sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

TRÊS DOCUMENTÁRIOS MUSICAIS COMO SUGESTÕES INCLUINDO RAUL SEIXAS

Raul Seixas: o início, o fim, o meio
31/03/2012 às 09:00

Foto: DIV
Raul em Raul Seixas: O início, o Fim e o Meio, de Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel, 2012
   Rock Brasília, do Vladimir Carvalho , Brasil, 2011; Tem o cuidado de contar a estória do Rock na capital federal, estória essa que se assemelha muito com a do Rock no país inteiro. De todas as bandas citadas, a Legião Urbana se sobressaí na película. 

  Conta a estória na forma embrionária da banda desde a sua última formação, com um Renato Russo sempre intenso, gênio e levado por suas paixões.

  O documentário se expande ainda nas estórias de bandas de calibre como Paralamas do Sucesso (antes e pós acidente do Hebert Vianna, seu líder, vocalista e principal compositor). 

   Conta também à estória de uma banda que ainda continua como uma das principais do país, com o Dinho Ouro Preto em sua frente do Capital Inicial.

   Porém a obra cinemusical tem a maior felicidade em destacar os diálogos de bastidores, onde muitas coisas são ditas de grande relevância da cena rock nacional daqueles tempos, de modo que com essas informações podemos formar um toldo que se aplique ao cenário atual e compreenda mais enriquecedoramente as bandas e os compositores que conseguem chegar aos Hits de sucesso, hipnotizando o inconsciente coletivo.  

   Cartola - Música para os olhos, do Lírio Ferreira, 2007, Brasil. "Há sorrir prefiro levar a vida".

   Com este trecho começamos a tentar explicar a magia do genial Cartola. Gênio esse que todos sabem foi lavador de carros e entre outras coisas. O bacana desse documentário é o fato de terceiros contarem as estórias de vida dele.

   O melhor da película é sem dúvidas as músicas que são cantadas pelo próprio cantor, onde apreciamos sem moderação as letras, melodias, seu violão e voz deste poeta camuflado de músico, se é que podemos separar a poesia da música.

   Pra mim, a genialidade de Cartola vem de sua simplicidade e de como ele transpõe isso em suas canções. Um gênio não nasce todo dia,  e que me perdoem o Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e Martinho da Vila, mas quando teremos um novo cartola?

   A pergunta é deveras difícil; seria a mesma coisa se perguntássemos quando existiria um novo Beethoven. Esperamos esperançosamente que um dia surja um novo Cartola para a vida continuar a sorrir.  

    Raul Seixas: O início, o Fim e o Meio. Filme do Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel, 2012, Brasil, é efusivo e emblemático; assim como foi Raul em vida: uma panela de pressão pronta a qualquer hora a explodir.
 
   Uma coisa tem de ser escrita: além de sua incontestável genialidade e ousadia, o homenageado do documentário era com todo teor da palavra "um cabra macho sim senhor".

   Em citar a cabra e macho, as principais influências e misturas que Raul fez em suas melodias e letras juntavam o rock transgressor de Elvis Presley e a lamúria e irreverência do sofrimento pelo ritmo do Baião de Luis Gonzaga fazendo assim um estilo único: O "Raulseixismo". Estilo esse que vive até hoje.

   O documentário é riquíssimo em detalhes da vida pessoal de Raul com suas esposas, amigos e filhos. Sem dúvida uma produção merecedora de ser vista. A única coisa que faltou a meu ver na película foi a não entrevista da primeira esposa norte americana (ele teve duas esposas americanas) Edith, que era filha de um pastor protestante, com a qual teve uma filha e não pode ter acesso a criança por causa de ciúmes do novo marido da Edith.

  Faltou isso no documentário por se tratar da mulher mais importante e a primeira dele. Fora isso, e principalmente na parte de trajetória ou descenso musical (que foi o caso da parceria com o "vampiro" Marcello Nova, em minha opinião), o documentário é completo.

   A Obra audiovisual é bastante subjetiva por se tratar do "Maluco beleza"; então vá ao cinema e tire suas próprias conclusões