quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: A Luz do Tom, documentário na medida certa

Diogo Berni destaca três produções nacionais, em especial os documentários sobre Tom Jobim e a Chapada Diamantina (Cascalho)
09/03/2013 às 13:13
A luz do Tom, Nelson Pereira dos Santos, Brasileiríssimo, 2013; O elenco é encabeçado com as três mulheres de sua vida: Ana Lontra Jobim, Helena Jobim e Thereza Hermanny. 

    Meticulosa e agradavelmente o documentário sobre o lendário músico brasileiro Tom Jobim, o aborda de uma leveza com uma qualidade em seu roteiro que os seus noventas minutos de projeção passassem rapidamente, bem mais rápido do que deveria. 

    O filme é agradável, pois sempre tem um clima positivo em relação às lembranças do músico, sem qualquer tipo de forçagem de barra para a nostalgia. Inicialmente narrada por sua irmã e a posteriori por suas duas esposas o documentário é rico em detalhes que de fato agregam valor a pessoa do artista contando suas vivencias de sabores e dissabores de ser um gênio da música brasileira, e já ter nascido assim com essa missão ou dom. 

    A fotografia do filme é belíssima e mostra muitas cenas de água, sejam estas paradas em um lago ou se escorrendo entre cachoeiras ou rios corridos. Com tantas imagens de H2o remetir-me a uma das suas mais bonitas canções que é “águas de março”, onde esta fora feita de uma maneira tão peculiar, prosaica e simples que fica impossível não comparar com a natureza boêmia de Tom Jobim. 

    Pelo enredo e como este foi contado pela sua irmã e suas duas esposas, o filme é agradabilíssimo de ver. Parece que estamos presenciando uma boa conversa entre amigos próximos nossos pela informalidade de como as histórias são contadas pelas principais mulheres da vida do músico. 

    As noites regadas a chopes e uísques com seu principal parceiro e compadre Vinicius de Moraes as composições inesquecíveis feitas com ele, e depois o “ rompimento” dos dois por motivos de distancia e também por ciúmes do Toquinho com o Vinicius, visto que Vinicius viera morar na Bahia e ele com sua segunda esposa e seus dois filhos nos EUA.

    A posteriori vieram às parcerias com a Miúcha e Chico Buarque fazendo com que mais canções belas fossem escritas e cantadas. O documentário de caráter e roteiro informal pode ser resumido em uma frase em que a tia do Tom falara quando este ainda era criançinha e ficava a ver o quintal da sua casa sozinho em seus pensamentos: “ Queria sentir o que o Tom sente “. 

   A luz do Tom realmente nos faz com que saímos da sessão com mais luz: principalmente luz interior para nossas vidas: Uma verdadeira obra “colírio para nossos olhos”.
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    Para quem não conhece ainda Igatu na Chapada Diamantina no centro do estado da Bahia, não sabe o que perde. A cidade é nomeada como a Machu Pichu brasileira por ser coberta de pedras. Quem foi sabe que a beleza é extraordinária. Pois bem, a fita de 2008 que resenharemos tem como nome Cascalho , onde esta é dirigida pelo Tuni Espinheira, que tem como cenário justamente a beleza agreste e ainda de poucos visitantes, e que continue assim por um bom tempo por sinal, de Igatu, Andaraí e suas redondezas na parte chapada diamantina "obscura", ou seja: sem propagandas turísticas e por isso preservada com seus encantos sobrenaturais.

Reza a lenda que Igatu é a única cidade do mundo onde o santo padroeiro do local é o dito cujo capeta ou o coisa ruim, como preferirem, de modo que a cidade tem a lenda de ser a cidadela das bruxas também. 

Tive a sorte de conhecê-la e é de fato encantadora justa e principalmente primeiro pelo seu clima misteriosos quando se chega lá e depois pelos mistérios de suas lendas de capeta e bruxas, além de sua exuberante e exótica beleza incomum. 

Porém não podemos esquecer de resenhar e deixar os encatos de sua fotografia por um tempo.A fita é encabeçada no elenco por dinossauros do teatro brasileiro, como : Othon Bastos, fazendo papel do coronel mais poderosos e ladrão da região e seu cúmplice Harildo Deda: famosa lenda do teatro baiano. 

