da época. Numa dessas de seduzir damas alheias acaba fugindo no seu balão para não morrer de um marido espumando de raiva de ter sido corneado.

   Por sorte ou por questões de roteiro logo quando o balão sobe ao céu acaba se chocando com um inacreditável e forte tornado que o leva a uma terra desconhecida, porém antes na hora da turbulação temos de ressaltar que o charlatão mágico implora a Deus e faz uma promessa de ser um homem diferente caso saísse daquele tornado vivo.

   E por outra força do roteiro do filme, não do tornado, O Oz acaba depois de um traking alucinante a chegar em uma terra cuja esta tinha o seu nome, ou seja, estava em casa mesmo sem saber disso, pois nessa terra desconhecida e mágica se esperava um mágico para salvar sua nação das maldades de uma bruxa má que aterrorizava a tudo e a todos. 

   A produção da Disney honra o seu Mickey Mouse trazendo personagens e imagens tiradas de um desenho de contos de fadas. As caracterizações de imagens e figurinos juntamente com as animações são perfeitas, porém mais uma vez  a Walt Disney “ se estabaca” no seu calcanhar de aquiles, que é justamente o seu pífio roteiro.

   Ademais a falta de um roteiro interessante soma-se a isso uma duração deveras longa para um longa metragem: meio real, meio animação com personagens e imagens desses dois mundos ou gêneros. Para se chegar à batalha final entre a bruxa boa e a má e conseguir ficar na sala de cinema até esse acontecido, é realmente uma batalha a parte; Praticamente uma aula de meditação forçada tamanho o marasmo que a fita nos proporciona ou nos detona durante o meio até o final da trama.
 Reafirmo o que perguntei no inicio do texto: Por que cargas d’água esse filme esta no topo das bilheterias aqui e nos EUA por duas semanas consecutivas, só porque é da Disney?

   Basta lembrarmos-nos do último desastre da empresa do Mickey com “John alguma coisa: entre dois mundos”, mostrando a saga de um ser humano dessa mesma época, em 1900 aproximadamente, em Marte, pulando igual a um aloprado e não dando em nada no final; Resultado disso: prejuízo total financeiro.

    Esse atual ao menos já pagou com bilheteria a sua feitura, agora o porquê disso, desse sucesso, realmente esse que voz escreve não sabe responder a pergunta para esse atual filme sem graça. Que a imaginação responda a esta pergunta a quem tiver o ânimo necessário para conferir as mais de duas horas dessa nova produção da Disney World. Sinceramente desejo boa sorte e principalmente paciência para conseguir ficar até o final da sessão, pois sem dúvidas precisará.