quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: Frankenweenie, interessante para qualquer idade

A fita consegue ser interessante para qualquer idade, pois a qualidade ‘peluquilial” com o suporte da Disney e o roteiro do sempre ousado diretor
01/12/2012 às 10:14
Frankenweenie é uma parceria entre os estúdios Walt Disney e o diretor Tim Burton, EUA, 2012. Trata-se de uma animação 3d em preto e branco  não destinada somente ao publico infantil. 

  A fita consegue ser interessante para qualquer idade, pois a qualidade ‘peluquilial” com o suporte da Disney e o roteiro do sempre ousado diretor fazem de uma estória boba de uma criança estranha sem amigos a se transformar em uma animação, comédia, terror, ficção científica pra lá de bacana. 

  O protagonista era um típico menino de nove anos de idade chamado Victor puramente nerd em todos os sentidos que só pensava no festival de ciência da escola, no qual todos os seus coleguinhas querem ganhar e ele mais ainda. Coleguinha é diferente de amiguinho, e de amiguinho o nosso protagonista só tinha um: o seu próprio cachorro que por força maior acaba a falecer atropelado por uma carreta desgovernada. 

   Como o nosso querido amiginho só tinha esse cão para fazê-lo companhia ele decide "reviver " o tal cachorrinho com uma estória pra lá de descabida que unia raios, trovões para uma suposta ressucitação do cachorro.

    Porém acontece um imprevisto: os seus colegas que estão ávidos em ganhar o grande prêmio anual de ciências da escola descobre a ressucitação do cão e acabam por pegar a idéia do protagonista e usá-la a " torto e a direita" para fazer seus novos e insanos experimentos afim de conseguirem o glorioso prêmio de ser o cientista do ano da escola e passarem de meninos nerds e desinteressantes para garotos legais e "bem na fita" para as íris das suas coleguinhas de classe. 

  As caracterizações da animação e  personagens são muito nítidas no sentido em homenagear alguém ou algum filme, que de suma trata-se do Frankstein e da família Adams em questão, com um enorme mérito no que se diz respeito a qualidade, não de roteiro, mas do conteúdo artistico e técnico na bela animação, e em especial ao Frankstein, pois quando o cachorro do protagonista morre, ele fica aos pedaços e o seu dono que esboça bastante com o Frankstein também, o reconstrói, assim como fizeram com o lendário personagem. 

   Por isso o nome do filme ser tão parecido com o nome do Frankstein, quase um diminuitivo. Uma animação muito bacana. O único problema em assistí-la é que terá de aguardar alguns meses para sair nas locadoras, pois com o sucesso da saga Amanhecer: Crepúsculo parte II as salas que estavam exibindo o filme resenhado deram lugar ao matador de bilheteria holiwodiano e que de certa forma mata em igual a liberdade de escolha das pessoas de verem outros filmes que não sejam blockboosters. 

   Barbaridade: já tive o desprazer em presenciar em um multiplex onde 95% das salas estavam destinadas a uma única fita: a essa praga adolescente do momento. E a fila fazia caracóis, o que ainda é pior: dar tanto crédito a uma fita que nada tem a ver com as nossas culturas e realidades. 
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   Porcos raivosos, Brasil, 2012; É um curta metragem ficcional feito por índios. Segundo os “diretores” do curta (Isabel Penoni e Leonardo Sette ) os índios já estavam de saco cheio de cineastas irem lá nas suas aldeias e só fazerem documentários. 

   Sentiam-se instrumentos ou pessoas sem mãos. O curta é muito simples e tem como tema uma lenda da tribo, na qual quando os homens vão caçar por vezes alguns voltam diferentes: mais selvagens e menos carinhosos com elas: suas esposas, que aparecem nuazinhas nesse misto de ficção com lenda feita pelas próprias índias. 

   A diversão das índias foi geral, isso resplendia em suas faces, sempre alegres e risonhas, criando e brincando ao mesmo tempo e o principal: da forma lúdica delas. A brincadeira se baseava essencialmente num rito onde elas faziam uma roda e falavam-se entre si. 

   Um curta a primeiro olhar: torto, sem muito que dizer ou entender, porém o que vale ser resaltado foi a generosidade dos diretores de deixarem o processo criativo com as índias sobre um assunto ( lenda ) deles. O curta metragem pela ousadia do seu tema, ou seja, por deixar que os índios dirijam a fita concorreu em Cannes e está selecionado esse ano ao principal festival de curtas que é o de Amsterdã na Holanda.
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   Relação explosiva (Hit and run ), dos diretores, no mínimo sem inspirações David Palmer / Dax Shepard, EUA, 2012. Não sei se minha censura anda alta no sentido em classificar películas como assistísseis, mas a que vou resenhar neste momento não tem como classificar com outro adjetivo negativo como pífio. 

