sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

O DITADOR É UM FILME BOBO PARA DAR APENAS RISADAS,

VEJA
01/09/2012 às 02:01
Foto: DIV
Sacha Baron Cohen, em O Ditador
   O Ditador, do Larry Charles, EUA, 2012, protagonizado pelo bem humorado Sacha Baron Cohen. Em tempos de politicamente correto e eleições a fita vai contra a maré dessas coisas mostrando uma caricatura do ditador de um país chamado Vadia.

   O tal ditador vai aos Estados Unidos da America do Norte a fim de salvar seu país da democracia, isto mesmo: salvar um país da democracia. A comédia mostra de forma despretenciosiosa os males que existe em um país democrático de direito, e vai mais além: usa o humor para mostrar que a democracia e a ditadura embora pareçam opostas nem sempre as são de fato, isto depende do governador, ou seja, podem existir muitos prefeitos eleitos pelo voto democrático bem mais "ditadores" do que ditadores de fato.

  De uma forma politicamente incorreta a fita nos leva as gargalhadas quando uma pessoa que tem literalmente o "rei na barriga" (no caso o ditador do país fictício chamado Vadia) é obrigada a viver como um civil cidadão comum em terras capitalistas como Nova Iorque.
 
   Apesar de ser uma comédia saí com uma indagação da sala de cinema que foi: Afinal, será que o nosso regime dito como democrático é mesmo de fato isso ou está mais para um emaranhado de políticos acordados e concomunados por causas próprias e partidárias, haja vista o caso do mensalão. Espero como cidadão pagador de impostos que sou que se faça justiça nessa página da política brasileira que tanto nos envergonha.
 
  O que mais se tem são coisas como essas, ou seja: filmes bestas passando nos principais cinemas assim como esse, e assim como nós: cidadãos bestas que pagamos impostos ou ao menos eles, os políticos, acham que somos tontos. Podemos mudar isso através do voto, pense nisso antes de votar.   ·        
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   A minha versão do amor, do Richard J. Lewis, Canadá, Itália, 2010, é uma lição de vida onde a entrega parcial e não total perante aos seus sentimentos só se desletigima você mesmo. Com a irretocável atuação do seu protagonista, Paul Giamatti , a fita dá um banho de coragem a quem assiste. Esta coragem explicitada por um judeu produtor de TV em que não perde tempo quando o assunto é se entregar de corpo a alma para as mulheres e as paixões mundanas, como bebedeiras, risadas, amigos loucos e sinceros assim como ele.

  O sujeito gostava de casar bastante, e em uma cerimônia matrimoniosa sua conhece a mulher de sua vida. Ele não se faz de rogado e depois de muita insistência consegue a mulher de sua vida a seu lado, porém por um detalhe ele e ela não esperavam: que ele depois de tanto esforço em conseguir a mão da amada, a trai com uma qualquer que dá pra ele afim de pegar uma ponta de figurante em seu programa televisivo. A sua amada corna não suporta tamanha humilhação ou traição e rompe com o dito cujo judeu galanteador.

   Disso para o alzheimer é um pulo já com seus dois filhos que o cuidam da doença, mas não das lembranças dos amigos, dos amores e da vida bem vivida apaixonadamente. Uma beleza de estória de vida contada em sétima arte que nos faz despertarmos e pensarmos: Vamos viver, pois vida só tem uma, depois fica tarde para lamentações.
                                                  ***
   Romance de formação é um documentário da Julia De Simone, 2011, Brasil, conta estórias de jovens que se doam para os seus respectivos futuros ofícios em universidades espalhadas pelo mundo.

  Temos um pianista e regente que mora na Alemanha, um cientista que quer inventar a cura do câncer e uma estudante de letras na Inglaterra, onde quando tem tempo livre a última coisa que quer é ler algum livro. De suma é um documentário que mostra brasileiros de talento nas melhores universidades.
 
   As suas relações pessoais vem sempre a reboque: família, parceiros, amigos; tudo isso está em segundo plano e por incrível que pareça, eles mergulham tão profundamente em seus estudos que essas coisas como parceiros (as) e amigos viram superfulas. Para um primeiro filme a diretora e roteirista não se importou com números de mercado e espectadores, mas sim respondeu as questões internas dela própria. Belo documentário investigativo sobre o mundo acadêmico.
 
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