quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: O SOM AO REDOR DO BRASIL, bom de se assistir

Com um roteiro estando em várias épocas ao mesmo tempo, mas que ainda assim não tira a qualidade do filme que burramente ou caretamente não foi indicado como melhor filme ao Oscar (A Viagem).
19/01/2013 às 10:37
O som ao redor, Brasil, 2012. Sem titubear estamos falando do filme mais completo após a era “Cidade de Deus” do Fernando Meirelles no inicio de 2000. 

   Por isso já podemos classificar a obra do Kléber Mendonça Filho como um dos melhores filmes nacionais de todos os tempos. 

   Não é a toa que a produção abocanhou os principais prêmios dos festivais de cinema do Brasil e ainda se destacou no principal festival de cinema da América Latina, que é o de Havana em Cuba, ganhando também assim como em outros festivais como o de melhor filme. 

   Com um final que não nos deixa dúvida da qualidade do filme, O Som ao redor mistura um excelente roteiro a acidez nas entrelinhas dos seus personagens alinhada à escolha do diretor em não ter protagonistas, a fita recifense destoa do senso e arrasa genialmente mostrando exatamente o comum, ou seja, o cotidiano de um determinado bairro de classe alta da capital pernambucana.

   Bairro que, por coincidência ou não, é onde reside o diretor do filme, porém pela qualidade da trama poderia ser qualquer outro local, visto que os problemas, lamúrias, alegrias e desesperos de seus moradores serviriam para qualquer outro bairro de qualquer outra cidade tamanha a qualidade da fita. 

   O Som ao redor flerta e escancara os jogos sociais que somos obrigados a seguir para sobreviver de uns para com os outros, aborda ainda mais as paranoias do que é viver com medo da violência urbana mesmo estando preso em meio a grades e alarmes de segurança.

    Pode ser exagero meu, mas pelo filme ser tão contestador no sentido de confiar ou simplesmente colocar em xeque a convivência com outras pessoas que se chega à conclusão ou joga-se a pergunta ao ar: O ser humano é mesmo um erro? 

   Com esse grau de instigação e posteriormente de indignação a obra do genial Kléber Mendonça Filho veio para fincar a bandeira de uma vez por todas aos ainda que duvidavam da qualidade do cinema pernambucano, que este não somente veio para ficar, mais para reorganizar a nova ordem do cinema brasileiro.

   Agora basta a Ancine ter a lucidez e deixar os jogos políticos de lado para colocar o cinema de Pernambuco como o polo de cinema mais importante do país, deixando Rio de Janeiro e São Paulo em segunda instância, coisa da qual duvido que aconteça e por isso ainda continuaremos a fazer um cinema de terceiro mundo. De qualquer modo parabéns ao cinema nacional ter feito um filme de tamanha qualidade, e em especial ao seu diretor.
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   A viagem, Tom Tykwer / Andy Wachowski / Lana Wachowski, Alemanha / EUA / Hong Kong / Cingapura, 2012 . 

   Com um roteiro estando em várias épocas ao mesmo tempo, mas que ainda assim não tira a qualidade do filme que burramente ou caretamente não foi indicado como melhor filme ao Oscar. 

   A mensagem da fita é clara, talvez utópica, todavia o que seríamos de nós: seres egoístas por natureza sem se acreditar em utopias? Certamente estaríamos perdidos. 

   Por esse aspecto a estória do não fácil filme A Viagem mostra que para mudarmos o sentido natural das coisas com a sua rotina precisamos correr riscos, e na maioria das vezes quebrar as coisas já estabelecidas, ou seja, a ordem natural das coisas para que então assim consigamos um outro rumo natural de acontecimentos. Em suma o filme contesta a morosidade das pessoas em deixarem as coisas acontecerem em seu devido tempo. 

   O filme te desperta dessa situação cômoda que de nós não podemos fazer nada, apesar de sermos uma gota em meio a um oceano, porém olha por outro aspecto e perceba que o oceano é feito somente porque existem essas milhares de gotas. 

   Um filme utópico de valores, porém profundíssimo no sentido de colocar o nosso destino divino em xeque, afirmando que o futuro de cada um fica moldado através do seu passado, mais especificamente das atitudes dele: dos seus crimes e de suas generosidades. A ideia de que tudo está compartilhado se deve a este ponto: o que você fez ali para que ocorresse aquilo agora. Realmente fica muito claro, ao menos a esse em que vos escreve, que as nossas escolhas é quem dita a vida que levamos, sendo que a verdadeira utópia que existe é o destino divino.
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   O impossível, Juan Antonio Bayona, 2012, EUA. Como esquecer o tsunami na Tailândia em 2004. Pois esse filme narra a estória uma das milhares de família que estavam no local no dia da tragédia onde a natureza nos dá lição do que é ser devastador de fato. 

   Para “seres aquáticos”, assim como é esse em vos escreve a fita arrepia do primeiro ao último pêlo do corpo, pois a dramaticidade da tragédia vivida pela família desencontrada alinhada com a sempre emocionante generosidade humana nas piores situações amplia ainda mais a força da natureza e mais especificamente do oceano, este que banha ou ocupa cerca de ¾ do nosso planeta e ainda assim nós, humanos ainda não aprendemos a respeitá-lo. Basta ir à praia mais próxima de sua casa e testemunhar quanto lixo tem nas areias e nos mares. 

  Depois dão a nós: humanos, o título de seres evoluídos: vai entender. Todavia voltando a estória do filme confesso que chorei muito do inicio ao fim talvez pelo motivo de ter passado os melhores momentos da minha vida a bordo de uma pranchola pegando onda nos mares desse “Brasil Baronil”. Excelente filme para quem é apaixonado pelo mar.