sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

XINGU, SHAME E DAMA DE FERRO PARA CURTIR NO FERIADÃO

Dama de Ferro mostra poder e decadência
27/04/2012 às 20:01
Foto: DIV
Xingu mostra a realidade brasileira em parte da Amazônia e a cultura indígena
   Dama de Ferro, do diretor Phyllida Lloyd, Reino Unido/ França, 2012, é uma película benigerantemente política, mostrando a cinegrafia da ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher.  

   Com ênfase em sua forte personalidade, o que dá o título do filme, Meryl Streep mereceu com louvor o Oscar de melhor atriz ganho este ano. O filme se desenha na própria vida dessa política, que foi um grande ícone político mundial em todos os tempos na era pós-segunda guerra mundial.

   O roteiro é apenas razoável, porém com uma liberdade em mostrar todos os períodos da protagonista de uma forma bem legal, desprovida de qualquer pudor, seja na hora em que ela decide lutar e esmagar a Argentina na guerra das Malvinas ou nos últimos dias mostrando uma mulher doente com Alzheimer.

   O filme vale ser conferido, pois ainda está nos cinemas e por se tratar de uma aula de estória da política mundial pós-segunda guerra.  

    Xingu
, do Cao Hamburguer, Brasil, 2012, veio em hora certa para alertar a estupidez e o crime que nossos representantes políticos estão cometendo com a construção da usina de Belo Monte.

   Todos somos crentes que o Brasil precisa evoluir, mas não de qualquer forma. Construir a usina de Belo Monte é um genocídio primeiro contra a própria Amazônia e nosso planeta, e segundo contra os ribeirinhos e os habitantes da região, inclusive os índios, que na película citada, com a dura e incansável missão dos irmãos Villas Boas em construir o parque nacional do Xingu.

    Alguns amigos meus saíram do cinema estarrecidos de como o próprio governo brasileiro matou tanto índios para a construção da chamada ferrovia Transamazônica. 
  
   Pois bem, hoje não está sendo diferente com a construção dessa dessa usina hidrelétrica, mas ao invés dos índios dessa vez o extermínio ou genocídio será contra os ribeirinhos: gente que vive às margens do Rio Belo Monte e serão afundados literalmente quando toda a estrutura estiver de pé.

   Este tipo de gente é igual aos índios: só sabem viver em suas terras. Não precisa ser um dos mais inteligentes pra saber que quando os ribeirinhos forem relocados em outros locais as suas identidades também estarão perdidas.

   Quando me refiro a identidades, não são as do tipo RG que o homem branco criou, mas sim as identidades culturais que escreva-se de passagem são muito mais importantes para qualquer ser humano; Seja este branco, índio ou ribeirinho. Não se vai demorar muito a encontrarmos mais esse povo afogado no álcool assim como fazem os índios hoje tentando imitar nós brancos.
 
    Salvemos os ribeirinhos e digamos um NÃO a construção de Belo Monte aqui na Amazônia deles, nossa e que um dia já foi dos índios também.
 
   Ah, e o filme é ótimo !    Tenho a "puxação" de usar minhas críticas em audiovisual para sucumbir meus fantasmas internos, deixar meu lado poético florescer ocultamente entre as explicações das obras. Tudo isso me leva ainda a escrever sobre cinema, pois além de gostar muito de ver os filmes, me serve como escada para escrever o que sinto, por vezes conscientemente ou não.

   Shame
, Para tudo! Como é raro e bom nos dias de hoje achar um filme bom nos cinemas e esse ainda bem é o caso de Shame, do diretor Steve McQueen, Reino Unido, 2012; É um filme que antes de tudo aborda a ambição do ser humano, mas e aí: ter ambição e se transformar em um mostro ou ficar o de sempre pelo resto da vida? Essas e outras indagações são feitas no filme.
 
   Mas do que o protagonista ser viciado em sexo temos que ir mais a fundo nele, com todo respeito, e saber o motivo de seu vício. Se formos práticos pensaríamos assim: o cara era noiado porque nasceu em Nova Jersey e queria ser um top em Nova Iorque. Mas só isso como explicação ao meu modo é óbvio demais.

   Fiz o que pude pra não escrever isto, mas o ser humano é mesmo uma merda, sempre comparando um com o outro a classes sociais e coisas do gênero.

   Sim, o protagonista trazia já consigo o ímpeto sexual exarcebado, talvez por sua sensibilidade, onde tudo era motivo para pensar na saliência, até uma palavra colocada em uma reunião de trabalho fazia lembrar de coisas não "recomendadas" no momento.
   O problema é que todo momento era de fato "momento" para o protagonista. Aí fica uma coisa doentia, onde a sedução e o tesão ficam linkados a melhoria de vida, a uma mulher mais educada, mais rica, mais fina, com um emprego bom, etc., tudo o que ele não teve em sua vida em Nova Jersey.

    Com o intuito de apagar as suas origens o cara se atropela sentimentalmente e vive em uma prisão onde foi prisioneiro não por escolha, mas por consequências. Acho que o ser humano é mais complexo do que a maioria imagina e aí que mora o fascínio em nos descobrirmos: os nossos medos, as nossas conquistas e até que ponto estamos dispostos a nos entregar a elas. Acho que isso é tudo embora saiba que sempre tem mais. O filme é indicadíssimo e já está saindo dos cinemas