sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

Amor, de Michael Haneke, o melhor do OSCAR

Em temporada de Oscar o cinema se renova e apresenta excelentes produções dos EUA, Chile e Europa
26/01/2013 às 10:59
No, Pablo Larrain, Chile, 2012 . Como uma campanha publicitária pode mudar o rumo de uma nação e tirá-la de uma ditadura? Muitos acreditam que publicidade está ligada ao capitalismo e a fazer a cabeça dos outros a comprar determinado produto ou serviço. 

   Raras são as pessoas que enxergam a propaganda desvinculada a ideia do capital sem limites e insano. 

   Essa fita mostra um pouco isso, ou seja a propaganda cuja função é melhorar as vidas das pessoas, e por isso mostra os bastidores de uma campanha política sem políticos, pelo fato de ser um plebiscito contra ou a favor da continuação de um governo militar ocorrido no Chile em 1988 do General Augusto Pinnochet. 

   Não é porque o filme concorre esse ano ao Oscar de melhor filme estrangeiro que ele seja bom, ele é bom por si próprio independente da indicação, pois é um filme ágil e que te prende a bunda na poltrona, e muitas vezes sem conseguir respirar pelo clima eleitoral. 

   A tensão da turma da campanha do NO é acompanhada e vivida de tal maneira que parece que estamos nela própria, com todos os seus perigos e alegrias. 

   Enfim, se deseja enxergar a propaganda com uma coisa boa para sociedade o filme a ser conferido a este. Obviamente que tal plebiscito só ocorreu por pressão internacional ao Chile, este que já na época e ainda hoje continua a ser o país mais europeu da América do Sul. 

   Título este que queiram ou não se deve ao regime ditadorial da época referida na película. Com números assustadores como: 200.000 exilados contra o regime, o Chile por fim se livra da ditadura e da estabilidade econômica também, tendo de se construir desde os meados da década de 1990. 

   Uma história não muito distante do Brasil no sentido da ditadura, mas muito diferente nos resultados de crescimento nesse período dos dois países mencionados. No não ganhará como melhor filme estrangeiro ao Oscar certamente, deixando para Amor a estatueta. 

   Outro ponto relevante é presenciar a safra de filmes bons que o Chile produz de uns três ou quatro anos pra cá, se emparelhando de quase igual para igual com a Argentina, mas certamente com um segundo lugar soberano nesse ramo.
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    Amor, Michael Haneke, França, Alemanha e Áustria, 2013. Este será o filme estrangeiro escolhido pelo Oscar este ano e só não será eleito como o melhor filme entre todos por questões norte-americanas, ou seja, políticas, visto que temos em concorrência Lincom, Django livre, A hora mais escura e outros produzidos naquele solo. 

   O filme do austríaco Haneke surpreende e angustia do inicio ao fim por tratar de um tema delicado que é uma doença degenerativa. 

   Ademais ao roteiro soma-se a estória do ator principal (Jean-Louis Trintignant) : um ser humano que tentou o suicídio várias vezes e se está aqui ainda nesse plano e feito esse exímio trabalho que temos a obrigação e acima de tudo o prazer em presenciar, se deve ao fato do convite do diretor austríaco, visto que ele estava tentando se suicidar novamente antes do convite para o filme. 

   Com praticamente a feitura do filme ocorrida em um apartamento e com longos enquadramentos dos personagens do drama, Haneke consegue nos incomodar de fato, e faz-nos pensar o que é o amor verdadeiro, ou seja, o que você pensava que era nobre ou louvável como ser humano vai por água abaixo te dando um soco no estomago e falando ocultamente: O ser humano é um erro, pois amor de verdade é para muito poucos previligiados ou fadados a isso. 

   Imperdível fita, sem dúvidas a melhor de todas as concorrentes do Oscar sem mesmo sequer ter visto todas, mas afirmo isso já sem medo de errar e se justiça for feita a estatueta de melhor atriz esse ano irá para Emmanuelle Riva, pois fazer o papel de uma pessoa com uma doença degenerativa com tamanha sensibilidade não é para qualquer uma.

    Somente para aquelas que se entregam a afastam os medos sobre o tema, e isso ela faz como nunca vi antes, parecia uma idosa doente de fato tamanha a carga de sua personagem, coisa da qual só legitima ainda a bela fita poética que aborda a vida e a morte: os dois extremos com tamanha visceralidade: Estas ( a vida e a morte) mostradas ainda que ocultamente nos silêncios dos seus protagonistas.
 
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   Django Livre, Quentin Tarantino, EUA, 2013; É um baita faroeste bem ao estilo do diretor, ou seja, com muito sangue, mortes com direito a vários crânios partidos, e com a ironia acida e inteligente que é a marca registrada “Tarantinesca”.
Por vezes e somente por pouquíssimos momentos temos a ideia de que estamos vendo um outro Kill Bill, talvez pela trilha sonora ou pelos diálogos, principalmente  estes quando surge o personagem do Leonardo Dicaprio, um fazendeiro que tem como hobby assistir lutas entre negros escravos brutamontes. 

   Os diálogos são densos e enigmáticos com a sensação que se pode acontecer uma briga ou um tiro com um miolo estourado a qualquer risada, frase ou suspiros dos personagens na trama “Taurantinesca”. 

   Apesar de batido, o estilo desse diretor, ainda se torna apreciável pela falta de outros estilos, sendo que vemos filmes com quase o mesmo estilo holliwodiano, e por isso Tarantino ainda se sobressai apesar de estórias serem repetidas e repetidas com uma mudança ou outra em seus filmagrafia.

    O diretor Spike Lee sem ver a fita a taxou como preconceituosa somente porque Tarantino contou a estória de um negro escravo em 1855 nos EUA com a sua acidez peculiar e do ponto de vista em que vos escreve, genial. Um filme que certamente não ganhará o Oscar de melhor fita, mas possivelmente ganhará outras estatuetas como trilha sonora entre outras.