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Zé de Jesus Barrêto

TORCIDA DO BAHIA fez a festa em Barueri (2x0)

Grande Dani Alves, inteligência e sabedoria. Como já disse Gordurinha: ‘Baiano burro garanto que nasce morto’.
28/04/2014 às 10:29
A torcida tricolor feliz com o triunfo fora de casa (2 x 0), domingo à noitinha, contra o Figueirense, esbanjando superioridade em campo, Já o torcedor rubronegro, meio indignado com o empate (2 x 2) contra o Atlético (PR) em Pituaçu, de tarde, numa ‘entregada’ de amargar da equipe na segunda etapa do jogo, quando o time vencia bem por 2 x 0. O tricolor fez seus primeiros três pontos na competição e o Vitória continua sem ganhar... há um bom tempo. Acorda Ney Franco ! 

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Barueri tricolor

O jogo, mando de campo do Figueira (SC), aconteceu em Barueri, interior de São Paulo, campo bom de se jogar e onde o time baiano sempre se dá bem, apoiado pela colônia baiana de tricolores, que mora por lá e comparece para apoiar. A equipe realizou uma boa partida, foi absoluta em campo, coletivamente. Teve a bola e o controle das ações, ocupou bem os espaços do meio campo, marcou o adversário com inteligência, não passou perigo (Lomba quase não pegou na bola) e poderia ter saído com um placar mais elástico. 

O primeiro gol saiu aos 7 minutos, após uma cobrança de lateral e o cruzamento perfeito de Fahel na segunda trave, encontrando Lincoln livre para desviar do goleiro – 1 x 0. Afora umas duas saídas de bola erradas de Démerson, preocupantes, o Figueirense não chegava na área do Bahia, que fustigava nos contragolpes rápidos. A melhor jogada saiu aos 41’, numa tabela progressiva entre Maxi e Lincoln envolvendo a defensiva adversária, mas a bola terminou nas mãos do goleiro.
 
O Bahia mostrou-se maduro na segunda etapa e criou chances de ampliar aos 9’, após uma trama pela esquerda e um belíssimo chute de curva, da entrada da área, do apoiador Uélinton, que passou pelo goleiro mas bateu no travessão. Aos 20’, Rahyner testou forte um cruzamento da direita, já na pequena área, mas o goleiro Tiago Volpi salvou com uma grande defesa. Aos 29’, numa boa trama ensaiada, bola alta, Titi testou para o meio e Fahel, com o lado de fora do pé, antecipou-se à zaga e fez 2 x 0, matando o jogo. O resto do tempo foi tocando e mantendo a bola na frente, até o final, sem riscos. Justo o placar. 

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Uélinton jogou sua melhor partida com a camisa tricolor, exibindo classe, domínio, bons passes, dribles, até chapéu no adversário ele deu, dominando o meio campo. Encaixou-se bem na equipe. Fahel cresce ao lado de Uélinton, participou dos dois gols; mais Lincoln, Titi, o garoto Pará e o incansável Rhayner. Parabéns ao treinador Marquinhos Santos pela postura do time em campo. 

No Figueira, o veterano Marcos Assunção ( que cometeu uma entrada ‘escrota’ no meia Talisca e merecia ter sido expulso), o meia Marco Antonio e o lateral Leandro Silva, enquanto tiveram pernas para correr atrás da bola, o Bahia girando. 

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O tricolor joga no meio da semana pela Copa do Brasil, contra o Vila Nova, na Fonte Nova.

Pelo Brasileirão, no fim de semana, também na Fonte Nova, enfrenta o Botafogo (RJ), que empatou (2 x 2 ) com o Internacional (RS) no Maracanã. 

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Pituaçu plúmbeo 

Uma tarde outonal, nublada, com pouca gente em Pituaçu; e o torcedor saiu injuriado com o empate Vitória 2 x 2 Atlético (PR), no embate entre rubronegros. O time baiano saiu na frente, fez um bom primeiro tempo (2 x 0), mas entregou na segunda etapa, recuando o time, chamando o adversário pra dentro de sua área, o treinador Ney Franco a fazer substituições equivocadas e cedendo o empate, mais uma vez escancarando defeitos defensivos, sobretudo nas bolas alçadas. 

