sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

PARAISOS ARTIFICIAIS "ACORDA" AS PESSOAS

Filme mostra realidade das raves
19/05/2012 às 09:01
Foto: DIV
Paraisos Artificiais aborda as raves e as drogas sintéticas
   A gastronomia, a cultura, o bom humor fanfarrão desse povo e as suas belas mulheres: todos esses itens serão sempre bem vindos a qualquer outra nação, porém sobre sétima arte contemporânea esse país passa longe de ser bom. O país referido é a Itália e o filme a ser comentado a partir de agora é  A adorável Pivellina (La Pivellina, Itália, Áustria).

   Quando escrevo filmes italianos contemporâneos não sou louco de colocar no mesmo balaio Felinni que fez Ladrões de bicicleta, um dos filmes mais bonitos de toda estória cinematográfica na década de 40 do século passado ou Baaria - A porta do vento, que emocionou multidões do diretor Giuseppe Tornatore de 1988, mostrando que vez por outra os cineastas italianos dos nossos tempos conseguem acertar a mão.
 
   Mas de fato isso realmente não acontece com A adorável Pivellina. Um longa literalmente "longa" por ser 100 minutos de puro marasmo e pouco inspirador não arrebatando em minuto algum a atenção de quem assisti e principalmente a admiração pela obra.
 
   Tenho apenas uma resalva positiva sobre o filme que é mostrar um bebê atuando como um bebê, e é desse bebê em que a estória começa quando esse é achado em um parque. O filme estaciona literalmente nas precárias e mal feitas investidas em achar a mãe do bebê. Investidas essas de uma família circense que não consegue em todo filme apresentar um mísero espetáculo.

   E o filme acaba como começou, ou seja, sem graça e sem nexo. Não vou contar o final para não estragar, mas já de antemão comunico que filmes bons italianos contam-se nos dedos. O mais impressionante é que essa obra acabou sendo selecionada para o festival de Cannes em 2009.

   Das duas uma: ou estamos vivendo em planetas opostos no: "o que é bom lá não é aqui", ou em 2009 a seleção de Cannes pisou na bola total.   Melhor que rotular filmes como" pouco instrutivos" quando o José Padilla   ( leia-se Tropas de Elite ) participa é averiguar se de fato todos vão por esse fim.
 
   Talvez pelo fato de o diretor ser outro (Marcos Prado ) e o Padilla se limitar apenas a produzir a obra se explique que Paraísos Artificiais, Brasil, 2012; tem o seu valor mostrando a estória não como mera bobagem, mas sim como caminhos que pessoas buscam para o autoconhecimento.

   A abordagem do mundo das drogas sintéticas leia-se Ecstasy existe, assim como existe a tal averiguação existencial dos seus principais personagens em lugares lindos como praias do nordeste brasileiro regadas com as festas raves e gente pra lá de descontraídas, até Amsterdã com sua vida noturna alucinante e culturalmente atraente com os seus museus.

   O fato relevante da obra não é levantar bandeiras a favor ou contra drogas sintéticas; isso no filme se torna coadjuvante. O fator relevante e já mencionado aqui é o teor em que a película tenta "acordar" pessoas no que se diz respeito a procurar o rumo do autoconhecimento.
 
   A obra tem a audácia de brincar com a linha do tempo, começando do fim para o começo, ora por vezes misturando os dois sem perder a linha tênue da estória, enfim um filme feito para seres humanos que não tenham medo de experimentar a vida e consequentemente achar o fruto disso.  


    Battleship - Batalha dos Mares, do infeliz diretor Peter Berg EUA, 2012.  Crítico é aquele ser ou profissional que tem a pretensão em olhar mais adiante do que o próprio realizador. Em se tratando de arte ou sendo mais especifico da sétima arte este tem de ser por algumas vezes sincero ao ponto de se segurar para não escrever um palavrão quando presenteia uma obra, no sentido de "obrar" mesmo, em que nada tem a nos presentear.

   Este foi o caso de Batalha dos Mares, uma baita de um roteiro pífeo que mais uma vez se sustenta e mau, escreva-se de passagem, no tema "Invasão de Alienígenas". Porém dessa vez os heróis da terra são os que estão sempre na água, e salgada.

   Uma batalha naval contra outro planeta é acometida nos nossos mares terrestres. Ademais disso: de o filme ser um joguinho medíocre de batalha naval, onde todos já jogaram algum dia e escreva-se de passagem é um joguinho bem sem graça também. Escrever mais alguma coisa sobre a película holiwodiana que deve ter custado milhares de dólares para entreter milhares de semianalfabetos ao redor do mundo com a estreia da cantora Pop-Star Rihanna nas telonas com um discreto e mau também papel de atriz coadjuvante da marinha americana, seria uma temeridade da parte que vos escreve.

   Esse crítico compromete-se aos seus leitores a indicar coisas boas e por isso posso afirmar que esse filme não vale ser visto sobre hipótese nenhuma, nem mesmo sobre aquela velha desculpa de que não tinha nada para ver na hora, que fora meu caso. Realmente uma lástima que faz criarmos menos indivíduos interessantes e mais medíocres como o próprio filme.