quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

AS Aventuras de PI e a crença em algum Deus guia, por Diogo Berni

Nosso comentário sobre três fitas: A filha do pai, As aventuras de PI e Dorfpunks
13/01/2013 às 10:30
A filha do pai, Daniel Auteuil, França, 2012. O que é mais importante: a honra ou o amor? Em determinado momento o ator coadjuvante do drama coloca esta pergunta na fita. 

   Tratava-se de um homem simples: auxiliar de poceiro na França nos tempos da segunda guerra mundial. O seu patrão é o protagonista do filme fazendo o papel de “poceiro-mor” e pai de muitas filhas: talvez seis ou sete. 

  A outra protagonista do filme é sua filha mais velha, da qual ele chamava de princesa, pois a tinha dado a outra pessoa após a morte da sua esposa e depois de um tempo em Paris ela volta ao interior em que a família vivia. 

  Uma história de idas e vindas, amores e desamores, mas realmente o que me chamou atenção fora o fato de colocar em cheque de grau de importância entre o amor e a honra. 

   Para o poceiro ou se tem amor ou honra, já para seu empregado que era uma pessoa de coração muito bom e gostava de ajudar a todos, como naqueles tempos ele achava que honra era para pessoas sérias, ele decide ficar na base do amor.  Seja no amor ou na honra à fita tem uma bela fotografia, um roteiro que não nos deixa dormir, ou seja, nada de excelente, todavia se torna classificável por falta de outras produções de mesmo nível.
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   As Aventuras de PI, Ang Lee, EUA, 2012. Ouvi bastante estardalhaço em relação ao 3d desse filme: que seria um puta diferencial e tinha até quem afirmasse que depois dessa fita nada mais seria como antes em relação ao mercado em terceira dimensão no cinema. 

  Ledo e “Ivo” engano, pessoalmente não vi nada que não tivesse visto em Hugo Cabret em 3d por exemplo, pura propaganda enganosa nesse quesito, porém sobre o filme já é outra estória, pois trata-se de um filme bem feito e não duvidaria se ganhasse algumas estatuetas ao Oscar. 

   A idéia principal do filme é sobre crer ou não crer em Deus. De que forma essa crença te ajudaria em sua vida ou não. Com esse juízo de valor a fita se desenrola com imagens pra lá de incríveis e um roteiro que apesar de muito culhudeiro, porém salvo justamente por suas imagens surreais. 
Não se trata de um filme para  pessoas de 15 ou 50 anos, se trata para ambas as idades desde que se esteja disposto a crer na estória, ou seja, crer que existe uma força superior que nos guia independentemente de religiões.
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  Dorfpunks, Lars Jessen, Alemanha/2009.  Está aí uma fita bem feita e pura. Cristalina como o desabrochar de um adolescente  que começa a se descobrir como punk na Alemanha de 1980. Com pais já liberais o protagonista do filme mostra o que de fato é ser transgressor, ou seja , ser punk. Com isso ele forma uma banda. Mas ele não somente faz uma banda de punk. 

  O interessante está na feitura dessa banda, no seu surgimento de uma forma totalmente desleixada, bem ao modo punk. A narrativa da fita cativa, pois pega os mais elementares sentimentos humanos como a simplicidade em sua essência e a lealdade para com os seus ideais. A fita consegue nos transmitir o medo que temos de correr riscos na vida e por isso o filme torna como um tipo de despertador de emoções sucumbidas ao tempo.