sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

TRÊS BONS FILMES: AMERICANO, LATE BLOOMERS E JESUS SUPERSTAR

Leia nosso comentário
09/06/2012 às 09:03

Foto: DIV
Belissimo roteiro no filme de Mathieu Demy, Americano, França, 2011
   Americano , França, 2011, dirigido e roteirizado por Mathieu Demy, que por sua vez é filho dos cineastas Agnès Varda e Jacques Demy, é um filme difícil de diagnosticar até que ponto é uma produção fiel ao seu autor ou uma resposta aos seus pais pelo modo de como o criaram ou deixaram de criar.

  Com essa dúvida "uivante" no ar, abordaremos a bela fita e deixaremos de lado recados de resignações por parte de filhos para pais. Quando escrevo pais e não pai somente no singular tem um sentido: Além do diretor ser filho de cineastas de renome mundial, ainda encabeça o elenco a filha do Chaplin (Geraldine Chaplin), e a filha de Marcello Mastroianni com Catherine Deneuve (Chiara Mastroianni), que por somente isso, ou seja, o grau de parentesco, faz o filme ter de certa maneira uma maior expectativa pela "responsa" do sobrenome.

  A estória, sem querer ser piegas, é uma bela lição de caráter. Agora se esse "caráter" foi um recado aos "parentes" ou não, não caberia a essa vossa pessoa julgar. O que pude ver foi uma fita com um roteiro fidedigno das boas fitas de arte dos seus pais. Gira em torno de uma herança em que um parisiense ganha após a sua mãe ter morrido em Los Angeles.

  Para isso ele precisa ir aos EUA resolver a papelada de praxe, e é aí que o filme se torna altamente interessante, pois remoendo seu passado morando com a mãe ainda como criança, ele se descobre não mais como aquele parisiense metido a besta no inicio da fita.
 
   Com as lembranças enxerga-se agora um cara com valores, com passado. E é com esse pretexto de valorar seu passado ou a sua mãe e ao mesmo tempo se tornando melhor para ele mesmo como ser humano, é que a fita se torna agradavelmente rodada na busca de uma filha adotada por sua mãe que é envolvida com drogas, crimes e prostituição no México, mas precisamente na "peligrosa" Tihuana.

  De americano o filme só tem mesmo o título. Com uma pegada forte europeia a fita agrada principalmente em comocidade, altruísmo e um belo roteiro. Filme cinco estrelas.    
                                                                         **
   Late Bloomers - O Amor Não Tem Fim
, da  Julie Gavras, França, 2010. Achei esse filme uma aula para envelhecer com dignidade, porém com um pouco de sofrimento, mas acima de tudo de pés e cabeças erguidos "ganhando dos egos" que nunca querem envelhecer.
 
   Trata-se de uma belíssima produção com uma sensibilidade fora de série, sem dúvidas uma das películas mais bonitas que vi antes de tudo por tratar o assunto do envelhecimento com uma impecável doçura, lucidez e perspicácia.

  Os protagonistas são uma senhora que começa e lidar com Alzheimer e um senhor arquiteto superprodutivo que tem como defesa ao envelhecimento o dizer não a ele, botando a mão na massa em seu oficio e tentando tratar com indiferença a sua idade avançada.

   Mas para o tempo não há possibilidade de indiferença, pois ele explica que tá lá, quer queira ou não, e foi isso que aconteceu com esses dois no filme, mas de uma maneira  "sublimada" que a velhice, pra nós espectadores não é vista como problema como para seus protagonistas.

   Apesar do Alzheimer a senhora interpretada pela Isabella Rossellini se torna mais lúcida em saber que está envelhecendo e com isso comprando coisas de pessoas de terceira idade em sua casa como corredores, bengalas e coisas do gênero que facilitem as suas locomoções.

   Postura essa bastante diferente do senhor seu marido interpretado por William Hurt que sofre para descobrir que está velho de fato, de corpo, pois sempre fora um homem ativo fisicamente e agora não vê tamanha disposição que tinha tanto física como psiquicamente.

   Porém com uma longa jornada de amadurecimento e com a ajuda de sua fiel escudeira de 30 anos de casados, ele percebe que mesmo com as impossibilidades que a idade cobra, dá para ser feliz ao lado de pessoas que te amam e você as ama de fato, no caso sua esposa com Alzheimer.

   O filme é lindo porque todas essas questões de encarar a idade que chega pra todos são jogadas em tela de uma forma tão difícil, mas ao mesmo tempo como uma maneira de aprendizado duro que cativa e saímos do cinema com a certeza de que vale a pena cada dia das nossas vidas, e de fato o amor não tem fim: a nossa turbina nessa vida, é essa a coisa que nos faz continuar sempre e sempre, sem isso não teríamos sentidos aqui.

   Amem, amem independente da situação pelo simples argumento que fará bem ao seu coração e sem jargão.  
                                                                          **

  Jesus Cristo SuperStar, do diretor Norman Jewison , 1973, EUA; É um belo de um musical antigo e observado na visão de Judas Escariotes, onde o vilão é Jesus Cristo. Mas porque Jesus teria tamanha desfaçatez para jogar Judas contra a humanidade e sair como o pobrezinho?

   A resposta tá no título do filme ora bolas; Para ser o maior Pop Star de todos em todos os tempos, ever. Com um musical feito na década de setenta é de espantar tamanha produção para a obra, realmente sensacional e interessantíssimo, pois podemos não mudar nossas convicções cristãs, até mesmo pelo fato de que o filme não tem esse objetivo, mas de uma maneira lúdica brincar com coisas que engolimos guela abaixo desde nossa infância, que é o caso do Jesus ser o sacrificado porquausa de nós, pra nos dar o direito as nossas vidas e quem for contrário a ele, seriam os Judas, os traidores, os diabinhos desgraçados e ordinários. 

    E o filme se propõe não a mudar ideologia nenhuma, mais colocar em tema exatamente quem era verdadeiramente Jesus Cristo.

   Será que essa estória toda não foi fundada com o intuito de quererem criar alguém inesquecível, um Deus ou de fato existiu a crucificação e principalmente a ressuscitação dele?

  De maneira oculta o musical aborda essas perguntas e coloca a estória de Jesus Cristo de um outro lado da moeda, onde na qual existem outras versões, óbvio, senão não seria o outro lado da moeda, mas até quando e quanto vale cada lado?.Do lado oposto a Jesus existia um Judas injustiçado que tinha a teoria de Jesus ser um aproveitador e um grande ator para estancar os ferimentos das almas humanas que penosamente procuravam e até hoje procuram algo maior do que vêem, algo maior do que simplesmente coisas matérias.

   De fato temos essa necessidade ou fragilidade de não nos sustentarmos em somente coisas que criamos como a ciência, por exemplo, mas sim em coisas que confortem nossas inquietações que desfocam nossa visão física e toquem nossos corações. Isso é chamado de fé, acreditar no que não é visto, e pela versão do Judas, Cristo nada mais era do que um farsante perante a necessidade da fragilidade humana, se transformando assim como o nosso maior Pop Star de todos e para sempre, Amém.