sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

ENTRE DOIS MUNDOS: NEM A DISNEY QUER FAZER A VERSÃO 2

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02/06/2012 às 07:03
Foto: DIV
Entre Dois Mundos e Jonhn Carter pulador herói marciano sem sentido
   John Carter - Entre Dois Mundos (2012), EUA, do Andrew Stanton. Mas uma vez o Walt Disney apostou em estórias marcianas e mais uma se deu mal, de modo que já comunicou: "filmes com temática em Marte nunca mais, é prejuízo certo".

   Desse modo esse filme mentiroso e há quem pense sem roteiro/nexo será debatido aqui. Vou começar pelo ponto alto que é a coragem de um oficial texano do exército, John Carter, já que se encontra em Marte não sabendo como chegou lá de fato, não se faz de rogado e se joga no planeta vermelho.

   Literalmente se joga tanto que vira um Deus para os marcianos, conhecido como the Jumper, ou o pulador. E esta é a principal "deixa" em que o roteirista criou e a partir disso se faz no filme praticamente o tempo inteiro as culhudas de um terrestre em Marte como saltador dos sete mares, mares não, pois não os tinham lá, porém se tivessem, ele os pularia como fez em todas as cenas. 

   John Carter pulou tanto que até papou a princesona gostosa marciana. Quer saber? O Walt Disney foi sábio em não querer produzir o John Carter II, ninguém aguentaria.  

   Reis e a Ratos
, com direção e roteiro do Mauro Lima, Brasil , 2012, conta uma estória política no período militar regada com humor inteligente e por incrível que pareça é um filme nacional de baixo orçamento que se ficou duas semanas em cartaz foi muito.

   Sorte de quem viu o filme e os trambiques na políticas do Brasil na década de 60 do século passado, Em suma é o seguinte: Reis e Ratos se passa na cidade do Rio de Janeiro, quando o clima de conspiração afeta uma série de personagens relacionados, de alguma forma, ao cenário político da época.

   Um deles é Troy (Selton Mello), agente da CIA que vive no Brasil e passa a duvidar de sua fidelidade à terra natal. Com a ajuda de seu comparsa brasileiro, o Major Esdras (Otávio Müller). E tudo que esses dois camaradas não queriam era confusão, por isso planejam uma armadilha para o presidente que pode atrapalhar os planos do Golpe Militar.

   E o filme é todo com esse ritmo ou nesse pretexto em boicotar o presidente para que o golpe militar continuasse, o que também seria verdadeiramente interessante para os EUA naquela época de domínio vigilante mundial dos EUA há poucos anos antes da Guerra Fria contra a extinta URSS, por isso a "nóia" norte- americana já era grande desde aqueles tempos.

   E outra coisa também: assim como hoje, naquela época informação era poder também, e o objetivo do Tio Sam sempre fora o poder "ever". Escrevendo assim parece ser uma película monótona, mas não a é, trata-se de uma estória pensante e politicamente incorreta, e em tempos do politicamente correto ser a moda, um filme com esse teor de humor inteligente e rebelde vem bem a calhar, até agora o melhor nacional desse ano que assisti.  

   A viagem de Darjeeling, de Wes Anderson , 2007, EUA; com  Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman é uma despretensiosa comédia chapada em que em sua despretensão abordam coisas importantes como: reconciliação familiar, confiança e paixão pela vida.

   Com três irmãos desconhecidos um pelo outro, eles partem para a Índia para pegar a mãe que surtou em um monastério budista para o enterro de seu pai que morrera atropelado por um caminhão. No meio disso ou para chegar à Índia e resgatar a vossa mãe, os três se "chapam" com um xarope pra tosse e embarcam em um trem que atravessa aquele país.

   Esse "chapamento" dura à fita toda com os seus três personagens sempre "nadando, nadando e morrendo na praia", onde nem a mãe conseguiram resgatar. O fim da película passa a mensagem de um autoconhecimento maior ou uma menor autodebilidade dos personagens. Porém os destaques da película ficam para a trilha sonora com canções belíssimas indianas e a fotografia dequele país que salva um roteiro pouco criativo.