sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

ELLES, O MUNDO DA PROSTITUIÇÃO DE LUXO NA FRANÇA

Muito legal esse filme
22/09/2012 às 07:10

Foto: DIV
Juliette Binoche, em Elles, na direção de Malgorzata Szumowska
   Sabemos que a hipocrisia social existe e sempre existirá em qualquer lugar. Deste modo adentraremos no mundo da prostituição de luxo, bem explicado e de forma cabal pelo filme Elles ( que significa em francês Elas ) dirigido por Malgorzata Szumowska e protagonizado pela veterana , porém sempre bela Juliette Binoche, França, 2012.

    A estória é de uma jornalista que resolve escrever um artigo sobre o mundo dessas profissionais. Estas por sua vez na maioria dos casos são oriundas de interiores ou países menos favorecidos economicamente. Para se manterem, as estudantes com média de seus vinte e poucos anos vendem seus corpos para maridos entediados com a rotina de suas relações . 

   A jornalista mergulha e de certo modo se identifica tanto com as estórias ouvidas e escritas por ela que começa a se perguntar quem é a puta de verdade: as que vendem seus corpos ou as mulheres casadas com seus maridos entediados. 

   Nesse vai e vem de angústias e interrogações à jornalista acaba sabatinando sua família, e em especial seu marido frígido, porém adepto e cliente das prostitutas estudantes universitárias ninfetas de luxo. A jornalista com seus dramas existenciais e de moral acaba criando amizades verdadeiras e vindouras com as tais estudantes a fazendo rever os seus conceitos e amizades. 
 
   Um profundo mergulho sobre a hipocrisia social e as necessidades humanas, belo filme em todos os sentidos, desde o tópico abordado, ou seja, sua idéia, até o elenco e a maneira de como a estória é contada.

   Para poucos, do alemão Antony Cordier, 2010. É possível viver novas experiências sexuais sem cometer adultério? O desejo consegue sobreviver à rotina? Pode-se ter tudo? E quando os limites do que se considera normal em famílias e relacionamentos forem quebrados, como se encontrar no meio disso? 

   Todas esses perguntas são respondidas na fita de forma direta ( com diálogos dos personagens ) ou indireta (de forma subjetiva, deixando os seus valores morais responderem tais indagações ). 

   Para os mais tradicionais o filme se classificaria como um puro descaradamento. Para os poucos tradicionais o filme se classifica como uma forma moderna de seus casamentos não se adentrarem no comodismo, no distanciamento, no marasmo da rotina. 

   Para poucos é de suma para só aqueles que têm mentes abertas para novos tipos de relações, até mesmo porque uma pessoa não é dona de outra, por mais que possessiva seja uma e “capanga” ou mandada que seja a outra. 

   A estória do filme se passa numa densa relação de troca de casais. A carga dramática da fita é tão deveras visceral que em alguns momentos, nós espectadores, assim como os próprios atores ficamos com a mesma duvida, tais como: o casal original é o mais completo no sentido de se entenderem ou o vulgo casal “trocado” é o melhor para ambas as quatro partes que se envolviam em um jogo perigoso de sedução, riscos, independência afetiva e senso de aventura. 

   Até aí o jogo era meio que “controlado” pelas partes envolvidas, porém com o passar das brincadeiras e os seus convívios com prazerosas aventuras este controle fica desgovernado, dando espaço agora para surgimento de sentimentos como paixões. 

   Como mencionei um jogo definidamente resumido pelo seu título: Para poucos, pois brincar com sentimentos: esticá-los e puxá-los assim como o fizeram é de um misto de coragem, paixão, loucura e aventura regrada e a posteriori desregrada pelo motivo de fugir do controle tal transgressor e frenético jogo.

  Bela fita alemã, poucos filmes que estão no cinema são tão bons quanto este resenhado.
 
    Depois de partir, do Gilles Bourdos , Alemanha / França / Canadá, 2008. Deixei esse por último por ser um filme atípico, assim como é o seu tema: Vida após morte. Um advogado perde a esposa em um acidente e sua vida fica sem graça depois disso. Ele tenta se revigorar, mas o desejo de ter a sua esposa fala mais alto, de modo que sempre ficara melancólico. Um dia conhece um médico, interpretado por John Malkovich que diz que vê e recebe conselhos de mortos.

 O advogado em primeira instância o zomba, o repudia assim como naturalmente fosse qualquer um de nós.

Porém com o decorrer da fita acontecem situações que de fato comprovam que tal médicuzinho não mentira, aí o cara enlouquece de vez, mas endoida acreditando na estória da conversa com mortos do doctor e investe nisso. Percebe e acredita através de recados “de cima” que tem seus dias contados por uma doença incurável. E tinha de fato. Veja meus amigos: O espiritismo é uma religião ainda não comprovada cientificamente como todas as outras, pois se tivesse comprovação não seria crença, mas sim ciência exata. 

Acho que todo brasileiro é um pouco espírita por seu jeito otimista de andar com a vida ou aguentá-la para ser menos difícil os dias com as rotinas juntas de acordar cedo, trabalhar, comer qualquer merda que faça mal ao seu corpo, mas que te encha a pança para aguentar mais algumas horas de trabalho e chegar em casa morto de cansado e ainda ter obrigações com filhos e parentes. 

Gostei e me identifiquei por esse filme talvez mesmo pelo óbvio motivo de ser brasileiro, de ser positivo, de esperar dias melhores sempre, seja aqui ou lá depois de partir. 

O fato é que existe alguma força maior que nos faça acordar cedo, pegar rush, comer besteira, fumar, trabalhar feito escravos para um sistema capitalista e ainda assim continuarmos dizendo que as coisas vão melhorar que o Brasil vai ganhar a copa, que o PIB do país crescerá e daqui a poucos anos seremos uma potencia econômica. 

Analisando bem: somos espíritas ( otimistas ) até de mais ou não? Creio que sim.