sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

A ARTE DE AMAR e outros franceses chatos

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27/10/2012 às 10:24

A arte de amar ( L´art d´aimer), Emmanuel Mouret, França, 2012, é um típico filme francês que agora está na moda com o tema da valorização da poligamia. 

Escrevo isso já na lata e sei que os mais amados as películas francesas discordarão, mas tenho meus motivos para tal suspeita e enumerarei na medida do possível. 
Em primeira instância sabemos a natureza do ser gaulês, ou seja, natureza safada, selvagem. 
Pois bem, admitamos isso e prosseguimos de como o país é generoso com os povos do norte africano, como Costa do Marfim, Marrocos entre outros. 
Sabemos que o francês e a francesa têm suas excentricidades em fazer da vida uma coisa mais engraçada do que pode ser. 
Por isso é um país que tem medo do terrorismo islâmico, como qualquer outro europeu, mas ainda assim não fecha suas portas para os praticantes do islamismo. 
Com isso eles ganham fazendo experiências com essas pessoas de ideias novas ampliando mais sua forma de pensar. 
O país é evoluído intelectualmente por essas e outras: por julgar e não pré-julgar, mesmo correndo risco por isso. Porém voltando a fita francesa e a poligamia (pois em menos de uma semana já assisti a três filmes franceses que abordavam, ou melhor: flertaram com o tema ). 
Os diretores jamais afirmarão que fazem filmes que valorizem a poligamia, pois seria politicamente incorreto, mas se os fazem e tem retorno é porque de fato o assunto interessa a maioria e se interessa fazem-se mais e mais filmes do gênero. 
Não sei se no resto do país é igual, mas em Salvador somos bombardeados com 3 ou 4 fitas francesas estreando toda santa semana, tirando lugares de outras coisas, como um filme russo ou Iraniano, por exemplo. 
Nada contra o cinema francês, mas imagine se fossemos obrigado assistir a todas as produções brasileiras? Com certeza veríamos muita porcaria nacional, assim como estamos vendo muita besteira made in France.
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PParis-Mahhatan, da Sophie Lellouche, França, 2012.  É de se espantar que o Woody Allen tenha feito uma ponta no catastrófico filme. 
A bizarrice da fita não se limita a uma área da fita, mas de uma realmente forma desastrosa a película consegue ser péssima em todas as áreas, desde o seu caótico roteiro, produção, direção de arte, de som e personagens e atores pífios por fim. 
O enredo é uma “maluquice”, onde uma já mulher com os seus trinta e muitos anos se encontra encalhada e sem perspectiva alguma para algum pretendente. 
Com tal situação vivida pela protagonista da fita (Alice Taglioni), os amigos tentam salvá-la da solidão  ( mesmo ela não estando muito de acordo com isso ), pois com o tempo aprendera a conviver sozinha e de modo que seria antes de tudo um tremendo sacrifício morar com alguém as beiras do seus quarentinhas anos de idade. A protagonista tinha uma paixão sim, e essa única e inabalável: Woody Allen e seus filmes que a remoia, emocionava e davam um sentido para sua pacata e discreta vida de uma mulher tímida. Woody é um tremendo apaixonado pelo Jazz e Blues. 
Amigos próximos do Woody deixam a entender que a paixão pela música que lhe rende bem mais prazer do que o fazer cinema. 
Fato é que voltando a ficção e deixando a realidade do que o prestigiado e genial diretor mais gostava de fazer que ainda é a música, a fita conta uma estória romântica tão sem graça e com uma protagonista tão ligada pelo Woody que não temos nada a mais a acrescentar a respeito da obra feita “a facão” , somente mais temos a pretensão de adicionar um adendo: que era para se fazer o seu roteirinho; de um pretendente apaixonado vivido por um homem de negócios e indicado pela própria família dela: a super fã do cineasta- tocador  a conquistar a “doida varrida ”pelo genial diretor, e esta por sua vez fazendo doce, que ao final de fato não sabíamos quem era mais idiota; ele: o pretendente correndo atrás de um paranoica de carteirinha pelo diretor, que pregava até fotos do cineasta por toda parede do seu minúsculo quarto (por isso resalto aqui uma coisa muito importante, que é: não levem tão a sério as sinopses que leêm antes de irem ao cinema, pois estas são traiçoeiras ), ou ela, a protagonista. 
A aparição do Woody Allen na fita se fora de três minutos foi bastante. Ele olhou para ela e a disse: “O homem que corre atrás de você sem entendê-la por seu amor narcisista por mim te ama de verdade, é o homem da sua vida, por isso não o deixe escapar, não perca a chance de ser feliz de verdade”. E entrou numa limusine e sumiu. Ainda hoje me pergunto: mesmo sendo ele a ideia principal da película, ou seja, o tesão, a fobia ou qualquer outro nome que queira dar a essa admiração exarcebada e quase doentia pelo genial diretor ( e isso: genial,  é de fato in conquest ), mas o porquê em botar sua cara a tapa em tão desqualificado e porque não descrever como trash movie ? Talvez pela necessidade de inflar um pouco mais seu ego, pois afinal de contas todo humano gosta de ser homenageado, mesmo que esse tal “presente” venha a ser de “grego”. Porém com um baita nome que já tem, chego a simples conclusão que o Woody ligara o foda-se, e não só para esse filme horrível, mas também para qualquer outro que virá a fazer, visto que de uns tempos pra cá o malandro só faz obras por encomendas: para cidades que queiram sua cinegrafia inimitável, a fim de aumentar seu turismo, em troca de muita “mufunfa”. Acho que o Allen encheu-se de vez do cinema e só quer saber de música ou muito dinheiro para fazer esses filmes sob encomenda e voltar a brincar de ser músico; filmes muito bons escrevam-se de passagem, pois quem é rei nunca perde sua majestade.
Intocáveis (Intouchables ) , França, 2012, dos diretores Olivier Nakache / Eric Toledano . Quem escreveria, mas aconteceu: Um blockboster made in France; porquausa de uma estória verídica de fato sensacional, ou seja, o que a maioria das pessoas quer assistir para continuar suas rotinas com mais vigor e esperança de dias melhores, como: menos cobrança do chefe, um melhor salário, as férias numa praia paradisíaca e por aí vai. De fato Intocáveis mexe com todos esses anseios da classe trabalhadora, pois conta a estória de um milionário tetraplégico em busca de um cuidador que não tenha pena dele, mas o entenda. Para achar tal profissional ou simplesmente pessoa e ser humano são necessários um desprendimento de currículos, ou seja, o que a pessoa fez ou deixou de fazer, da onde ela vem, o que ela gosta e faz, etc. Daí que surge uma bonita amizade entre o tal milionário tetraplégico , que a esta altura da vida só quer uma coisa: menos frescura e mais sinceridade, com um negro pobre do subúrbio francês maconheiro , e que não está nem aí para “a hora da França”, com suas educações moralistas e preconceitos burgueses. A fita se torna um mostro de bilheteria no mundo porque em plena atualidade o que menos se vê são pessoas inocentes, ou melhor, escrevendo, menos salafrárias, menos capitalistas. A fita deixa claro que ter grana é bom, mas não é a coisa mais importante, pena que só entendemos essa mensagem quando não temos mais como usar o dinheiro. A fita além de drama , tem comédia, ação e um roteiro e fotografia dignos de um blockboster.