O Atlético começou a partida em cima, apertando, mas foi o Vitória que marcou aos 10 minutos, aproveitando-se de uma falha grosseira do zagueiro Cléberson. Dinei pegou a sobra, livre, e fuzilou: 1 x 0. A partir daí só deu Vitória, dominando o meio campo. Aos 30’ o time paranaense perdeu sua única boa chance de gol, quando Éderson recebeu nas costas de Nino, penetrou e, de cara, perdeu, pois Wilson ‘cresceu’ e fez excelente defesa. Aos 36’ o garoto Ze Wélisson pegou de bate-pronto uma sobra, da entrada da área, e fez um golaço : 2 x 0.

O Vitória voltou na manha para a segunda etapa, fechadinho na defesa, esperando para dar o bote do contragolpe em velocidade e matar o jogo, mas ... aos 5’, Marcelo Cirino levou a zaga, driblou Wilson e Luis Gustavo heroicamente salvou em cima de linha. Aos 15, Wilson abafou nos pés de Cirino. Aos 12’, novamente Wilson foi driblado e Dão salvou , a bola já entrando. Era um Vitória recuado, que pouco ameaçava, com o treinador fazendo substituições sem serventia ( Tarracha, Picapau e Mauri em campo), a equipe impotente no ataque. Aos 33’, após um cruzamento longo, Mosquito (que entrara em lugar do apático Éderson) resvalou de cabeça, livre, acertando o cantinho: 2 x 1. Dinei, solto, errou a cabeçada que poderia definir o jogo, na pequena área, aos 35. Aos 36’ aconteceu o empate, após uma blitze na área do time baiano; Marcelo Cirino, solto, de frente disparou um chutaço: 2 x 2. Justo. 

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Destaques no Vitória: o goleiro Wilson, o meia Cáceres, Zé Wèlisson e o estreante Caio. 

O goleiro Santos e o atacante Marcelo Cirino foram os melhores do Atlético(PR) 

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O Vitória joga agora no sábado, às 21 hs, no Maracanã, contra o Fluminense, o time de Fred e do treinador Cristóvão (ex-Bahia) que é líder do Brasileirão, com dois jogos ganhos. 

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No fim de semana, o rubronegro baiano anunciou a contratação do zagueiro Alemão, campeão paulista de 2014 pelo Ituano. Tem 27 anos, o passe é do Salgueiro-PE e vem por empréstimo até dezembro. Uma tentativa de ajeitar o setor defensivo que não se estabilizou desde a saída de Vitor Ramos e Gabriel Paulista, ano passado. 

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S O S 

Lamentamos a morte nessa semana que passou de Lucas Santos Lima, 35 anos, o Chapolim, um dos animadores da TUI-Torcida Uniformizada Imbatíveis, do Vitória. Torcemos muito para que o assassínio, com quatro tiros, nos Barris, na loja onde trabalhava, não tenha sido motivado por essa irracional rivalidade clubística que beira a bestialidade com os confrontos entre Imbatíveis x Bamor. 

Pior é que já se sabe que alguns diretores e ‘animadores’ da rival, Bamor, estão sofrendo ameaças de morte por telefone e pélas redes sociais. Foi prestada uma queixa na 1ª Delegacia Territorial (DT/Barris) no sábado (26), enquanto o corpo de Chapolim era enterrado no cemitério Jardim da Saudade. O crime teve caracterísicas de execução, segundo a polícia que ja analisa as imagens captadas pelas câmeras de segurança próximas ao local. A Bamor chegou a emitir uma nota de pesar pelo ocorrido. Antes do BaxVi que decidiu o título baiano, três integrantes da Bamor foram esfaqueados por ‘rivais’ rubronegros em Brotas. 

