sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: DIÁRIO DE UM JORNALISTA BÊBADO É LIÇÃO

O Guarda, de John Michael McDonagh
21/04/2012 às 07:03

Foto: DIV
Johnny Deep é protagonista do jornalista bêbado
  DIÁRIO DE UM JORNALISTA BÊBADO - do Bruce Robinson, EUA, 2012, embora o título já entregue, mas trata-se de um filme para jornalistas de essência. Essência essa no sentido de ser e viver jornalista, quase um camicase pela sociedade, bela cinegrafia.

Quem esperava mais um personagem meio gay do Johnny Depp certamente odiou o filme, pois este não é um besteirol, mas sim um filme pensante, pulsante, emocionante e cativante. Ainda estou com as cenas na cabeça, pois assisti hoje, de modo que a emoção vai junto com as letras, às vezes dá certo, as vezes não, vamos tentar.

Pois bem senhores (as), esse filme cativa porque mexe com uma das mais belas profissões, a de jornalista. No caso do jornalista desse filme, ele ora por questões existenciais pendentes ora por ossos do oficio dava o fígado para resolver seus problemas. A estória já começa com um problema: um cara que foge de Nova Iorque para Porto Rico em 1960, quando este país ainda pertencia aos EUA. O fato de a estória ser verídica traz mais brilho a produção, ou seja, existiu de fato um jornalista bêbado, totalmente sem rumo, metido à romancista que deu seu rim para as descobertas da vida ou fuga delas, vai saber.

O que soube é que a minha é ser jornalista e quem me ensinou foi um jornalista
bêbado. Belíssima produção com uma belíssima fotografia também, mostrando a nós
que quem manda no mundo são as pessoas que tem coragem, lúcidas ou não, apenas
corajosas, o resto é mero detalhe.


Jogos Vorazes, do Gary Ross, EUA, 2012. Tem muita gente falando que
o filme é um besteirol e coisa e tal, porém eu não achei isso, um pouco longo
talvez. Trata-se de um filme futurista com um roteiro um pouco confuso,
principalmente no que se diz respeito à criação do reality Jogos Vorazes. Fora
isso, que é uma parte bastante significativa no sentido de entendimento para que
a película transcorra, pois é a razão para que as boas cenas de ação aconteçam,
o filme é um espetáculo: tem senso de companheirismo, de coragem, de fidelidade
os seus participantes ou jogadores para com suas regiões, enfim não é a toa que
está em primeiro lugar em bilheteria nos EUA até agora e no Brasil até semana
passada ou é à toa? Humilde e encarecidamente como um mero sofredor de ver (ver
não, que ainda tenho um pouco de juízo, mas ouvir em todo canto durante esses
doze últimos anos o Reality Global BBB) que mude as regras do jogo global e as
copie como as do filme, onde os jogadores morrem de verdade. Porque se não for
assim é você que me mata rede Globo.

O guarda, do John Michael McDonagh, 2012, é
mesmo o melhor filme produzido pela Irlanda nos últimos tempos como escreve e
chama os espectadores em seus folders. Com a constatação de que o irlandês já
anda com o racismo desde seu ventre, cabendo só a esse povo, e nem mesmo os
ingleses ou outro qualquer, a original identidade britânica, e por isso só já
melhor que os outros povos de qualquer país, um policial negro americano
literalmente se fode na mão de um autêntico guarda irlandês de uma cidade em
interiorana. De fato, o policial britânico é bem engraçado e tem maneiras
peculiares e pouco convencionais de viver sua vida. Primeiro ele acha a maior
perda de tempo se relacionar com alguém e segundo: Família pra quê? Só pra
encher o saco? Com uma mãe com pouco tempo de vida esse policial, que como um
autêntico e único verdadeiro britânico bebe cerveja como se fosse água, como não
poderia deixar de ser dando mais ainda identidade a seu personagem juntamente
com a sua farda e seu boné, tem uma missão pouco comum na pequena cidade em que
vive: Descobrir dois homicídios e interceptar um carregamento de drogas no porto
da sua cidadezinha. Em suma a película tem dois personagens: esse tal polícia da
Irlanda que é interessantíssimo (Brendan Gleeson), pois se mostra um agente da
lei liberal, seja em relação a experimentar drogas ou a se envolver com
prostitutas além de ágil em pensamento, e do outro lado temos um agente
americano negro super certinho (Don Cheadle) que aprende que às vezes o certo
é o errado. Com piadas racistas, senão não seria um filme irlandês, e com um
humor inteligente por o seu protagonista apesar de ser racista ser incisivo em
suas suspeitas, O Guarda é um filme diferente que nos faz sair das cinegrafias
dos países que já estamos carecas de assistir e saber que o mundo todo tem
cinema de
qualidade.