O enredo da estória é simples , porém bonito como é a sua excelente fotografia da Chapada Diamantina; Conta-se a história do tempo que existia por lá diamantes preciosos. Dessa forma ou por esse motivo uma grande demanda de  garimpeiros "se alistaram" por aquelas hostis localidades de coronéis donos das terras, afim das pedras preciosas submetidos ao clima inóspito meticuloso, miserável e escaldantente pelo seu sol a pino. 

A história é de época e se passa no sec. XVII na seca nordestina, onde surpreendentemente tomei conhecimento que um dos vários garipeiros que se aventuraram por aquelas bandas era o meu bisavõ materno, onde reza a lenda e as resenhas , que era um lunático por achar essas pedras preciosas, largando minha bisavô com uma quantidade enorme de filhos para se virar "Deus sabe como" . 

Por ser uma produção de época gravada em 2008 o cineasta baiano Tuni Espinheira fez mais que um filme raro contando a história de uma região do seu estado, fez uma homenagem as suas raízes. E o mais importante que essa homenagem fora feita de forma totalmente independente de idéias e patrocínios ou falta deles, o que legitima e abrilhanta ainda mais a sua obra. 

Sinto-me na missão de sempre levantar a bandeira do cinema nacional independente pelo simples porém convicto motivo de que os melhores filmes produzidos estão nesse nicho marginal onde a liberdade de expressão é mais permitida e por isso saem filmes bem mais interessantes de se ver do que a maioria. E acresento mais: os filmes independentes são os mais completos no sentido intectual e humano aqui ou em qualquer outro país, pois filmes independentes em sua essência e maioria são e sempre serão os que tem algo a contar com teor mais contestador, contundente , inteligente e politicamente incorreto acima de tudo e por isso são os mais bacanas a serem conferidos.
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   O homem da árvore, Paula Mercedes, Brasil; É um curta de 18 minutos produzido em 2006 onde mostra  um morador de rua, ou melhor, um morador de árvore na capital federal. 

   O inusitado é que a “árvore – casa” ficava bem em frente à entrada principal da rampa do planalto central, ou seja: na cara do gol do escritório do presidente da república federativa brasileira. O cara que era um ex-detento e evangélico convicto e confesso, ficou preso por vinte anos, e quer uma chance para provar sua suposta inocência falando com os homens da lei.

    Com essa meta ele acampa na árvore estratégica por 8 meses e vai estudando todos os livros de direitos que possui e principalmente a nossa querida constituição brasileira. Acaba por tanto ler ficando mais especialista nas leis e constiuição brasileira mais do que muitos advogados da área. A ida a Brasília e o acampamento na árvore-casa tinha um foco: fantasiosamente falar com o vosso excelentíssima ex-presidente companheiro Lula a fim de provar que o prenderam por "Ledo e Ivo" engano, pois era supostamente inocente, ao menos veêmtemente ele acreditava nisso assim como acreditava também que Jesus um dia iria salvá-lo daquele desespero mental.

 A sua inocência era uma fato deveras dúbio. Parece-me que o cara perde o juízo mais do que qualquer outro motivo de provar algo que ele tinha feito ou não. O que se torna interessante no curta é que em oito meses os políticos vêem o dito cujo sofredor todos os santos dias que eles iam trabalhar, que não eram muitos por sinal, e descaradamente fingem que ele não existe, e olha que foram oitos meses: ou seja 240 dias, e não teve sequer um auxiliar de parlamentar que prontamente foi perguntar ao excluído brasileiro sem teto, mas com árvore, se queria algum tipo de auxílio, seja este médico ou material. 

   Apenas o trataram como um ser invisível, apesar dos seus insanos gritos diários toda vez que via os carros dos politicos se aproximarem a rampa do Palácio do Planalto ou o escritório do presidente. Um curta instigante, revoltante e que de certa maneira sintetiza e simboliza como os nossos políticos tratam o nosso povo: literalmente viram as costas, pois o que os olhos não vêem o coração não sente.