sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

O EXÓTICO HOTEL MARIGOLD E LIÇÕES DA TERCEIRA IDADE

Taxi Driver é eterno
16/06/2012 às 08:02

Cinema: O Exótico Hotel Marigold é de uma leveza impressionante
  O Exótico Hotel Marigold, do diretor John Madden, Inglaterra, 2012. Se estás naqueles dias onde acha que todo peso do mundo anda em suas costas essa fita é ideal para tirar isso. Por ser uma despretensiosa estória onde na sua maioria são atores já de terceira idade (Judi Dench,Tom Wilkinson, Maggie Smith e Bill Nighy),e praticamente esquecidos pelos roteiristas, o filme nesse semestre foi até agora a principal surpresa no que se refere a faturamento, ou seja, foi um filme barato de se fazer onde se bateu dez ou mais vezes o investimento pela realização da obra, um baita de um sucesso.

   Sucesso esse devido essencialmente pela leveza da fita rodada em sua maior parte na Índia em um hotel quase falido com a chegada de uma turma de idosos oriundos da Inglaterra para esse exótico hotel indiano.

   Dessa turma de atores mais rodados tinham-se várias personalidades e cada uma tinha o seu "porque" em passar um tempo na Índia, Enfim uma fita leve com atores experientes que dão o tom a agradável comédia dramática. 

   180 graus, do Eduardo Vaisman, Brasil, 2010; Esse filme é bom de comentar, mas pelo lado negativo, para malhá-lo, escrever mal , pois é ruim demais. Vamos malhar então que hoje estou nessa pilha. Primeiro começaremos com o protagonista da parada: Eduardo Moscovis; Esse cara não tem lugar nem em Malhação.

   Um dia fui ver uma peça de teatro onde teria um "global" que faria uma ponta na peça. Todos ficaram ouriçados na expectativa com a chegada de uma bela atriz ou um ator de verdade, mas quem era? O Tal do Edu, a frustração foi geral.
 
   Dali em diante quando fico zapeando na Tv filmes e vejo o ator troco de canal na mesma hora pelo pressuposto de que se o diretor do filme foi tão estúpido em chamar o tal ator, esse filme então não vale ser visto.

   Então, com 180 graus não é diferente: o filme é ruim do inicio ao fim, escrevo isso numa boa sem forçassão nenhuma.  Aqui em minha terra tenho a fama em esculhambar filmes nacionais e valorizar os filmes argentinos, mas como ser diferente?

   A política do audiovisual na Argentina é boa, pois se o filme não chama público é retirado dos cinemas. Isso funciona lá porque as pessoas lêem bastante e só fica o que é bom de ser visto. Imagine isso aqui, quais bombas seríamos obrigados a ter nas telonas.

   Lá na Argentina esse tal de 180 graus não passaria nem na seleção para uma possível aparição nas telas. O roteiro é de uma caganeira considerável de ruim onde se resume a um casal de jornalistas em crise e um estagiário comedor como o feitor do papel da tragédia do casal no mal feito filme.

   Ademais tem uma estória de esse estagiário também roubar um livro não publicado do jornalista, e este fica puto da vida por perder de uma só vez a mulher e o livro que não teve saco para publicar achando que era ruim, essas coisas de escritores.  

   Existem muitos bons filmes brasileiros, e acho que estamos melhorando muito de uns tempos pra cá, mas não é caso deste, desviem. Pode botar também em minha conta um pior ainda que 180 graus e pra ser desviado como um ninja, um dos piores nacionais que vi em todos os tempos.

   Trata-se de Riscado, do Gustavo Pizzi, 2010, que conta a estória de uma atriz, mas que na verdade não conta nada, horroroso de vera. Monótono, sem passadas de uma estória para outra, se resumindo a sempre ficar na mesma: a atriz melancólica e sem talento sempre não fazendo coisa alguma e quando as coisas aparecem para ela, parece que não dá valor, ficando o filme sempre com aquele ritmo lastimável, sem graça e principalmente sem brilho e roteiro, ou seja, não indicável com toda certeza

   Taxi Driver; este é um momento ímpar e de grande responsabilidade para mim por resenhar um dos melhores filmes de todos os tempos da sétima arte.
 
   Trata-se de um super clássico de Martin Scorsese atemporal que fica pra sempre pra quem admira coisas boas. Esta obra-prima volta e meia tenta ser copiada, mas sempre sem êxito.

   Sabe aquela plantinha que nasce de um lugar onde era impossível de nascer e sobreviver e se torna a maior e mais forte planta de todas? Pois bem, essa planta no cinema é Taxi Driver que é simples e genialmente incopiável pegando os primeiros anos de carreira de Robert de Niro, leia isso como pegando a essência marginal e magistral desse estupendo ator que depois fez muitos outros filmes que lhe renderam bem mais dinheiro a ele, mas com Taxi Drive, o De Niro fez o seu melhor papel sem sombras de dúvidas, também com um roteiro emblemático e histórico do Scorsese daqueles, era juntar o talento com a boa estória ou como se dizem no nordeste brasileiro é juntar a fome com a vontade de comer.
 
    Quem sou eu pra resenhar uma película, sim, em 1970 era pura película ainda sem essas tecnologias atuais de ponta, da envergadura dessa obra-prima. A minha missão aqui como resenhista cinematográfico é lançar um desafio: Eu duvido, até para aqueles que não são muitos chegados à sétima arte, que alguém não saia extasiado depois de alugar esse filme.

  Extasiado sim, não apenas com expressões do tipo: "esse filme é legal mesmo", mas extasiado ao ponto de falar que o que acaba de assistir é "massa, é bom pra caramba, de outro mundo". Pronto, o desafio está lançado e sei que o ganharei, porque é impossível não gostar de Taxi Driver, um clássico difícil de copiar.