sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

CINEMA: O IRANIANO A SEPARAÇÃO É VISCERAL E GENIAL, POR DIOGO BERNI

Filme que recomendo
16/03/2012 às 07:03
Foto: DIV
A Separação, do iraniano Asghar Farhadi, é a recomendação que fazemos aos leitores
   As mulheres do sexto andar, do Philippe Le Guay, França, 2012, com Carmen Maura no elenco é uma gostosa comédia francesa onde se abordam temas interessantes como emigração, classes sociais e a beleza, simplicidade e sensualidade da mulher espanhola.

   O filme cativa as gargalhadas do começo ao fim tamanha a descontração com o modo de viver e encarar a dura rotina das empregadas domÉsticas espanholas vindas para Paris na década de 20 do século passado. Gargalhadas, pela forma que as espanholas encaram essa suas novas etapas de vida em outro país, fugindo da guerra civil espanhola e do governo Franquista.
 
   Mas, de fato, o filme tem o cuidado de não se adentrar nas angústias existências das emigrantes, focando-se no lado positivo do povo daquele país, que é: a garra e vontade de vencer e o poder de trabalhar para alcançar com suor isso. Um adorável entretimento que faz com que fiquemos ainda mais "hipnotizados" e apaixonados pelo povo espanhol e suas belas damas.  

  A Separação, de Asghar Farhadi, 2012, é um baita filme iraniano, mostrando que quando se é produzida película naquele país, eles não brincam em serviço. 

  Se não fosse pelo bairismo nacional do Oscar, esse filme, o único estrangeiro a concorrer ao de melhor filme, ganharia com os "pés nas costas", pois é muito melhor que todos os outros, principalmente em roteiro é um show de cinema.

  Só por via de informar aos interessados este foi o único filme em todos os tempos a ganhar três ursos de ouro em um dos principais e imparciais festivais, na medida do possível também, o de Berlim, onde até um filme nacional ganhou lá: o Tropa de elite I.

  Porém sobre A separação temos rápidos diálogos e um riquíssimo arsenal de temas importantes que envolvem desde a diferença em classes sociais, questões religiosas (onde não poderia faltar por ser um filme Iraniano), e questões de justiça também, seja ela islâmica ou judiciária.

  Por esses temas abordados a visceralidade da película é simplesmente extraordinária e geniosa, de modo que quando saí do cinema podemos pensar, abrir a boca e gritar: Caramba; finalmente assisti a um filme de verdade, e como é bom o cinema iraniano, tomara que nunca acabe, por mais que bombas nucleares estejam sendo produzidas por lá, não toquem no cinema deste país, pois se algum dia o boicotarem, com certeza o mundo ficaria mais burro.  

   Drive, do dinamarquês Nicolas Winding Refn, EUA, 2012 é um remake utópico, bonito, mas utópico. Remake este de filme de calibre como: Taxi Driver da década de 1970, feito por Martin Scorsese.

   Quando escrevo que é um filme de valores irreais, pois tropeça em seu roteiro, mostrando valores de seu protagonista de uma forma radical e exacerbada, não lineado com os dias atuais. Se o filme foi uma tentativa em mostrar o lado capitalista que carregamos dentro de nós, não o fez bem e descarrilhou, assim como uma caçamba descarrilha ladeira abaixo quando não tem freio. Sobre descarrilhar, temos um protagonista, Ryan Gosling, que antes de qualquer valor nobre ou não que ele quisesse passar, é um afetado psiquicamente analisando. Sim, o cara é um completo psicótico, não lembrando nada Robert de Niro em Taxi Driver.

   Aliás, não dá mesmo pra comparar esses dois filmes. O de década de 70 está a anos luz em relação ao outro por se tratar de um clássico. Este atual não é de todo ruim, fato que obteve a congratulação de melhor direção em Cannes ano passado. Mas de fato e na real não me agradou por o filme se nortear em seu protagonista, que além de psicopata, era meio retardado com seu silêncio e cargamente negativo, ou seja: um idiota.
 
   E essa propaganda que andam fazendo por aí dessa película como o filme perfeito para cinéfilos é pura enganação, tem coisa melhor passando. Nem a nova queridinha atriz dos EUA , a britânica Carey Mulligan salva o filme por seu roteiro pífeo e sem sentido. A não ser que queiramos sair por aí matando todo mundo, queremos?