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Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: Precisamos falar sobre Kevin e o drama dos jovens

A fita mais que drama ou qualquer outra coisa é um pedido de socorro para o assunto de adolescentes e jovens serial-killers que volta e meia acontece nos EUA
02/03/2013 às 18:54
A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty ), Kathryn Bigelow, EUA, 2013. Não logrou êxito deixando a estatueta de melhor filme para Argo que puxa ainda mais o saco da Casa Branca, visto que a primeira dama foi quem fez o comunicado do prêmio, acirrando ainda mais as relações com o Irã.

  Ademais, para quem gosta de estratégias de guerra, torturas e redes de inteligência (que por muitas histórias, não só essa, se tornam nada inteligentes), gostará da Hora Mais Escura. 

   A fita tem a peculiaridade em esmigalhar o suposto plano de “inteligência” a fim da captura do principal inimigo estadunidense: Osama Bin Laden. Suposto sim: pois a história contada é vista pela visão da terra do tio Sam, puxando enormemente “a sardinha” para o lado deles, de forma que a fita apesar de longa e detalhistica não pode ser classificada como imparcial por só mostrar um lado da história mesmo essa tal sendo o assassinato do muçulmano extremo Osama Bin Laden. 

   Dessa forma o juízo de valor da fita fica dúbio, duvidoso. Destaque para a atuação da Jessica Chastain ( que não levou a estatueta de melhor atriz deixando o prêmio para a fraquinha Jennifer Lawrence de O lado bom da vida ) fazendo o papel da principal agente da turma que vai ao Paquistão fazer a captura do derrubador das torres gêmeas de Nova York.

    O Oscar ainda prêmiou as barbadas esperadas como: melhor ator codjvante para Christoph Waltz  em Django Livre, onde este deveria concorrer a ator principal, deixando essa estatueta para Daniel Day-Lewis  em Lincoln. 

   A melhor direção ficou com Ang Lee em As aventuras de Pi e como esperado o melhor filme estrangeiro foi Amour do Haneke, fita essa que deveria ter ganho como melhor filme de todos também, mas como o Oscar é uma premiação da indústria cinematográfica que presenteia única e exclusivamente ela mesma, a sétima arte verdadeira acaba sendo esquecida, aliás fato nada novo. 

   A maior frustração do Oscar foi a francesa Emmanuella Riva não ter levado como melhor atriz, assim como Jean-Louis Trintignant como melhor ator e por fim Michael Haneke como melhor diretor na sua obra prima Amour, porém para os padrões indústriais cinematográficos da premiação Holliwoodiana seria esperar demais, como um devaneio improvável a ser mudado.
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   João e Maria: Caçadores de Bruxas ou Hansel and Gretel: Witch Hunters, EUA, Alemanha, 2013. Com a atual posição de maior bilheteria norte-americana a fita nos traz um conto de fadas e heróis ao avesso. 

   Refiro-me a um João já crescido e uma Maria pra lá de atlética, com uma mira no arco e flecha: definitivamente para poucos. Eles depois de crescidos não se parecem em nada com os mesmos que aprendemos a conhecer e admirarmos quando também éramos pequenos. 

   De crianças ingênuas os dois passam a serem jovens adultos caçadores de recompensas. Caçavam bruxas e por alguns motivos: primeiramente pela recompensa, ou seja, pela grana que na época era paga com moedas de ouro ou o próprio ouro maciço em tabletes.

    Sem querer contar o filme, mas somente antecipando alguns detalhes que não tirará a vontade da suposta ida ao cinema de quem queira, mas existia um outro fator ou objetivo para que os agora já descolados e porque não dizer sanguinários João e Maria gostarem e correrem ainda mais atrás desvairadamente das bruxas: que era os seus próprios passados, ou seja, suas próprias infâncias, onde foram maltratados e atracanfiados por bruxas más. 

   O passado que os irmãos caçadores não sabiam é que eles eram filhos de uma bruxa também, porém a vossa mãe era uma bruxa boa: do bem, chamada de bruxa branca que se casara com um fazendeiro da localidade. 

   Estes, os pais de João e Maria, por sua vez acabam a dar cabo da própria vida ( ou darem cabo da vida deles ) a fim de salvarem os seus filhos: o Joãozinho sedutor de bruxinhas boas e a Maria: a vingativa mulher adulta que se transfomara. 

   Quando descobrem seus passados os irmãos têm ainda mais motivos para exterminar todas as bruxas más da face da terra, ou seja lá qual planeta for que estivessem. A partir daí o que se vê são séries e mais séries de pura ações de briga entre os dois irmãos caçadores , e agora vingadores, pelas mortes dos seus pais com as milhares de bruxas más existentes. 

   O confronto final como não poderia deixar de ser fora com a bruxa que matara seus pais fazendo este encontro como a cena mais espetacular do filme: cheia de efeitos especiais e claro com muita ação com sangue nos olhos de ambas as partes, literalmente. Um filme que está disponível em seis versões: 2d, 3d, 2d dublado e 3d dublado, 4d e 4 d dublado, abocanhando algumas saletas dos multiplexs dos shoppings centers e com censura de 16 anos por ter algumas cenas de nudez e violência com direito a muitos jorros de sangue. Se for ver em 4d não se espante na hora em que sua cadeira inteligente e perfomática jogue jorros d´água em seu rosto quando acontece as cenas de sangue explícito: é pura tecnologia do entretenimento.
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   Precisamos Falar Sobre o Kevin, de Lynne Ramsay, 2012, EUA, Reino Unido  Como nasce um mostro? Talvez pelo tratamento que dão a eles, comprovando que o homem nasce bom ( de caráter, natureza) e o meio o corrompe ( sociedade, pessoas, religiões ). 

   Com esta pequena introdução temos a naturalidade e antes de tudo a imparcialidade para resenhar uma fita que mexe com valores humanos morais e principalmente a falta desses tais valores. 

   O início da fita mostra uma mãe curtindo a famosa festa dos tomates em uma cidadezinha na Espanha, festa da qual acho um baita desperdício com tanta gente morrendo de fome na África , escreva-se de passagem.

   Pois bem: essa mãe curte a tal festa dos tomates e com muitas doses de tequila acaba ficando grávida de alguém que nem sabe quem foi, tamanha foram as aventuras naquele dia alcoólico.

  Dessa bebedeira nasce involuntariamente um bebê sem pai e com uma mãe que realmente não estava a fim desse ofício. Se cria então com esse ambiente materno hostil , um garoto que aos poucos vai ficando cada vez mais estranho e distante com o passar da sua infância se tornando um adolescente calado e misterioso. 

A idéia do diretor em fazer o filme com duas toadas, ou seja, com dois tempos distintos foi de fato muito interessante, visto que os tomates da época passada explicavam e davam consistência aos jorros de sangue e explicamentos da época atual da película.

   A fita mais que drama ou qualquer outra coisa é um pedido de socorro para o assunto de adolescentes e jovens serial-killers que volta e meia acontece nos EUA com inúmeras crianças sendo mortas por jovens tão vitimas quanto os que foram assassinados por eles.

   Pelo teor da história esse assunto é mais delicado do que simplesmente abrir mão ou não do porte de armas de fogo aos norte-americanos, e sim em uma estruturação mais eficaz e porque não dizer mais humana no tocante da criação dos seus futuros adultos ou monstrinhos. Belíssima atuação da atriz Tilda Swinton fazendo o papel da mãe do Kevin.