   Destinada a um público vidrado em adrenalina com seus vinte e poucos anos, mas com cérebros de no máximo dezesseis para quem de fato curtiu a fita. De tão inclassificável por ser tão ruim não sei se tal filme se encaixa no gênero da comédia, do drama, do policial ou da ação, mas sinceramente pode ser qualquer desses gêneros citados acrescentado ao final à palavra trash, ou seja, comédia trash, drama trash, etc., onde os filmes do querido cineasta Zé do Caixão se tornam clássicos de alto padrão comparando com o horrível movie. 

   No seu roteiro além de gírias em ocasiões não oportunas, é como um todo e seu final de uma caganeira considerável, pois são tantas desconexões no sentido de dar ao espectador informações sobre a pretensível trama, que a comédia ou outro nome que queira dar não consegue transmitir. Desconexões em todas as cenas praticamente. 

   Não indico essa fita de jeito nenhum. Agora justiça seja feita: a única coisa “salvável” da fita são os seus caros: um cada mais espetacular que outro, fora isso, desviem como ninja ou se aventurem como Kamikazes.
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   O amor está no ar, Rémi Bezançon , 2005, França , e estrelado por Marion Cotillard, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz por Piaf - Um Hino ao Amor, consegue ser uma comédia romântica realmente interessante sem pegar o título de piegas ou sem graça. 

   A forma do roteiro da fita prende o espectador do inicio ao fim, de forma que nem se pode ir ao banheiro ou pegar um lanche tamanha a agilidade da estória contada.

   Trata-se de um garoto de ganha a vida ou como preferirem: ganha o mundo através de um parto prematuro em plena aeronave em vôo. Isso faz com que a sua mãe morra por complicações para a ocasião ou lugar. 

    O cara cresce criado pelo pai que era um jornalista de automóveis com esse trauma de avião jurando que jamais colocaria os pés em alguma aeronave. Por força do destino o tal filho gerado prematuramente em uma aeronave em pleno vôo e que futuramente escolheria a engenheria especializada em aeronave como profissão, perde seu pai em outro desastre, porém desta vez em terra firme e com muita velocidade em um Lanborguini de ponta para a época. 

   O pai testava esses carros pois esse era o seu  ofício: testar carros novos de luxo para depois escrever artigos destes em revistas especializadas. O que deixou mais angustiado o protagonista da fita perder seu pai não fora o acidente de carro em si, pois mais cedo ou tarde pela natureza do pai o acabaria perdendo de fato, mas o que angustiou foi que o fato de o acidente ocorrer ao mesmo período em que ele resolve ir morar sozinho, deixando o pai e tentando começar sua vida quando completa seus vinte anos de idade. 

   E na agradável fita a coisas estranhas só começam a piorarem com o passar do tempo. Desta maneira ele começa sua vida de solteiro com muitas camas e mulheres “degustadas”; em que duas em especial mexe com aquele coração de pedra gaulês, e as duas em um determinado momento do relacionamento tem de viajar para bem longe e ele por ter sido gerado em um avião e por isso ter um grande trauma, a última coisa que queria fazer na vida era voar. 
A fita tem esse dilema principal: perder o cagaço de andar de avião ou perder as pessoas que preencheria o seu coração tão castigado pelas mortes dos seus pais. 

   Como todo filme que se preze temos um ator coadjuvante que faz o papel de melhor amigo do protagonista, este amigo que por sinal era um porra louca total e vagabundo que resolve passar somente três anos dormindo no sofá da casa do amigo. Pois bem, se continuasse escrevendo acabaria por contar os finalmente desta engraçadinha comédia francesa e inteligente por seu roteiro.

    Se não é uma película super cabeça, rende algumas cenas boas e com algumas cenas inteligentes fugindo do estereótipo de que toda comédia romântica que não transmite nada além de besteirol. O filme que mais uma vez comprova que o país que continua produzindo as melhores produções européias ainda é a França e isso já há algum tempo, não importando se é drama, comédia ou qualquer outro gênero. Coisa da qual deve deixar os alemães irritadíssimos pelo “amor” histórico que existe entre os dois países.