quarta-feira, 08 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

liberdade poética de A Febre do Rato

A Febre do Rato, da genial escola Pernambucana cinematográfica, do Cláudio Assis, 2012, Brasil
18/11/2012 às 11:18

Pare com que esteja fazendo agora e deixe a poesia flertar contigo: não irá se arrepender. A deixa é por conta do filme

A Febre do Rato, da genial escola Pernambucana cinematográfica, do Cláudio Assis, 2012, Brasil. Começo com uma das frases mais marcantes do protagonista: “Temos o direito de errar”. Isto se expande em nossas escolhas ou falta delas. Com uma bela fotografia em preto e branco Walter Carvalho mais uma vez mostra quem dá as cartas em terras tupiniquins quando o assunto é direção de fotografia. 

Verdade que o roteiro e os personagens ajudaram, e o filme só poderia ser classificado como genial mesmo como já mencionei, ao menos a esse em que vos escreve. 

Mas do que levantar bandeiras, como da: da legalização da maconha ou de relacionamentos de pessoas com o mesmo sexo, o filme levanta a bandeira da liberdade em todos os seus vértices possíveis. 

A liberdade é falada poeticamente em todas as suas formas de uma maneira tão visceral, latente e acima de tudo inteligente, que não poderia ter saído de outra escola: a nordestina pernambucana, que sem dúvidas fazem os filmes mais corajosos e consequentemente mais ricos em ideias do país, passando até os gaúchos no quesito criatividade, deixando as escolas dos “Pampas” com o título de melhor produção somente. 

Eu imagino como seria uma baita parceria, filmes com “o pensar” dos diretores pernambucanos “virados no cão”, alinhado com o cuidado e a qualidade dos diálogos da rotina e do cotidiano em que os diretores gaúchos fazem com extrema excelência.

 Percebo que tal junção ou parceira poderá ser apenas um sonho meu ou devaneio, visto que os diretores pernambucanos fazem suas fitas homenageando as estórias das suas realidades ou falta delas, e os gaúchos por sua vez, também. 

É o tal baIrismo atrapalhando a evolução do cinema nacional mais uma vez. Porém chega de devaneios e voltemos à fita abordada, embora esta se encaixe completamente em um “devaneio- lúcido” e por isso o assunto puxado. 

Como apreciador da sétima arte brasileira, espero que o Cláudio Assis esteja sempre inspirado e disposto a fazer maravilhosos “devaneios”, pois os assistindo a vida soa mais bela, “mais entendível” com a loucura do seu poeta protagonista que tem um jornal de poesia (onde já se viu isso: jornal de poesia?), cujo nome era o título do filme.

 Febre do rato é uma expressão pernambucana que quer dizer que tudo está fora de controle: às pessoas andam sem sentido, e as coisas ainda mais. Um filme anárquico para poucos, assim como é a poesia. 

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No calor da fita assistida Anticristo, Lars von Trier , Dinamarca / Alemanha / França / Suécia / Itália / Polônia, 2009, é uma porrada de bom. 

O polêmico e genial diretor dessa vez ou daquela vez, visto que o filme foi feito há algum tempo, discute, polemiza, aborda, instiga, mitiga em todas nuances possíveis à existência humana. 

Com um roteiro onde um casal (interpretado por Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) se refugia pela perda de um filho em um chalezinho com mato selvagem por todos os lados. 

O casal era formado por um psicanalista e uma escritora “interrompida”. As aspas na palavra interrompida tem sua razão: pois a tal escritora para com seu oficio pela trágica perda do seu único filho. 

Para destraumatizar a escritora, o psicanalista e seu marido oferece a ela um tratamento de choque, deixando se esvair os melindres dos sentimentos que tanto a incomodava, ou seja, seu marido tenta curá-la do trauma do filho perdido com um método mais moderno e ousado do que o tradicional Freudiano e de seus discípulos, mas parece que o resultado não obteve o sucesso esperado. 

Com uma vontade de contar o final do filme, porém como critico me segurando para isso, adianto somente que trata de um filme genial onde suas certezas perante sua existência poderão se esvair; super indicadissímo.




Talvez pelo domingo ser o dia mais moribundo da semana, fui ver um filme igual, sem pretensões, tampouco méritos.

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Magic Mike, Steven Soderbergh, EUA, 2012, tenta de maneira superficial entender o mundo dos strippers. Mostra a estória de um cara que fez de tudo um pouco: pedreiro, marceneiro, porém o que lhe rendia bons lucros era de fato o mundo das baladas femininas onde como stripper fazia a alegria da mulherada. 

A fita, que destinada ao público adolescente, por vezes e de forma informal mostra que nem tudo que reluz é ouro, ou seja, que apesar de toda a diversão que a profissão parece ter, mostra que ninguém aguenta ser “objeto” a todo o momento; nem mesmo os mais providos de ambição ou aventura.

 Não é que o filme não tenha a marca registrada de Steven Soderbergh, todavia diretores como ele sempre esperasse mais: que saia dos filmes comuns, porém o filme em questão não saiu dessa classificação: comum.

A película tem algum mérito em demonstrar como os jovens adultos dos EUA pensam, ou melhor, não pensam; como fazem de seus relacionamentos coisas tão descartáveis como se fosse a própria comida, ou seja, cheia de calorias que fazem matar a fome da hora e dali a pouco se sentem novamente famintos, ou seja, a forma “oca” de se relacionarem e perceberem as virtudes e necessidades das pessoas.

 Em se tratando de Steven Soderbergh, se esperava mais; não que o tema escolhido fosse ruim, mas que ao menos o diretor entrasse de forma mais visceral no universo abordado