sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

DOIS FILMES TOPS COM FREUD E JUNG E ETERNO DEBATE

Pina, Alemanha, um excelente filme também
06/04/2012 às 09:00
Foto: DOC
Viggo Mortensen, como Freud; e Michael Fassbender, como Jung

Um método perigoso, de direção de David Cronenberg , Alemanha, Canadá, Estados Unidos , 2012, é um filme de descobertas de Freud e Jung, os percussores da Psicanálise e necessariamente nessa ordem.

A obra é intensa e densa, loucura, obsessão e a origem da psicanálise são os temas abordados, além de amor, respeito e paixões, enfim um resumo da alma humana, o que é o caso que essa ciência sempre pretendeu a entender a ainda continua.
 
Destaque para a brilhante atuação da belíssima atriz Keira Knightley, interpretando uma judia "louca" e principal "cobaia"para os novos e radicais conceitos da medicina criada por Freud, na qual Jung pegou seus principais princípios, ou seja: bebeu na fonte querendo transpor e acrescentar algumas
cositas mais.
 
Freud (Viggo Mortensen): Judeu e menos rico que Jung (Michael Fassbender):Ariano que era casado com uma mulher abastada e ariano. Toda a estória acontece antes do nazismo começar. No meio da estória entre Freud e Jung de amizade e também competividade em seus métodos no sentido em qual ser o mais eficaz para esse novo conceito medicinal chamado inicialmente Psicoanálise e a posteriori Psicanálise.

Não esquecendo que Jung tinha como figura paterna Freud, porém no decorrer do processo ele tenta
ser maior que o pai, tentando e com algum sucesso brincar de Deus, coisa qual Freud desde o inicio era radicalmente contra. No meio disso existia uma estudante de medicina e louca (enxergue isso como generosa alma humana a palavra louca) na qual Jung se apaixona e ela para ganhá-lo de sua esposa "normal" faz ciúmes com Freud, um pai de seis filhos biológicos e um adotado: Jung, o seu filho mais rebelde e brilhante.

Sem dúvida trata-se de um filme para poucos, porém com uma "interresantiilidade" irresistível e sedutora. Vemos de uma forma singular a criação da Psicanálise, que para Jung tem a mesma importância de que quando Galileu descobriu e provou que não era a Terra que girava em torno do
Sol, mas sim o contrário. Assisti a poucos dias, de forma que foi um ato meu de coragem e irresponsabilidade escrever algumas linhas sobre o denso filme.

Para a película dessa envergadura intelectual seria necessário um maior tempo de pensamento sobre o filme e maturação para as suas ideias transmitidas no filme.

Porém algo como uma "coceira no rabo" não permitiu esperar a tal maturação de entendimento, de modo que este texto pode ser mudado mais tarde, porém o esboço já está aí e o filme é recomendadíssímo. A frase mais marcante do filme para mim foi a de um médico louco (ou lúcido ao ponto de considerarem louco?) - Vincent Cassel, interpretando o Dr. Otto Gross que se interna com Jung a pedido de seu pai por ter tido muitos filhos com inúmeras mulheres, que é a seguinte: " Nunca se arrependa de nada ".


Pina - Alemanha / França / Reino Unido, 2012, do aclamado e sábio (por ter escolhido esse filme
em especial) diretor Wim Wenders.
 
Um filme para se ver ao mínimo duas vezes tamanha sua qualidade. Uma obra-prima " percepcional" (percepção + excepcional).

O filme abre portas para o mundo da percepção, da subjetividade, do encantamento e tudo mais que se relacione com a dança e também com o nosso próprio corpo. O filme de tão denso e agradável ao
mesmo tempo, transpõe você ao mundo das percepções sensoriais do seu próprio eu.

É quase como tomar um chá de cogumelos, porém com uma sutileza e um empenho sob-humano de seus dançarinos para explicar a sua diretora Pina, que deu um chá de sumiço neles, que não dá nem pra escrever muito a respeito da obra. A sugestão é que percebam o mar de sentimentos que envolvem a película do inicio ao fim e saiam mais flexíveis em corpo e mente, ao menos foi isso que senti, mergulhei de forma tão legal na película que quando saí do cinema me achei até mais magro por ver tantas cenas de danças extraordinárias.

Fora o roteiro ser uma dura pedra no filme por se tratar de coisa tipo: "Cadê a Pina, cadê a Pina"
e nada de ela aparecer. Porém o fato relevante a ser destacado aqui é que o filme estava cagando e dançando para qualquer tipo de roteiro bem feito, pois tinha já uma outra estória a apresentarmos: a da percepção sensorial em sétima arte, e em 3d. Para um filme fora de série, uma nota também: 10 dançando, pois como a própria Pina que se pronuncia no abrir e fechar do filme: "Dancem, dancem
ou estaremos perdidos".