quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: LIV & INGMAR, uma história de amor sensacional

Nossas sugestões de três fitas para seu fim de semana
16/02/2013 às 11:33
 Liv & Ingmar - Uma História de Amor, de Dheeraj Akolkar ,2012, Reino Unido , Índia , Noruega; É um documentário narrado ficcionalmente para nos contar a história do romance entre a atriz norueguesa Liv Ullmann e um dos maiores cineastas de todos os tempos: o sueco Ingmar Bergman, cuja sua principal obra foi o filme "O sétimo selo", de 1956, em sua vasta filmografia. 

  A fita é densa, pois aborda e adentra no mundo de cabeças privilegiadas pensantes, e como todo talento tem seus castigos, pois nada vem de graça no mundo, nem mesmo a inteligência, os dois sofrem tremendos e longos dramas existenciais. 

  Os resultados dessas experiências involuntárias estão no filme do diretor e nas interpretações da atriz narrando seu romance com o falecido cineasta. 

   Na medida em que a fita se desenrola um fato é colocado em xeque, o que ocasionou a separação do casal, que em dado momento Liv lê uma carta do cineasta. 

   “Liv, somos cúmplices de sermos diferentes, e nesse pensar e não pensar que são penosos, só nos aturamos um ao outro porque um dependia da natureza do outro, ou seja, você como uma mulher leve e pouco reflexiva e eu com minha angustia insana; por isso nos completamos e damos certo por tanto tempo”. Porém tanto tempo é muito tempo de modo que “ a xícara se depreende do pires “ mesmo esses terem nascidos um para o outro. 

   Uma belíssima estória de amor e acima de tudo de um amor humano, verdadeiro: cheio de erros e acertos, pois amor perfeito só em contos de fadas e olhe lá.
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   Um evento feliz, Rémi Bezançon, França, 2013; Narra com veemência e convicção os prazeres e desesperos de um começo de vida para um casal com um filho inesperado. Acho que o título não traduz verdadeiramente o filme tamanho os imbróglios que estariam por vir ao casal recém-formado.

   Tenho feito uma experiência nova nas criticas de cinema que escrevo neste ano; tento não “resumir” os filmes, mas sim transpor o que eles passaram de poético, de bonito, de louvável, ou seja, escrevo o que sinto deles: a sua mensagem ou a mensagem que entendi.

   Acho que assim me livro do clichê de que toda crítica de cinema é chata e porque não dizer uma sinopse longa do filme em questão. 

   Pois bem, pensando dessa forma percebo que Um evento feliz é mais que uma comédia romântica boba ou um mal manual de instruções para pais de primeira viagem, trata-se de uma fita que te pergunta: “Você realmente tem certeza que está pronto ( a ) para colocar uma pessoa no mundo?” . 

   Esta indagação pouco tem a ver com condição financeira, mas sim emocional. Tentando fugir do clichê de sinopses, porém às vezes um tanto quanto impossível a fita francesa conta a estória de um trabalhador de uma locadora de vídeos que começa a flertar com uma cliente. 

   Daí em diante as coisas parecem que tomam rumos inesperados, pois quem era segura ( a mulher ) antes de ter o bêbê passa a ser insegura e as vezes paranoica como uma doutoranda de uma prestigiada universidade francesa; em contrapartida quem era um pobre profissionalmente que trabalhava como assistente de uma locadora pequena de vídeos ( o homem ) se torna um pai responsável e “segurador de ondas “ de destemperos dos temperamentos imaturos da sua namorada.

   Em meio disso, ou seja, do nascimento da criança não programada o rapaz até que consegue um emprego digno e sustenta sua família, agora com uma mãe desempregada e sem a sua bolsa de estudos de doutoranda com a vossa bêbê recém- nascida. Existe uma máxima que diz que quando os filhos começam a nascerem os empregos começam a aparecerem, ora por compaixão de conhecidos ou ora por força do destino, acho melhor acreditar na segunda opção.

   De qualquer modo essa fita narra esses primeiros momentos da vida de um casal com um bêbê, ou seja, nada de excepcional, mas também nada de tão trash de que não se possa conferir.    
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   Por ser uma das atuais maiores bilheterias nos EUA fui conferir Uma Família em Apuros, Andy Fickman, EUA, 2013; e ver o atual gosto cinéfilo dos habitantes daquele país e olha que mais uma vez me frustrei. 

  Com um roteiro pifiamente para uma família retardada , só pode ser isso, a fita tenta nos contar uma aproximação de um casal de avós para com sua filha distante e os três filhos que tem com um maridinho bastante superficial, assim como ela. 
  Os tais avós são menos caretas, mas ainda assim cabem tranquilamente no termo retardado mesmo com toda liberdade que julgam ter por trabalharem com esportes ou seja qual razão tenha sido que o roteirista visse para criar os personagens. 

   Fato é que se essa merda faz sucesso lá, então temos, ao menos a esse em que vos escreve, uma distância cultural gigantesca. O fato deles serem tão imediatistas pode explicar o sucesso da fita, mas ainda assim é pouco para me convencer de gostar de uma porcaria dessas.

   Talvez por não ter tidos filhos, ainda tenho um certo distanciamento no sentido em que a fita provoca ou queira provocar, pois trata-se de problemas familiares e para quem não o tem, a fita é mera bobagem. Por ser um "filme - família" e como qualquer outra nação gostar de ainda mais unir esses laços é que faz sucesso nos EUA. 

   Me pergunto: porque não fez sucesso aqui ou na Europa, a resposta que encontro é que : Pelo imediatismo e uma falsa segurança de sentimento familiar, nada mais que isso justificaria o sucesso dessa fita americana.