sexta-feira, 03 de dezembro de 2021
Colunistas / Cinema
Diogo Berni

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET É UM BELÍSSIMO FILME

Minha aposta para o Oscar
24/02/2012 às 08:10

Foto: DIV
A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese
   Li algumas críticas sobre o filme A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese - 2012 , e todas são unânimes em afirmar que a película ganhará domigo agora com "os pés nas costas" o Oscar de melhor filme e outras estatuetas mais. Não discordarei dos meus colegas de profissão e acho que ganhará a estatueta de melhor filme também.

   Porém, sabemos que para os amantes da sétima arte ou os cinéfilos de plantão, seja em qual data for: carnaval, natal, etc, que o Oscar não serve muito para padrão de classificação se uma película é de fato boa, média ou ruim.

  Partindo desse principio temos A invenção de Hugo Cabret, um filme que está "léguas a frente" dos seus adversários, pois além de tocar nos melindres das infâncias perdidas de nós, adultos, tem um super roteiro que conta e homenageia com competência a estória do próprio cinema criado pelos irmãos Lumiere na Paris antiga.

   Não saí suspirando do cinema como alguns colegas de profissão saíram, mas de fato a película toca no imaginário humano, seja esse adulto, adolescente ou criança de colo.  
   
   Barton Fink - Delírios De Hollywood, de um Cohen (Joel Cohen) 1991 EUA, já seria garantia de uma estória boa pelo sobrenome do diretor, e a película afirma isso onde mostra de dentro para fora literalmente as crises existenciais de um roteirista que, de uma hora pra outra, tem um branco total, ou seja: não consegue criar mais nada, nem sequer um principio de idéia, uma pane geral mesmo.
 
  Pesquisando sobre o filme, o Joel Cohen no momento do filme passava por uma crise depressiva, ou seja, a realidade que ele quis colocar visceralmente no seu protagonista, John Turturro, deu super certo, mostrando um já consagrado roteirista se mudando de uma cidadezinha norte - americana para Hollywood com o intuito de escrever filmes e por essa pressão tendo uma crise existencial, não conseguindo sequer escrever uma única folha.

   O filme debate de forma oculta o papel do consumismo cultural desenfreado sem nenhum rigor de qualidade por aquele país e conseqüentemente depois arremessado ao resto do mundo. Indico há quem goste de escrever ficções.

   Um conto chinês, do Sebastián Borensztein- 2011 é mais uma aula cinematográfica argentina, fincando a bandeira deste país como principal produtor e realizador de bons filmes na América do Sul.

   Protagonizados por dois personagens: Um comerciante argentino rabugento (Ricardo Darín) e um chinês perdido local e emocionalmente (Ignacio Huang). A película passa-se com um chinês com muito amor pra dar e um argentino sem querer dar esse sentimento pra ninguém.

  Podemos dizer que a essência do filme é a razão do argentino se contrastando com a emoção do  chinês, que vem para a América do sul procurar algum sentido em sua vida depois de um trágico acidente com sua noiva. Neste bom filme tem um pouco de tudo: comédia, drama e principalmente um bom roteiro, que por coincidência ou não, sai de mais uma estória simples, essencialmente com emoção e por isso comove.

  Outra aula do cinema argentino ao brasileiro, um dia aprendemos