Vamos evitar mais uma guerra de gangues na cidade. É hora de todos, digo todos – Estado, FBF, clubes, mídias esportiva – trabalharem pela paz dentro e fora dos estádios. Ou teremos, breve, uma catástrofe. Anunciada, previsível. Essas ‘uniformizadas’ devem ser banidas, tornaram-se gangues organizadas com facções de bairro que cultivam apenas o ódio, a violência. Não gostam de bola, ignoram o futebol em campo, empenham apenas em agredir os chamados ‘rivais’. Uma ameaça aos torcedores, os que amam o jogo de bola e seus times de coração. Um horror. Basta, enquanto é tempo. Ou elas, as tais uniformizadas, vão destruir o futebol baiano, brasileiro. Lastimável. 
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Ainda na semana passada, gangues de ‘torcedores’ invadiram os centros de treinamento do Santa Cruz, em Recife, e do Remo, em Belém do Pará, xingando e agredindo jogadores (que estavam treinando), diretores e comissão técnica dos clubes. Inaceitável, inconcebível. Os clubes precisam dar garantias a seus atletas. É preciso haver uma campanha nacional contra esse tipo de violência, já, ou teremos, ao invés de um esporte, um campo de conflitos estúpidos. Até porque o futebol é um jogo, um esporte, uma arte, uma competição onde alguns ganham e outros perdem, sempre. Não há como ser diferente. Se cada derrota der origem a um conflito, onde vamos parar? No futebol, como na vida, ganhamos e perdemos, dia sim, dia não. E há mil formas de se protestar, de se construir, participando, torcendo... o resto é barbárie. Cabe ao Estado, em primeiro lugar, dar segurança ao cidadão. No caso, as federações, entidades, a mídia, todos os que lucram com o futebol devem se unir para banir do convívio do esporte essas bestas humanas. 

Crise fora de campo? 

Vejam o que é o futebol. Quando o time ganha em campo, a bola entra, tudo é só felicidade. O Vitória, há pouco, era um exemplo de clube. Sem dívidas, pagamento em dia, só vitórias, só orgulho. Bastou a equipe cair de produção para o torcedor se revoltar e aparecer os ‘bagulhos’ escondidos sob o tapete. Dìvidas não quitadas com o Banco Central e, agora, os bastidores políticos em ebulição. Apareceu um grupo de oposição chamado ‘Século 21’ que entrou na Justiça impetrando uma intervenção no Rubro-Negro, assim como aconteceu no arquirrival Bahia. Querem democracia no clube. Quando a bola não entra... o bicho pega. 

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Quem chega? 

No Bahia, o torcedor pergunta: cadê as contratações? O meia esquerda de nome, prometido? E o centroavante, o fazedor de gols, o homem de área, o camisa 9 ? Henrique seria a solução? Teve seu tempo de glória com a camisa 9 amarelinha sub-20, mas depois disso, nada. Cria do São Paulo, passou pelo Vitória, Sport, Botafogo do Rio e ... nada mostrou além do feijão com arroz. Será que deslancha no tricolor baiano? Falou-se em Maicon, do Fluminense (RJe em Elton (ex-Vasco, hoje nos países Árabes). Mas, cadê? Sem um centroavante não dá pra sonhar em fazer bonito no brasileirão. 

Essa semana o ‘prata-da-casa’ Rafael Gladiador chiou na imprensa de salários atrasados e pedindo chance. Já as teve, de sobra, mas em campo mostrou-se indolente, sem nenhuma evolução técnica. Que foi feito de Ítalo Melo e de Zé Roberto, outros dois atacantes das divisões de base? O nome da vez, vindo da base, é Érick, também atacante, treinando entre os profissionais. Esses merecem nova chance, poucas as tiveram, e quando entraram mostraram alguma qualidade. 

Em compensação, vejam os laterais direito do plantel : Neto, Ângulo, Raylan, Madson, Diego Macedo e o recém-contratado Roniery (?) . Três devem sobrar, procurar clubes, serem emprestados. Obs: Diego Macedo, que vinha como titular, machucou o ombro no jogo contra o Figueirense e deve ficar afastado da equipe por uns dias.
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Fluminense 1 x 0 Palmeiras, no sábado, primeira divisão do futebol brasileiro, mais de 100 passes errados. Santos x Curitiba foi também um jogo feio, truncado, de chutões e briga pela bola, mas de técnica rasteira. O futebol que se joga hoje nos gramados brasileiros é de má qualidade. Como diria o inesquecível mestre Armando Oliveira: ‘ Há muita transpiração e pouca inspíração’. 
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Aplausos para o baiano Dani Alves (revelado pelo Bahia), lateral da seleção e do Barcelona, um dos melhores do mundo. No jogo de domingo, contra o Villarreal, clássico catalão, o Barcelona perdia por 2 x 0 e ele comandou a virada de 3 x 2 para o Barça. Num certo momento do jogo, torcedores racistas atiraram bananas em campo, na sua direção, quando ele se dirigia para bater um escanteio. Ele se abaixou, pegou das bananas e, agachado, descascou e comeu, ante de executar o lance. Bela resposta, na bola e na boca. 

Grande Dani Alves, inteligência e sabedoria. Como já disse Gordurinha: ‘Baiano burro garanto que nasce morto’.